O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aumentou o tom das críticas ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante entrevista à Rádio Itatiaia nesta quinta-feira (17). Lula afirmou que estaria “provado” que Mendonça utilizou a função de relator em procedimentos relacionados ao Banco Master para fazer política e promover o que classificou como denúncias seletivas. A declaração foi feita em meio à crise envolvendo diferentes ministros do Supremo e informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e controlador do Banco Master. As acusações apresentadas por Lula correspondem à avaliação política do presidente e não representam, por si só, uma conclusão judicial sobre a conduta de Mendonça.
Na entrevista, Lula também criticou a forma como informações relacionadas ao conteúdo obtido nas investigações foram divulgadas. Segundo o presidente, Mendonça teria concentrado o acesso ao material e tornado públicas apenas informações que seriam de seu interesse. Lula afirmou que o conteúdo passou a estar disponível para outros ministros do STF, citando Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin, e defendeu que os elementos da investigação sejam conhecidos de forma mais ampla. A discussão sobre o sigilo e a divulgação dos dados ocorre enquanto o Supremo analisa como devem ser conduzidos os procedimentos relacionados ao caso Master.
Ao comentar a situação de Alexandre de Moraes, Lula adotou uma posição diferente. O presidente defendeu a atuação do ministro em processos relacionados à tentativa de ruptura institucional após as eleições de 2022, mas afirmou que eventuais irregularidades envolvendo Moraes também devem ser apuradas. Lula declarou que, caso o ministro tenha cometido algum erro relacionado ao contrato citado no caso Master, caberia ao próprio Supremo analisar a situação e, se constatada uma irregularidade, aplicar as consequências previstas. Dessa forma, o presidente afirmou defender que o mesmo critério seja aplicado a todos os envolvidos, sem distinção.
Lula também defendeu que eventuais procedimentos envolvendo diferentes autoridades sejam analisados de maneira conjunta e mencionou, além de Mendonça e Moraes, os ministros Luiz Fux e Kassio Nunes Marques. Para o presidente, a análise simultânea permitiria verificar o conteúdo das informações obtidas nas investigações e evitar que determinados casos fossem julgados antes das eleições enquanto outros permanecessem pendentes. A discussão ocorre em um momento no qual o STF ainda debate questões processuais relacionadas aos procedimentos do Banco Master. Flávio Dino, por exemplo, pediu vista durante uma sessão recente, interrompendo a análise de uma questão relacionada à forma de julgamento dos processos.
Durante a entrevista, Lula também fez novas acusações contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), seu principal adversário na disputa presidencial. O presidente afirmou que o senador estaria envolvido em irregularidades relacionadas ao Banco Master. Essa afirmação foi apresentada por Lula como uma acusação política, enquanto as apurações sobre eventuais responsabilidades permanecem em andamento. Informações divulgadas sobre o caso indicam que Flávio Bolsonaro aparece entre as pessoas mencionadas nas investigações, mas alegações de envolvimento em crimes precisam ser diferenciadas de uma eventual conclusão judicial. O próprio senador nega irregularidades relacionadas ao caso.
A entrevista ocorreu em meio a uma crise institucional envolvendo o STF, o Banco Master e diferentes autoridades citadas nas investigações. O conteúdo extraído do celular de Daniel Vorcaro passou a ter papel central nas discussões, com mensagens e registros sendo analisados por ministros e investigadores. Lula defendeu a divulgação das informações e afirmou que a sociedade deve ter acesso aos elementos necessários para compreender o caso. Ao mesmo tempo, o Supremo ainda precisa definir os próximos passos dos procedimentos e avaliar as questões apresentadas nos pedidos de investigação. Assim, as acusações feitas pelo presidente contra Mendonça e outros envolvidos permanecem inseridas em um cenário de apurações e disputas institucionais que ainda não chegaram a uma conclusão definitiva.







