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Bastidores do caso: Frase forte de Vorcaro sobre homem que filmou sua filha vem à tona

Novos documentos analisados pela Polícia Federal e tornados públicos no âmbito das investigações do caso Banco Master revelaram detalhes de conversas entre o ex-controlador da instituição Daniel Vorcaro e Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”. O material, extraído de aparelhos e arquivos apreendidos durante as apurações, mostra uma reação de Vorcaro após ele tomar conhecimento de uma suposta gravação envolvendo sua filha durante uma viagem à França. As mensagens chamaram a atenção dos investigadores pelo tom utilizado pelo empresário e pelas orientações dadas ao interlocutor.

Segundo reportagem da revista Veja, o episódio ocorreu em 25 de julho de 2025, durante uma passagem de Vorcaro por Saint-Tropez, na Riviera Francesa. Nas mensagens, o empresário afirmou que alguém teria feito imagens dele acompanhado da filha, identificada como Stella, e que o conteúdo estaria circulando pela internet. A partir desse momento, a conversa passou a tratar da tentativa de descobrir quem estaria por trás da gravação e quais pessoas estavam próximas ao local onde o episódio teria acontecido.

O conteúdo divulgado pela investigação mostra que Vorcaro enviou a Mourão um número de telefone com prefixo do Reino Unido. De acordo com as mensagens, o empresário acreditava que o responsável pela gravação poderia estar entre as pessoas que ocupavam uma mesa próxima à dele em um estabelecimento de Saint-Tropez. A orientação era descobrir a identidade do indivíduo e esclarecer se ele teria alguma relação com a suposta filmagem.

Na sequência, ainda segundo os documentos, Mourão recebeu a orientação para procurar o clube de praia Casa Amor, apontado como o local onde o episódio teria ocorrido. A intenção seria obter informações sobre as pessoas que estavam na mesa relacionada ao número de telefone. Para isso, o integrante do grupo teria sido orientado a se apresentar como agente da Polícia Federal brasileira. A informação aparece no conjunto de mensagens que agora faz parte do material analisado pelas autoridades.

A reportagem também relata que, pouco mais de uma hora depois, Mourão encaminhou a Vorcaro capturas de tela de uma conversa mantida por Marilson Roseno Silva, policial federal aposentado e apontado pela investigação como integrante do mesmo grupo, com o homem associado ao número britânico. O estrangeiro negou ter realizado a gravação e afirmou não saber quem havia produzido o vídeo. Ele também forneceu informações sobre as pessoas que estavam com ele no estabelecimento naquele momento.

Nas mensagens reproduzidas no material, o homem abordado afirmou ainda que já havia encontrado Vorcaro anteriormente, mas disse não ter proximidade com o empresário. Ele também negou qualquer relação entre seus acompanhantes e a suposta gravação. Depois de receber as respostas, Mourão teria perguntado a Vorcaro quais seriam os próximos passos. Segundo a Veja, os documentos disponibilizados não esclarecem se houve uma orientação posterior nem se alguma outra medida foi tomada em relação ao episódio.

O caso chama atenção porque Mourão aparece em outros trechos das investigações como uma figura ligada à chamada “A Turma”, grupo que, segundo a Polícia Federal, teria atuado na coleta de informações sobre pessoas consideradas de interesse para Vorcaro. Documentos divulgados no caso Master apontam ainda para consultas indevidas a sistemas e obtenção de informações restritas. A Agência Brasil informou que relatórios da PF identificaram acessos não autorizados a sistemas do Ministério Público Federal associados a integrantes desse grupo.

As novas mensagens fazem parte de um acervo muito maior obtido pela Polícia Federal durante as investigações. O conjunto reúne conversas, documentos e outros registros que estão sendo utilizados para reconstruir as relações mantidas por Vorcaro e pessoas de seu círculo. Entre os materiais divulgados recentemente também aparecem informações sobre contatos com autoridades, acesso a dados de órgãos públicos e outras situações que passaram a ser analisadas dentro do caso Banco Master.

Um ponto importante é que a existência das conversas não significa, automaticamente, que todas as suspeitas ou alegações apresentadas nos diálogos tenham sido confirmadas pela investigação. No episódio envolvendo a suposta gravação em Saint-Tropez, por exemplo, o próprio material divulgado não esclarece quem produziu o vídeo. O homem abordado nas mensagens negou participação, e não há, no trecho disponibilizado, uma conclusão definitiva sobre a autoria da gravação.

Outro elemento que passou a integrar a repercussão do caso é a morte de Mourão. Segundo a reportagem da Veja, ele morreu em 6 de março de 2026, dias depois de ser encontrado desacordado em uma cela da Superintendência Regional da Polícia Federal em Minas Gerais. A corporação informou, na ocasião, que ele havia atentado contra a própria vida. As informações encontradas em seus dispositivos passaram, posteriormente, a fazer parte do conjunto de elementos examinados pelos investigadores.

A divulgação das mensagens amplia a dimensão do caso Banco Master e coloca sob os holofotes mais um episódio relacionado ao círculo de Daniel Vorcaro. O conteúdo mostra como uma questão inicialmente pessoal, envolvendo uma suposta gravação durante uma viagem internacional, acabou aparecendo nos arquivos investigados pela Polícia Federal. Ao mesmo tempo, os documentos precisam ser analisados em conjunto com as demais provas reunidas no inquérito.

Com o avanço da apuração e a retirada do sigilo de diferentes procedimentos, novos detalhes sobre as relações e os métodos atribuídos ao grupo ligado ao ex-banqueiro continuam vindo a público. As informações divulgadas ainda poderão ser confrontadas com outros elementos reunidos pela Polícia Federal e submetidas à análise das autoridades responsáveis pelo caso. Até que existam conclusões definitivas, eventuais responsabilidades devem ser tratadas dentro dos limites estabelecidos pelas investigações e pelo devido processo legal.

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