Jornalista da CNN critica estratégia de Lula na eleição e compara postura à campanha de Dilma Rousseff

A reta final da disputa eleitoral de 2026 ganhou mais um capítulo de repercussão nacional após a jornalista Thais Herédia, da CNN Brasil, fazer críticas à estratégia adotada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em comentário divulgado nesta sexta-feira (25), a jornalista avaliou que algumas das decisões recentes do governo estariam diretamente relacionadas à busca por votos e comparou o momento atual à postura adotada por Dilma Rousseff durante sua campanha pela reeleição em 2014. A análise ganhou destaque especialmente pela expressão utilizada por Herédia ao afirmar que Lula estaria disposto a “fazer o diabo” pela eleição, referência a uma declaração feita por Dilma no passado. Trata-se, portanto, de uma avaliação da jornalista sobre a estratégia eleitoral do presidente, e não de uma constatação objetiva sobre as motivações das decisões do governo.
O comentário ocorreu em meio às discussões provocadas pela decisão do governo federal de proibir as plataformas de apostas esportivas, conhecidas popularmente como bets. Segundo Herédia, a medida anunciada em plena campanha presidencial pode ser interpretada dentro de uma estratégia para conquistar apoio eleitoral. A jornalista relacionou a iniciativa a outros movimentos políticos recentes e sustentou que Lula estaria seguindo uma lógica semelhante àquela observada durante a campanha de Dilma Rousseff. A comparação rapidamente chamou atenção porque recupera uma frase que marcou o cenário político de 2014, quando Dilma, então candidata à reeleição, afirmou que durante uma campanha eleitoral era necessário “fazer o diabo” para vencer a disputa. A declaração passou a ser frequentemente relembrada por críticos do PT em diferentes momentos da política nacional.
A proibição das bets, porém, vem sendo apresentada pelo governo sob uma justificativa diferente. Integrantes da administração federal defendem a medida como uma iniciativa destinada a enfrentar problemas relacionados ao crescimento das apostas e seus impactos sobre famílias brasileiras. Fernando Haddad, ex-ministro da Fazenda e atualmente candidato ao governo de São Paulo pelo PT, por exemplo, manifestou apoio à decisão e classificou a iniciativa de Lula como uma medida importante para encerrar o que chamou de um “pacto com o vício”. Essa interpretação contrasta diretamente com a leitura eleitoral apresentada por críticos da decisão. Dessa forma, enquanto opositores relacionam o anúncio ao calendário eleitoral, representantes ligados ao governo argumentam que a iniciativa responde a questões sociais que ganharam dimensão nos últimos anos.
Do outro lado do debate, a proximidade das eleições tornou o momento escolhido pelo governo um dos principais pontos de questionamento. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), classificou a medida provisória relacionada às bets como “oportunismo eleitoral”, atribuindo ao governo uma intenção política na decisão. A avaliação de Tarcísio converge, nesse aspecto, com parte da análise apresentada por Thais Herédia, embora sejam manifestações independentes e provenientes de atores com posições diferentes no debate público. Até o momento, a existência de críticas políticas não comprova por si só qual teria sido a motivação predominante do governo. O episódio demonstra, contudo, como medidas adotadas durante períodos eleitorais tendem a receber escrutínio adicional tanto de adversários quanto de analistas e veículos de comunicação.
A comparação com Dilma Rousseff também adicionou um componente histórico à discussão. A eleição presidencial de 2014 foi marcada por uma disputa apertada e por intenso debate sobre economia, programas governamentais e estratégias eleitorais. Mais de uma década depois, referências àquele período continuam aparecendo no discurso político, principalmente quando são discutidas decisões governamentais tomadas próximas às eleições. No cenário de 2026, porém, as circunstâncias econômicas, políticas e institucionais são diferentes, razão pela qual a comparação feita pela jornalista deve ser entendida como uma interpretação sobre estratégia política, e não como uma equivalência automática entre os dois períodos. A expressão usada por Herédia funciona justamente como referência retórica à declaração histórica de Dilma e passou a ocupar o centro da repercussão do comentário.
Com a campanha avançando, a tendência é que decisões tomadas pelo governo e declarações de candidatos continuem sendo examinadas sob a perspectiva eleitoral. A controvérsia envolvendo as bets exemplifica esse cenário: enquanto integrantes e aliados do governo destacam argumentos sociais para defender a mudança, adversários e comentaristas questionam o momento escolhido para implementá-la. A fala de Thais Herédia acrescenta mais uma interpretação ao debate e chama atenção para a influência que medidas de grande alcance podem exercer sobre a agenda pública durante uma eleição. Para o eleitor, a distinção entre fatos, declarações políticas e análises jornalísticas torna-se especialmente importante neste período. Os próximos desdobramentos dependerão tanto da aplicação das novas regras quanto do debate político em torno delas, que deve permanecer presente na campanha presidencial de 2026.



