O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a comentar nesta sexta-feira (18) a crise envolvendo o Banco Master e as relações atribuídas ao empresário Daniel Vorcaro com integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF). Em entrevista à Rádio Tupi, o presidente afirmou que “cinco ministros” estariam ligados direta ou indiretamente ao caso e defendeu que as informações sejam esclarecidas antes de uma eventual discussão mais ampla sobre uma reforma do Judiciário. As declarações ocorrem em meio à repercussão de mensagens e documentos que passaram a circular nas últimas semanas.
Durante a entrevista, Lula mencionou nominalmente os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Ao falar sobre Moraes, o presidente fez uma distinção entre a atuação do magistrado em processos eleitorais e as questões relacionadas ao Banco Master. Lula afirmou que considera importante o papel desempenhado por Moraes nas eleições e na defesa das instituições democráticas, mas declarou que não estaria defendendo contratos ou relações comerciais atribuídas ao ministro com o banco. “Ninguém está defendendo o contrato que o Alexandre Moraes fez com o Banco Master”, disse.
A fala ocorre em um momento de intensa discussão no STF sobre as informações envolvendo Vorcaro. Na semana passada, uma sessão que analisava a possibilidade de abertura de investigação relacionada a Alexandre de Moraes foi interrompida após pedido de vista do ministro Flávio Dino. Segundo informações divulgadas pela imprensa, o caso envolve mensagens encontradas no celular de Vorcaro e outros elementos reunidos durante as investigações. A existência dessas informações, porém, não significa, por si só, que tenha sido comprovada alguma irregularidade por parte dos ministros citados.
Lula também fez referência ao ministro Kassio Nunes Marques ao comentar uma reportagem sobre mensagens atribuídas ao aparelho de Vorcaro. O presidente mencionou uma suposta contratação de uma mulher para um encontro e afirmou que teria havido uma cobrança de R$ 10 mil relacionada ao episódio. O tema já havia sido divulgado pela imprensa a partir de mensagens extraídas do celular do ex-controlador do Banco Master. Nunes Marques, por sua vez, declarou que nunca trocou mensagens com Vorcaro, afirmou que seu filho nunca prestou serviços diretamente ao banco e disse que não recebeu remuneração da instituição.
Outro ponto levantado por Lula foi a atuação do ministro André Mendonça, relator do caso no STF. O presidente afirmou que Mendonça teria mantido informações sob sua responsabilidade e que parte desse material já estaria disponível para outros ministros e para veículos de imprensa. Trata-se, entretanto, de uma afirmação feita pelo próprio presidente durante a entrevista e que deve ser diferenciada de fatos oficialmente comprovados. O debate sobre quais informações estão disponíveis aos ministros ocorre paralelamente às discussões sobre a forma como o STF deverá analisar os diferentes episódios relacionados ao caso Master.
Ao abordar o empresário Daniel Vorcaro, Lula também fez críticas à forma como o Banco Master surgiu e relacionou a trajetória da instituição ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo o presidente, o banco recebeu autorização para funcionar durante a gestão de Bolsonaro e, posteriormente, Vorcaro passou a ser alvo das investigações conduzidas durante o atual governo. Dados publicados pelo UOL confirmam que o Banco Master recebeu autorização do Banco Central em outubro de 2019, durante o governo Bolsonaro. Vorcaro está preso desde março de 2026 no contexto das investigações sobre o caso.
A crise também ganhou dimensão política porque ocorre durante um ano eleitoral e envolve integrantes de uma das principais instituições do país. Na avaliação de Lula, o episódio pode ter reflexos no processo eleitoral e precisa ser esclarecido para que a sociedade tenha acesso às informações disponíveis. Na entrevista, ele afirmou que o assunto “contamina tudo” e defendeu que eventuais relações de diferentes autoridades sejam analisadas dentro de critérios semelhantes, sem tratamento distinto entre os envolvidos. Essa posição já havia sido apresentada pelo presidente no dia anterior, quando defendeu que as situações envolvendo ministros fossem examinadas conjuntamente.
As investigações e os debates em torno do Banco Master ainda estão em andamento, e diferentes informações divulgadas nas últimas semanas permanecem sob análise. No caso de ministros do STF, menções em mensagens, contratos ou relações pessoais não equivalem automaticamente a acusações formais ou comprovação de irregularidades. Reportagem do UOL, por exemplo, mostrou que nomes de Luiz Fux e Kassio Nunes Marques apareceram em versões anteriores de uma proposta de colaboração de Vorcaro, mas foram retirados da versão final; a publicação também informou que não houve, nesses relatos, alegação de crime ou favorecimento direto pelos ministros.
Com a repercussão crescente do caso, a expectativa agora está voltada para os próximos passos das investigações e para as decisões que deverão ser tomadas pelo STF. Para Lula, o episódio demonstra a necessidade de esclarecer primeiro as relações e informações relacionadas ao Banco Master antes de avançar para uma discussão sobre mudanças estruturais no Judiciário. Enquanto isso, ministros citados em diferentes reportagens e documentos seguem sendo associados ao caso em contextos distintos, com respostas e esclarecimentos próprios, e a apuração continua sem que todas as questões levantadas publicamente tenham uma conclusão definitiva.







