Flávio pede investigação de servidor do Planalto em caso envolvendo Nossa Senhora Aparecida

A campanha do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou uma notícia-crime contra George Marques, coordenador-geral de Estratégia e Informação da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República. O pedido foi encaminhado ao Ministério Público Eleitoral e envolve publicações feitas nas redes sociais durante a repercussão de informações relacionadas a Nossa Senhora Aparecida.
Entre as medidas solicitadas pela defesa estão a prisão preventiva do servidor e a realização de busca e apreensão de equipamentos eletrônicos. A representação também pede que outros possíveis envolvidos sejam investigados. As informações foram divulgadas neste sábado, 26 de setembro de 2026.
O episódio ganhou espaço nas redes sociais durante a semana, depois que começou a circular uma informação de que Flávio Bolsonaro teria a intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil caso chegasse à Presidência. A informação, porém, foi negada pelo candidato. Em uma publicação feita na quinta-feira (24), Flávio afirmou que não existe proposta com esse objetivo e classificou a informação como falsa.
A origem da discussão está relacionada a uma declaração feita pelo senador em agosto. Na ocasião, ao explicar sua ausência em um debate presidencial, ele afirmou que, se fosse eleito, um de seus primeiros atos seria declarar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo. Trechos dessa fala passaram a circular novamente nas redes sociais e foram associados ao assunto envolvendo a padroeira do Brasil.
Outro ponto importante é que o projeto citado nas publicações não é recente. Segundo levantamento publicado pelo UOL, trata-se do Projeto de Lei 2.623/2007, apresentado pelo então deputado federal Professor Victório Galli. A proposta pretendia alterar a forma como o título relacionado a Nossa Senhora Aparecida aparecia na legislação sobre o feriado de 12 de outubro. O texto acabou arquivado em agosto de 2008.
No meio da repercussão, George Marques teria republicado no X uma mensagem relacionada ao assunto. De acordo com a representação apresentada pela campanha de Flávio, a publicação orientava os usuários a continuar compartilhando a informação mesmo depois de uma retratação. O conteúdo acabou sendo apagado posteriormente. Segundo informações divulgadas pelo Poder360, a defesa de Marques afirmou que a republicação ocorreu por engano e que ele não concordava com o conteúdo.
A campanha de Flávio entende que a situação merece investigação e sustenta que a publicação teria contribuído para manter a informação em circulação. Por isso, além do pedido relacionado à prisão preventiva, os advogados solicitaram a apreensão de celular, computador e outros dispositivos que possam ajudar a esclarecer o episódio. Como alternativa à prisão, a defesa também pediu medidas como o afastamento do servidor de sua função e restrições relacionadas ao uso das redes sociais sobre o assunto.
O caso também provocou uma manifestação do Palácio do Planalto. Segundo informações publicadas pelo UOL, o governo afirmou que Flávio Bolsonaro estaria distorcendo os fatos e destacou que a manifestação atribuída ao servidor teria ocorrido em caráter pessoal. A posição apresentada pelo governo coloca o episódio dentro de uma discussão maior sobre o comportamento de agentes públicos nas redes sociais, especialmente durante um período eleitoral.
A Justiça Eleitoral também entrou no debate. Na sexta-feira (25), o ministro André Mendonça determinou a remoção de publicações que apresentassem como verdadeira a informação sobre uma suposta retirada do título de Padroeira do Brasil. A decisão também determinou medidas para evitar a continuidade da circulação desse conteúdo.



