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Bastidores do STF: Toffoli revela que foi a evento de Vorcaro após convite de Moraes

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que sua participação em um evento realizado em Londres, em abril de 2024, ocorreu a convite do colega Alexandre de Moraes. A declaração foi dada em resposta à revista Piauí e colocou novamente a participação de integrantes da cúpula do Judiciário em eventos patrocinados por Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master, no centro das atenções. O encontro londrino reuniu autoridades brasileiras em uma programação que incluiu uma degustação de uísque Macallan e atividades em clubes privados da capital britânica.

Segundo a declaração atribuída ao gabinete de Toffoli, o ministro também negou ter mantido relação de amizade com Vorcaro e rejeitou a existência de pagamentos recebidos diretamente do empresário ou de seu cunhado, Fabiano Zettel. A manifestação ocorreu no momento em que novas informações de um relatório da Polícia Federal passaram a circular publicamente. O documento, produzido a partir de elementos recolhidos na investigação do caso Banco Master, reúne informações sobre encontros, movimentações financeiras e possíveis vínculos entre Vorcaro e diferentes autoridades.

A viagem a Londres ocorreu durante um fórum jurídico realizado em abril de 2024 e que teve patrocínio do Banco Master. Em 25 de abril daquele ano, uma degustação de uísque Macallan foi realizada no George Club, em Mayfair. Documentos citados em reportagens apontam que o custo da experiência teria chegado a US$ 640,8 mil. Entre os participantes estavam Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, o então ministro da Justiça Ricardo Lewandowski, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

A programação também incluiu um jantar no exclusivo Annabel’s, clube privado conhecido por receber personalidades de alto poder aquisitivo. Segundo informações divulgadas anteriormente, o jantar teria custado cerca de 400 mil libras, valor estimado em aproximadamente R$ 2,7 milhões. O episódio ganhou repercussão principalmente pela presença de autoridades brasileiras e pelo fato de as despesas terem sido relacionadas ao grupo de Vorcaro. Reportagens também mencionaram uma festa posterior destinada a um grupo restrito de convidados.

O novo elemento que ampliou a repercussão do caso foi um relatório da Polícia Federal sobre a relação entre Toffoli e Vorcaro. Segundo documentos revelados pela revista Piauí e repercutidos por diferentes veículos, os investigadores levantaram a hipótese de que Toffoli seria o beneficiário final ou proprietário de fato do fundo de investimento Arleen. O fundo recebeu, segundo o relatório, R$ 35 milhões de Vorcaro e possuía participação em negócios relacionados ao resort Tayayá, empreendimento ligado ao ministro e à família dele.

A investigação também acompanha a trajetória dos recursos. Conforme os dados divulgados, parte dos ativos relacionados ao fundo Arleen acabou sendo transferida para uma estrutura empresarial registrada nas Ilhas Virgens Britânicas. A Polícia Federal analisa essa movimentação dentro do contexto mais amplo das relações financeiras envolvendo Vorcaro. A existência dessas operações, contudo, não significa automaticamente que tenha sido comprovada alguma irregularidade por parte de Toffoli. O próprio ministro nega ser proprietário ou beneficiário dos recursos apontados no relatório.

Outro ponto mencionado pela investigação envolve os encontros entre Toffoli e Vorcaro. Segundo reportagens baseadas no relatório policial, os dois teriam se encontrado pelo menos 12 vezes em cidades como Brasília, São Paulo e Londres. Os investigadores também analisaram possíveis relações entre interesses do Banco Master e decisões judiciais que passaram pelo gabinete do ministro. Entre os assuntos examinados está um processo relacionado a precatórios do setor sucroalcooleiro, área na qual o banco possuía interesses financeiros relevantes.

A situação ganhou ainda mais destaque porque o relatório da PF permaneceu sob sigilo durante meses dentro do Supremo. Segundo informações divulgadas nesta sexta-feira (11), o documento foi produzido em fevereiro de 2026 e posteriormente passou a fazer parte das discussões internas relacionadas ao caso Master. A investigação levantou hipóteses que ainda precisam ser analisadas pelas autoridades competentes, enquanto a defesa de Toffoli contesta as conclusões apresentadas pelos investigadores.

A declaração de Toffoli sobre a viagem também chama atenção porque desloca para Alexandre de Moraes a origem do convite que levou o ministro ao evento londrino. A participação de Moraes na organização das agendas com Vorcaro já havia aparecido em documentos analisados pela imprensa e pela própria investigação. Mensagens recuperadas pela PF indicam que o ex-banqueiro tratava com interlocutores sobre convidados e detalhes relacionados aos encontros realizados na capital britânica.

O episódio passou a integrar um cenário mais amplo de questionamentos envolvendo autoridades do Judiciário e o relacionamento mantido com Daniel Vorcaro. Documentos recentes do caso Master mencionam diferentes ministros, integrantes do Ministério Público, dirigentes da Polícia Federal e políticos que participaram de eventos promovidos ou patrocinados pelo grupo ligado ao empresário. Ao mesmo tempo, a participação em eventos, reuniões ou viagens, isoladamente, não constitui prova de irregularidade, sendo necessário analisar cada situação individualmente.

Com a divulgação de novas informações, a relação entre Vorcaro e integrantes dos principais órgãos da República deverá continuar sendo examinada. No caso específico de Dias Toffoli, permanecem no centro do debate tanto a participação na agenda de Londres quanto as suspeitas financeiras descritas no relatório da PF. O ministro nega as acusações e afirma que não manteve relação de amizade com o empresário nem recebeu recursos dele. A apuração deverá determinar se os elementos reunidos pelos investigadores possuem fundamento suficiente para novas medidas ou se as operações analisadas têm explicações compatíveis com atividades legais.

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