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Toffoli diz que foi a Londres a convite de Moraes e caso Master ganha novo capítulo

A participação de integrantes do Supremo Tribunal Federal em um evento realizado em Londres voltou ao centro das atenções após Dias Toffoli apresentar esclarecimentos sobre sua presença no encontro patrocinado pelo Banco Master. Em nota enviada à revista piauí, o gabinete do ministro afirmou que sua participação ocorreu a convite de Alexandre de Moraes, colega de Corte. Toffoli também negou ter mantido amizade íntima com Daniel Vorcaro, ex-controlador da instituição financeira, e declarou não ter recebido valores dele ou de integrantes de sua família. O posicionamento surge no momento em que novos trechos de um relatório da Polícia Federal vêm sendo divulgados, reunindo mensagens, registros de encontros e informações sobre contatos mantidos por Vorcaro com diferentes autoridades. A manifestação acrescenta um novo elemento às apurações e amplia a atenção sobre as circunstâncias em que integrantes do Judiciário participaram de encontros promovidos ou patrocinados pelo grupo empresarial. 

O encontro mencionado por Toffoli ocorreu em Londres, em abril de 2024, durante o chamado 1º Fórum Jurídico Brasil de Ideias. A programação reuniu ministros de tribunais superiores, integrantes do Ministério Público, autoridades do governo e representantes de diferentes setores do sistema de Justiça. Reportagens publicadas anteriormente apontaram que o evento teve patrocínio do Banco Master e aconteceu em um hotel de alto padrão da capital britânica. Entre os presentes estavam Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e outras autoridades brasileiras. A nova explicação apresentada pelo gabinete de Toffoli procura delimitar as razões de sua presença: de acordo com o ministro, ele participou porque recebeu o convite de Moraes. Essa informação ganha importância diante do avanço das apurações relacionadas aos contatos de Daniel Vorcaro e às despesas de eventos realizados no exterior. 

Informações produzidas pela Polícia Federal e posteriormente divulgadas pela imprensa indicam que Alexandre de Moraes teria participado de diferentes aspectos relacionados à organização do encontro. Segundo reportagem baseada nas mensagens analisadas pelos investigadores, o ministro teria sugerido convidados e participado de discussões sobre a programação. Outros registros atribuídos a Vorcaro também mencionam pedidos relacionados à forma como determinadas reuniões ocorridas durante a viagem deveriam ser apresentadas publicamente. Esses elementos ajudam a contextualizar a declaração de Toffoli sobre a origem do convite, mas, isoladamente, não comprovam a existência de irregularidade por parte de qualquer participante. O que pode ser confirmado é que reportagens baseadas no material da PF apontam participação de Moraes em decisões relacionadas ao evento e registram a presença de Toffoli na programação. A eventual relevância jurídica dessas informações dependerá da avaliação formal dos órgãos responsáveis pelas apurações. 

Toffoli também procurou responder a outras informações surgidas a partir do relatório policial. Seu gabinete afirmou que o ministro jamais teve recursos direta ou indiretamente mantidos no exterior e negou a realização de operações nas Ilhas Virgens Britânicas. A assessoria também declarou que ele nunca recebeu valores de Daniel Vorcaro ou de pessoas de sua família. O relatório da PF, segundo informações publicadas nesta sexta-feira, aponta para a necessidade de aprofundar a análise de operações envolvendo o fundo Arleen e a Maridt, empresa ligada à família de Toffoli. O documento ainda teria identificado registros de encontros e contatos entre o ministro e Vorcaro em diferentes ocasiões. Essas referências representam elementos sob investigação e não uma conclusão definitiva sobre responsabilidade. O gabinete de Toffoli sustenta que não houve relação de amizade íntima entre os dois e contesta qualquer associação financeira irregular. 

A repercussão ocorre em um momento de forte exposição do caso Banco Master, que já alcançou diferentes integrantes do sistema de Justiça e provocou questionamentos sobre procedimentos internos no Supremo. Relatórios policiais também fizeram referências a Alexandre de Moraes, ao procurador-geral da República Paulo Gonet e a outras autoridades, enquanto a validade e os limites de determinadas diligências passaram a ser discutidos dentro da própria Corte. Paralelamente, a CPI do Crime Organizado no Senado aprovou convites para que Moraes e Toffoli prestem esclarecimentos relacionados às apurações do caso Master. O comparecimento dos ministros, por se tratar de convite, não é obrigatório. Nesse cenário, a declaração de Toffoli ganha relevância política e institucional porque apresenta sua versão para um episódio específico e direciona a atenção para o papel de Moraes no convite e na organização daquele encontro em Londres. 

A partir de agora, o principal ponto será confrontar as versões apresentadas pelas autoridades com mensagens, documentos, registros de viagens e demais elementos reunidos durante as investigações. A declaração de Toffoli não encerra os questionamentos existentes, mas esclarece sua posição sobre um dos acontecimentos que ganharam maior repercussão: sua presença no evento londrino. Ao afirmar que compareceu por convite de Alexandre de Moraes, negar recebimento de valores e rejeitar a existência de amizade íntima com Vorcaro, o ministro estabelece publicamente sua versão dos fatos. Até que os procedimentos sejam concluídos, não é possível afirmar como fato que Toffoli, Moraes ou outras autoridades citadas tenham cometido irregularidades relacionadas ao evento. O que está confirmado é que o material produzido pela Polícia Federal continua provocando novos esclarecimentos e mantendo sob atenção pública as relações entre Daniel Vorcaro, o Banco Master e integrantes de diferentes instituições brasileiras. 

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