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Jornal aponta que Luchsinger organizou estadia de luxo para Marcola

Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola e ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), aparece em mensagens obtidas pela Polícia Federal relacionadas a uma hospedagem de alto valor em Paraty, no litoral do Rio de Janeiro. Segundo reportagem publicada pelo jornal O Globo, a estadia para o réveillon de 2024 custou R$ 32,7 mil e teve o pagamento posteriormente assumido por Leo Slezynger, herdeiro da fabricante de fertilizantes Unigel. Os diálogos fazem parte de material extraído do celular da lobista Roberta Luchsinger e estão inseridos em uma investigação sigilosa no Supremo Tribunal Federal.

As conversas chamaram atenção dos investigadores principalmente pelo contexto em que a hospedagem foi organizada. Naquele período, Roberta Luchsinger mantinha contatos com Marcola e com outras pessoas relacionadas às discussões envolvendo interesses da Unigel junto à Petrobras. As mensagens indicam que a reserva em Paraty foi tratada semanas antes da virada do ano, enquanto também havia conversas sobre assuntos relacionados à empresa de fertilizantes. A Polícia Federal apura possíveis relações entre essas movimentações e suspeitas de tráfico de influência, sem que isso represente, por si só, uma conclusão sobre responsabilidade dos envolvidos.

De acordo com os registros divulgados, Roberta inicialmente pagou R$ 13.650 como entrada da hospedagem. Posteriormente, Leo Slezynger teria transferido cerca de R$ 19 mil para a empresa da lobista, a RL Consultoria e Intermediações, completando o valor atribuído à reserva. Em uma conversa de novembro de 2023, Roberta mencionou a Marcola ao tratar da hospedagem e, em mensagem enviada a Slezynger, destacou a importância que atribuía ao então chefe de gabinete. Os diálogos são agora analisados dentro do contexto mais amplo da investigação.

Outro aspecto mencionado nas mensagens é a preocupação de Roberta com a forma como o pagamento seria realizado. Segundo o material divulgado, ela discutiu alternativas para evitar que a hospedagem ficasse diretamente associada ao cartão de Slezynger. A lobista chegou a conversar sobre pagamento por depósito, boleto ou Pix e também mencionou a possibilidade de utilização de uma agência. Esses registros fazem parte do conjunto de informações que a Polícia Federal analisa para compreender as relações financeiras e pessoais entre os envolvidos.

As conversas também fazem referência a contatos relacionados ao Ministério de Minas e Energia. Segundo os diálogos publicados, Roberta pediu que Marcola tratasse com o ministro Alexandre Silveira de assuntos ligados à Unigel. Marcola respondeu que já tinha uma reunião agendada com o ministro. O Ministério de Minas e Energia, por sua vez, afirmou que Silveira jamais foi abordado por Marcola para solicitar interferência em assuntos sob responsabilidade da pasta e declarou que os contatos mencionados ocorreram em âmbito institucional.

A relação entre as conversas e o contrato firmado entre Petrobras e Unigel também está no centro da apuração. O acordo de industrialização por encomenda, conhecido como tolling, foi assinado em 29 de dezembro de 2023 e envolvia as fábricas de fertilizantes da Petrobras em Sergipe e na Bahia. A própria Petrobras informou posteriormente que as condições necessárias para a eficácia do contrato não foram cumpridas dentro do prazo e que o acordo encerrou sua vigência antes de produzir efeitos.

O Tribunal de Contas da União também analisou o contrato. Segundo informações do TCU, o acordo previa pagamento global de R$ 759,2 milhões ao grupo Unigel e tinha como objetivo a produção de fertilizantes nas unidades de propriedade da Petrobras. O tribunal registrou questionamentos sobre os aspectos econômicos da operação. A Petrobras, entretanto, afirmou posteriormente que o processo seguiu as instâncias internas de aprovação e que sua governança foi respeitada.

A defesa de Marcola apresenta outra versão para os pagamentos relacionados a Roberta Luchsinger. Em manifestações anteriores, o ex-chefe de gabinete afirmou que os valores recebidos da empresária faziam parte de um empréstimo pessoal, de natureza privada, que já teria sido quitado. Ele também declarou que colocou seus sigilos bancário e fiscal à disposição da Justiça para esclarecer as movimentações.

A defesa também nega que Marcola tenha atuado para beneficiar interesses privados enquanto ocupava a chefia de gabinete da Presidência. Segundo a versão apresentada por seus advogados, ele não teria intermediado negociações nem encaminhado documentos relacionados a compras ou licitações públicas em troca de vantagens. A defesa de Roberta Luchsinger, por sua vez, afirmou que se manifestaria nos autos, enquanto outros envolvidos também negaram irregularidades nas apurações.

O episódio da hospedagem em Paraty, portanto, passou a integrar um conjunto maior de informações investigadas pela Polícia Federal. As mensagens reveladas ajudam a reconstruir contatos, pagamentos e conversas mantidas entre os envolvidos durante um período em que também estavam em andamento discussões sobre negócios entre a Unigel e a Petrobras. A existência das mensagens e das transferências está documentada nos materiais divulgados, mas a interpretação jurídica sobre eventual irregularidade ainda depende do avanço das investigações e da análise das autoridades responsáveis.

O caso ganhou repercussão justamente pela combinação entre o valor da hospedagem, a identidade de quem teria assumido o pagamento e o momento em que as conversas ocorreram. Enquanto investigadores analisam se houve alguma relação entre benefícios pessoais e eventuais tratativas de interesse empresarial, as defesas sustentam que as movimentações financeiras tiveram caráter privado. Dessa forma, o conteúdo revelado nas mensagens acrescenta novos elementos ao caso, mas não substitui a conclusão formal das investigações sobre eventual responsabilidade dos envolvidos.

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