Felipe Neto admite arrependimento por divulgar bets e declara apoio à proibição das plataformas

Felipe Neto voltou ao centro das discussões nas redes sociais neste sábado (26) ao fazer uma autocrítica sobre sua antiga participação em campanhas publicitárias de plataformas de apostas online. O influenciador afirmou que promover esse tipo de serviço foi uma das decisões das quais mais se arrepende e reconheceu que interesses financeiros influenciaram sua escolha naquele momento. A manifestação aconteceu após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinar, na sexta-feira (25), uma medida provisória que proíbe a oferta, a intermediação e a publicidade das chamadas apostas de quota fixa no Brasil. A norma entrou em vigor com sua publicação, embora ainda precise passar pelo Congresso Nacional para continuar válida posteriormente.
Em uma publicação feita no X, antigo Twitter, Felipe Neto utilizou palavras fortes contra a própria decisão de ter associado sua imagem ao setor. “Ninguém mandou ser burro e ganancioso”, escreveu o influenciador ao comentar o episódio. Ele também afirmou que não permaneceu com o dinheiro obtido com a publicidade, mas que, apesar disso, acabou ficando publicamente associado aos ganhos provenientes da parceria. A declaração não representa a primeira ocasião em que Felipe Neto manifesta arrependimento pelo assunto. Em outubro de 2024, durante participação na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), ele já havia classificado a divulgação de uma casa de apostas como o maior erro de sua vida e declarado que destinaria os recursos recebidos a projetos sociais e doações.
O posicionamento atual ganhou ainda mais repercussão porque veio acompanhado de uma defesa explícita das novas restrições adotadas pelo governo federal. Felipe declarou estar integralmente favorável à proibição e levantou uma questão que, em sua avaliação, precisará ser enfrentada pelas autoridades: a possibilidade de influenciadores deixarem o Brasil e continuarem divulgando plataformas ilegais para o público brasileiro. Ele defendeu que a legislação disponha de mecanismos capazes de impedir essa prática, inclusive com medidas relacionadas às contas utilizadas nas redes sociais. A sugestão feita pelo influenciador integra um debate mais amplo sobre a responsabilidade de criadores de conteúdo na publicidade de serviços financeiros e de apostas, principalmente diante da capacidade que grandes perfis possuem de alcançar milhões de pessoas.
A discussão ganhou uma nova dimensão com a medida provisória assinada pelo presidente Lula em São Paulo. De acordo com informações divulgadas oficialmente pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, os atos anunciados pelo governo proíbem a oferta, a intermediação e a publicidade das apostas de quota fixa em território nacional. A regulamentação estabelece ainda um período de transição para determinadas providências. Conforme o texto divulgado, novos aportes ficam proibidos desde a publicação da medida, enquanto usuários terão prazo para retirar valores disponíveis nas plataformas. Sites e aplicativos também deverão seguir o cronograma determinado pela nova regulamentação. Por se tratar de uma medida provisória, o texto produz efeitos imediatamente, mas precisa ser analisado pelo Congresso dentro do prazo constitucional para ser convertido definitivamente em lei.
A relação entre influenciadores e empresas do setor já vinha sendo discutida no país antes da nova decisão governamental. Felipe Neto divulgou a plataforma Blaze durante aproximadamente dez meses em 2023 e, posteriormente, passou a reconhecer publicamente que considerava aquela parceria um erro. O tema das apostas também ganhou espaço significativo no debate público brasileiro nos últimos anos, envolvendo questões como publicidade, patrocínios esportivos, endividamento e proteção dos consumidores. Um levantamento do Instituto DX, citado pela Folha de S.Paulo, identificou 654,8 mil publicações e aproximadamente 9,3 milhões de interações sobre as restrições às bets entre os dias 14 e 21 de setembro de 2026, demonstrando a dimensão alcançada pelo assunto nas principais plataformas digitais.
A manifestação de Felipe Neto acrescenta agora um elemento relevante a essa discussão: o papel de personalidades digitais que anteriormente ajudaram a divulgar as plataformas e que posteriormente mudaram de posição. Sua declaração não encerra o debate sobre a responsabilidade de influenciadores, empresas ou autoridades, mas evidencia como o tema passou por uma transformação significativa no ambiente digital e institucional brasileiro. Enquanto o governo defende a proibição como uma medida de proteção às famílias e consumidores, outros setores atingidos pelas mudanças discutem seus impactos econômicos e comerciais. A tramitação da medida provisória no Congresso será decisiva para determinar quais regras permanecerão em vigor. Paralelamente, a autocrítica feita por um dos maiores influenciadores brasileiros deverá manter em evidência uma discussão que vai além das apostas: até onde deve ir a responsabilidade de quem utiliza sua audiência para promover produtos e serviços a milhões de seguidores?



