Dark Horse: parte de sigilo cai e confirma Flávio como investigado no STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça determinou a abertura de procedimento investigatório voltado ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, ligado ao financiamento do filme Dark Horse. A decisão consta de documento cujo sigilo foi levantado nesta quinta-feira, 10, e autoriza a Polícia Federal a apurar a origem e destinação de recursos que somam R$ 61 milhões, repassados pelo banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, a pedido do candidato. A iniciativa foi solicitada pela própria corporação e recebeu concordância da Procuradoria-Geral da República.
O inquérito vai examinar o percurso dos valores transferidos por Vorcaro e a finalidade dada ao dinheiro. Entre as linhas de investigação está a hipótese de que parte dos recursos teria sido direcionada também a ações no exterior, associadas ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro, nos Estados Unidos. A medida foi formalizada por meio de procedimento vinculado ao Inquérito 5026, com foco na verificação de práticas que, em tese, corresponderiam a lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos relacionados. A decisão de Mendonça acolheu integralmente o pedido apresentado pela Polícia Federal.
O caso Dark Horse é objeto de duas frentes de apuração no Supremo. O filme, ainda não lançado, retrata a trajetória de Jair Bolsonaro durante a campanha eleitoral de 2018. Uma das investigações acompanha o suposto direcionamento de emendas parlamentares públicas para a produção da obra; a segunda analisa especificamente os R$ 61 milhões enviados por Daniel Vorcaro. Flávio Bolsonaro passou a integrar o rol de investigados nesta última frente, o que insere o tema diretamente no centro da disputa eleitoral em curso.
Na semana passada, em entrevista ao Jornal Nacional, o candidato afirmou não haver qualquer irregularidade na sua participação na busca de recursos privados para a produção da cinebiografia. “Não tem absolutamente nada de irregular”, declarou à época. O contato foi feito com a defesa do senador, que ainda não se manifestou sobre a abertura do inquérito. O espaço permanece aberto para manifestação da parte interessada.
A tramitação do caso ganhou novos elementos nesta semana. O gabinete de André Mendonça homologou a delação premiada do empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, proprietário da Entre Investimentos e Participações. Conforme as investigações, a empresa teria funcionado como canal de recebimento dos valores enviados por Vorcaro, sendo utilizada para encaminhar os recursos à produção do filme. O depoimento colaborativo traz detalhes sobre a estrutura financeira montada para viabilizar o projeto.
Paralelamente, o ministro Flávio Dino autorizou nesta quinta-feira a Operação Make Up, com 49 mandados de busca e apreensão cumpridos em vários estados, para apurar o suposto desvio de verbas parlamentares destinadas à obra. Estão entre os alvos o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e a empresária Karina da Gama, da produtora Go Up Entertainment. O conjunto de medidas coloca em foco a forma como recursos públicos e privados teriam sido movimentados para financiar produções com forte apelo político, em um cenário que deverá ser acompanhado de perto pela sociedade ao longo dos próximos meses.



