Polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida ganha espaço na campanha eleitoral

A reta final das eleições de 2026 ganhou um novo capítulo envolvendo religião, redes sociais e a disputa entre os principais candidatos à Presidência. Nos últimos dias, publicações relacionadas a Nossa Senhora Aparecida passaram a circular com força na internet e provocaram reações de políticos, entidades religiosas e integrantes das campanhas.
O episódio também foi comentado pelo jornalista Alexandre Garcia, em artigo publicado pela Gazeta do Povo. No texto, o colunista classificou a atuação da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva como um “tiro no pé” e criticou o uso de assuntos religiosos durante a disputa eleitoral. A avaliação, porém, faz parte da opinião do autor e não representa uma conclusão oficial sobre o caso. A discussão ganhou força depois de uma informação divulgada na televisão relacionar o candidato Flávio Bolsonaro a uma suposta intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.
O conteúdo rapidamente se espalhou pelas redes sociais. Pouco depois, porém, a informação foi corrigida pela própria GloboNews. O projeto citado como origem da história havia sido apresentado em 2007 pelo então deputado Victório Galli e acabou arquivado em 2008. Portanto, não se tratava de uma proposta atual da campanha de Flávio Bolsonaro. O candidato também negou que tivesse qualquer intenção de alterar o título religioso. A campanha classificou a informação como falsa e afirmou que não existia projeto em andamento com esse objetivo.
Mesmo depois dos esclarecimentos, o assunto continuou circulando. Em entrevista exibida no domingo, 27 de setembro, Lula foi questionado sobre o episódio e afirmou que não considerava aceitável qualquer tentativa de retirar o título de Nossa Senhora Aparecida.
O presidente também reconheceu que a informação poderia ser falsa quando foi questionado diretamente pela jornalista Adriana Araújo. O diálogo acabou ampliando a discussão sobre a responsabilidade de candidatos ao comentar informações que circulam nas redes durante uma campanha eleitoral.
A primeira-dama Janja da Silva também publicou uma imagem relacionada a Nossa Senhora Aparecida, enquanto aliados do governo passaram a abordar o assunto em manifestações públicas. A controvérsia chegou ao Judiciário. Em 25 de setembro, o ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral, determinou a retirada de determinadas publicações relacionadas ao tema.
Dias depois, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, tomou decisão diferente em relação a uma postagem específica e determinou sua restauração. Segundo a Agência Brasil, Dino considerou que não havia elementos suficientes para concluir pela ilicitude da publicação e destacou a necessidade de preservar a liberdade de expressão e religiosa. A diferença entre as decisões transformou o episódio em mais um capítulo da discussão sobre os limites das redes sociais durante o período eleitoral. Por que o assunto ganhou tanta repercussão?
Nossa Senhora Aparecida possui enorme importância histórica e religiosa no Brasil. O título de Padroeira do Brasil está previsto oficialmente na legislação brasileira desde 1980, quando a Lei nº 6.802 estabeleceu também o feriado nacional de 12 de outubro.
A origem religiosa do título é ainda mais antiga. Segundo a Biblioteca Nacional, o papa Pio XI assinou, em 1930, o decreto que declarou Nossa Senhora Aparecida padroeira principal do Brasil. Por isso, qualquer discussão envolvendo a imagem ou o título da santa naturalmente alcança um público amplo, especialmente entre os católicos.
O episódio mostra como temas religiosos podem ganhar grande espaço em uma eleição marcada pela forte presença das redes sociais. Uma informação publicada ou compartilhada sem a devida verificação pode alcançar milhares de pessoas em poucas horas.



