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Cálculo de ex-marqueteiro de Flávio aponta possível mudança no cenário eleitoral

A corrida eleitoral de 2026 ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira (18), depois que o publicitário Eduardo Fischer, ex-marqueteiro da campanha de Flávio Bolsonaro, apresentou uma conta que, segundo sua própria análise, pode alterar o cenário da disputa presidencial. A avaliação foi feita durante entrevista ao programa VEJA em Foco e considera principalmente o comportamento dos eleitores no segundo turno.

A ideia apresentada por Fischer parte de um cenário divulgado pelo Datafolha. Na simulação discutida pelo publicitário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece à frente de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, enquanto a diferença entre os dois diminui quando a pesquisa considera uma eventual segunda etapa da eleição.

O ponto central da conta está nos votos destinados aos demais candidatos. Fischer considera que os nomes de centro-direita e direita que não chegarem ao segundo turno poderiam perder parte de seus eleitores durante a reta final da campanha.

Entre os candidatos citados na análise estão os governadores Ronaldo Caiado e Romeu Zema. O raciocínio apresentado pelo publicitário é que uma parcela dos eleitores desses nomes poderia mudar de opção caso percebesse que seus candidatos não teriam espaço suficiente para avançar na disputa.

Durante a entrevista, Fischer trabalhou com a hipótese de que os demais candidatos poderiam reunir aproximadamente 15% das intenções de voto. A partir desse número, ele estimou que cerca de 70% desse grupo poderia migrar para Flávio.

Na conta apresentada, isso representaria aproximadamente 10 pontos percentuais adicionais para o senador. O publicitário também considerou uma parcela menor destinada a Lula.

É importante destacar que essa matemática representa uma projeção feita pelo próprio Fischer, e não uma previsão oficial do resultado das eleições. O publicitário inclusive classificou a análise como uma espécie de exercício de futurologia durante a entrevista.

Esse detalhe faz diferença porque o comportamento do eleitor pode mudar bastante até o dia da votação. Pesquisas registram um determinado momento da campanha, enquanto decisões de voto podem sofrer alterações conforme debates, programas eleitorais, alianças e acontecimentos políticos.

Fischer também chamou atenção para o calendário. Com a aproximação do primeiro turno, o espaço para mudanças diminui, mas a movimentação dos eleitores pode se tornar mais intensa.

Na avaliação apresentada pelo publicitário, uma das questões relevantes será justamente a percepção de quais candidaturas têm condições concretas de avançar para a segunda etapa. Esse comportamento é conhecido no ambiente eleitoral como voto estratégico, quando o eleitor considera não apenas sua primeira preferência, mas também as possibilidades dos demais concorrentes.

A disputa de 2026 tem ainda outro elemento importante: a presença de diferentes nomes ligados à direita e ao centro-direita. Dependendo da evolução das pesquisas, alianças e campanhas, a distribuição desses votos pode mudar. A trajetória recente da campanha de Flávio Bolsonaro também ajuda a explicar por que a migração de votos entrou no centro da discussão.

Alexandre Oltramari, que anteriormente trabalhou como marqueteiro do senador, afirmou em entrevista à Folha que sua equipe buscava ampliar o eleitorado de Flávio para além da parcela tradicionalmente ligada ao bolsonarismo. Ele deixou a campanha no fim de julho e foi substituído por Duda Lima.

Segundo Oltramari, a estratégia de comunicação procurava apresentar Flávio como um candidato capaz de alcançar diferentes segmentos da direita. A declaração mostra que a ampliação do eleitorado já fazia parte das discussões internas da campanha antes da análise divulgada agora.

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