Crise no STF provoca reunião de Fachin com ministros

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, marcou uma reunião para esta segunda-feira (28) com os ministros André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli, que também integram o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O encontro ocorre a poucos dias do primeiro turno das eleições de 2026 e em meio ao aumento das divergências entre integrantes do Supremo. Segundo informações da coluna de Andreza Matais, publicada no Metrópoles, a preocupação é evitar que os conflitos internos da Corte tenham reflexos sobre o funcionamento e a condução da Justiça Eleitoral. Atualmente, Kassio ocupa a presidência do TSE, enquanto Mendonça e Toffoli são ministros titulares da Corte eleitoral.
Um dos principais assuntos relacionados à reunião é o novo confronto entre André Mendonça e Flávio Dino. No domingo (27), Dino suspendeu uma decisão tomada por Mendonça na condição de ministro do TSE, que havia determinado a remoção de publicações relacionadas a uma alegação envolvendo Flávio Bolsonaro e Nossa Senhora Aparecida. A decisão de Mendonça permaneceu em vigor por algumas horas antes de ser derrubada por Dino. O episódio passou a integrar a sequência de divergências entre ministros e levantou discussões sobre os limites de atuação do STF e do TSE em assuntos com impacto eleitoral.
De acordo com a coluna do Metrópoles, Mendonça deverá expor durante a conversa o seu descontentamento com a decisão de Dino. Fachin, por sua vez, deverá abordar a preocupação com o agravamento dos conflitos entre os ministros. A situação ganhou atenção adicional porque três dos integrantes envolvidos nas discussões internas do Supremo — Kassio Nunes Marques, André Mendonça e Dias Toffoli — também exercem funções no TSE. A composição torna os acontecimentos no STF potencialmente relevantes para a condução da Justiça Eleitoral durante o período que antecede a votação.
A reportagem também afirma que interlocutores próximos a Fachin o teriam alertado para um possível problema de governança no TSE caso as divergências entre os ministros se aprofundem. Essa avaliação é apresentada pela coluna como uma preocupação de bastidores, e não como uma decisão já tomada pelo Supremo ou pelo Tribunal Superior Eleitoral. O funcionamento do TSE, porém, depende de uma composição definida institucionalmente: além dos três ministros oriundos do STF, a Corte possui integrantes provenientes do Superior Tribunal de Justiça e da advocacia.
Outro ponto citado pela coluna envolve a possibilidade de mudanças na composição do TSE caso a crise interna do Supremo produza algum afastamento. O texto menciona Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Flávio Dino como possíveis nomes dentro da estrutura de substituição. Atualmente, os três ocupam vagas de ministros substitutos destinadas ao STF no TSE, conforme informações oficiais do próprio tribunal. Isso significa que a eventual participação deles dependeria das regras de substituição e de decisões institucionais, não havendo, na matéria, indicação de que um afastamento já tenha ocorrido ou sido formalmente determinado.
A reunião de Fachin acontece, portanto, em um momento de atenção sobre a relação entre o Supremo e o Tribunal Superior Eleitoral. Além do episódio envolvendo Mendonça e Dino, os ministros já enfrentaram outros desentendimentos recentes em decisões relacionadas à Polícia Federal e a processos em tramitação no STF. Fachin já havia adotado medidas para interromper decisões divergentes de Mendonça e Dino em outro caso envolvendo o comando da PF, demonstrando que a presidência da Corte tem atuado diante dos conflitos entre integrantes do tribunal. Agora, com o calendário eleitoral avançando, o encontro com os três ministros do TSE coloca novamente em discussão a necessidade de preservar o funcionamento institucional da Justiça Eleitoral.



