Viana e Vieira ampliam pressão sobre Alcolumbre por CPI do Banco Master

Uma campanha para retirar Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) da presidência do Senado ganhou novos defensores públicos nesta sexta-feira, 25 de setembro. O movimento é impulsionado por questionamentos sobre a condução de pedidos de investigação relacionados ao Banco Master e pela repercussão de mensagens atribuídas a conversas entre o parlamentar e Daniel Vorcaro. Carlos Viana (PSD-MG) e Alessandro Vieira (MDB-SE) estão entre os senadores que elevaram o tom das cobranças. A pressão política, porém, não equivale a uma decisão formal da Casa: até agora, as manifestações divulgadas mostram posições de parlamentares, sem comprovar uma maioria favorável à troca de comando. A distinção é decisiva para entender o que pode acontecer a seguir.
Viana associou sua crítica à demora na instalação de comissões destinadas a examinar o caso Master. Em publicação reproduzida pela reportagem que originou o debate, o senador questionou a relação entre Alcolumbre e Vorcaro e apresentou as mensagens divulgadas como motivo para exigir explicações. São afirmações políticas que precisam ser examinadas à luz dos registros completos e do direito de resposta dos envolvidos; a existência de contato, por si só, não demonstra irregularidade. A cobrança de Viana tem também uma frente institucional: uma petição de sua autoria, protocolada em 4 de setembro no Conselho de Ética, pede a abertura de procedimento disciplinar contra Alcolumbre. No sistema do Senado, a petição permanece em tramitação, aguardando a designação de membros da comissão.
Vieira, por sua vez, afirmou que pretende impedir uma eventual recondução de Alcolumbre à presidência do Senado na próxima legislatura. Sua crítica se concentra na falta de avanço de uma CPI específica sobre o Banco Master. O pedido para instalar a comissão reuniu 53 assinaturas, segundo a Rádio Senado, e parlamentares recorreram ao Supremo Tribunal Federal para solicitar a leitura do requerimento em plenário. Assinaturas suficientes para apresentar uma CPI não significam que ela já esteja funcionando: há etapas formais, além de controvérsias sobre sua condução, que continuam no centro da disputa. Ao levar o assunto para a composição futura da Mesa, Vieira sinaliza que a reação ultrapassou as declarações do momento.
Do outro lado da controvérsia, Alcolumbre já havia defendido publicamente sua interpretação das regras. Em maio, ao responder a cobranças pela leitura de um pedido de comissão parlamentar mista sobre o Master, afirmou que a decisão caberia ao presidente do Congresso, com amparo regimental. Essa posição é contestada por colegas que defendem a instalação das comissões depois de cumpridos os requisitos constitucionais. O debate envolve, portanto, tanto a apuração dos fatos associados ao banco quanto o alcance dos poderes da presidência para organizar a pauta. Para o leitor, é importante separar esses dois planos: cobrar uma CPI é uma medida de fiscalização; atribuir a alguém participação em irregularidades exige elementos próprios e apuração independente.
O calendário eleitoral acrescenta outra camada à disputa. Em 4 de outubro, os eleitores escolherão 54 das 81 cadeiras do Senado, duas por unidade da Federação, conforme levantamento da Agência Senado. Alcolumbre não disputa uma dessas vagas neste ano: seu mandato parlamentar vai até 2031. Por isso, a palavra “saída”, usada na campanha, refere-se à presidência da Casa e não à perda automática de sua cadeira. Uma nova composição do plenário poderá alterar as alianças que definem a Mesa, mas o resultado das urnas não determina, sozinho, quem comandará o Senado. Os partidos ainda precisarão construir acordos após a eleição. A escolha dependerá das negociações entre bancadas e da votação dos senadores, em um ambiente que tende a ser influenciado pelas investigações e pela resposta oferecida às cobranças atuais.
A pergunta que fica para as próximas semanas é se a mobilização se converterá em atos verificáveis: andamento dos pedidos de CPI, resposta institucional às representações e definição transparente das pautas do Senado. Também será necessário esclarecer a origem, a integridade e o contexto das mensagens divulgadas antes de tirar conclusões sobre seu significado. Viana e Vieira têm direito de apresentar suas críticas; Alcolumbre, de responder a elas; e a sociedade, de acompanhar documentos e decisões, em vez de depender apenas de slogans. Até que haja novas deliberações, o cenário é de pressão política crescente, não de afastamento consumado. O desfecho dependerá de procedimentos formais e da correlação de forças que emergir das eleições.



