Mensagens indicam participação de Vorcaro no custeio de viagem de Fux a Nova York

Mensagens obtidas pela Polícia Federal durante as investigações envolvendo Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, trouxeram novos detalhes sobre a viagem do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), a Nova York, em maio de 2024. Segundo as conversas analisadas, Vorcaro teria orientado funcionários sobre despesas relacionadas à viagem do ministro e de sua esposa, Eliane Fux.
O assunto ganhou destaque nos últimos dias após a divulgação de informações sobre os contatos mantidos pelo empresário com pessoas próximas a integrantes do Supremo. As mensagens fazem parte do material apreendido no telefone de Vorcaro durante as investigações do caso Master.
De acordo com as conversas divulgadas, um funcionário perguntou a Vorcaro se poderia providenciar as passagens e a hospedagem de Luiz Fux e de sua esposa. A orientação atribuída ao empresário foi para que a operação fosse realizada por intermédio de Antonio Camarotti, CEO e publisher da Forbes Brasil.
A viagem estava relacionada a compromissos organizados pela Forbes em Nova York. Um dos eventos foi um almoço em homenagem ao ministro, realizado com patrocínio da BeFly. Na ocasião, Fux participou de uma palestra sobre segurança jurídica e risco Brasil.
As mensagens também mencionam negociações envolvendo o patrocínio de eventos da revista. Segundo informações divulgadas pela imprensa, o Banco Master aparecia como apoiador de uma festa da Forbes realizada em Nova York no dia seguinte ao almoço.
A Forbes Brasil afirmou que as relações comerciais envolvendo os eventos eram formais e realizadas dentro de suas atividades comerciais. A empresa também declarou que o Master apoiou a Forbes Party e que a BeFly patrocinou o almoço em homenagem ao ministro. Segundo a publicação, não havia conhecimento, naquele momento, dos fatos que posteriormente passaram a ser investigados envolvendo Vorcaro e o banco.
O ministro Luiz Fux apresentou uma versão diferente daquela sugerida pelas mensagens. Por meio de sua assessoria, afirmou que foi convidado diretamente pela Forbes Brasil para participar do evento e que não manteve contato com Daniel Vorcaro sobre a viagem.
Fux também declarou que nunca havia sido convidado por Vorcaro para eventos e que não teve contato com o empresário durante o almoço realizado em Nova York. Segundo a manifestação do ministro, sua participação ocorreu dentro do compromisso organizado pela revista.
A diferença entre os registros encontrados no telefone de Vorcaro e a explicação apresentada pelo ministro passou a fazer parte das discussões relacionadas ao caso Master. As mensagens, por si só, registram conversas entre Vorcaro e pessoas que tratavam da organização das despesas, mas não estabelecem automaticamente que Fux tivesse conhecimento dessas tratativas. A viagem de Fux é apenas um dos episódios que passaram a ser analisados no contexto das relações entre Vorcaro e integrantes ou pessoas próximas ao STF.
Levantamentos publicados em setembro mostram que as investigações reuniram mensagens, documentos e registros envolvendo diferentes ministros, familiares e pessoas de seus círculos profissionais. Entre os nomes mencionados estão Alexandre de Moraes, André Mendonça, Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux. Cada caso, porém, possui circunstâncias e explicações próprias.
No caso de Fux, também aparecem nas investigações conversas entre Vorcaro e Rodrigo Fux, filho do ministro. O advogado afirmou, por meio de sua assessoria, que não recebeu valores de Vorcaro, do Banco Master ou de empresas relacionadas ao grupo. As informações divulgadas até agora ainda estão inseridas em uma investigação mais ampla. Por isso, os registros de mensagens precisam ser analisados junto de outros documentos e das manifestações dos envolvidos.



