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Tensão nos bastidores: STF avalia afastamento de Moraes e Gonet, segundo a Folha

A crise interna que envolve o Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou mais um capítulo nesta semana após um editorial da Folha de S.Paulo defender o afastamento dos ministros Alexandre de Moraes e Paulo Gonet como uma possível medida para reduzir a tensão institucional. A avaliação foi publicada na quarta-feira (9), dentro do espaço editorial do jornal, e ocorre em meio às discussões envolvendo o caso Banco Master, mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e divergências entre integrantes da própria Corte.

No texto, a Folha argumenta que a atual situação seria resultado de um acúmulo de poderes individuais dentro do Supremo e sustenta que o afastamento de Moraes e Gonet poderia contribuir para uma tentativa de reorganização institucional. É importante destacar, porém, que se trata de uma opinião editorial do jornal, e não de uma decisão tomada pelo STF ou de uma determinação oficial para retirar os ministros de suas funções.

O cenário ganhou força depois que mensagens encontradas em materiais relacionados a Daniel Vorcaro passaram a ser analisadas dentro do caso Banco Master. O conteúdo colocou Alexandre de Moraes no centro de questionamentos sobre sua relação com o ex-banqueiro. O ministro, por sua vez, passou a ser citado em uma disputa institucional que envolve também André Mendonça, Paulo Gonet e o presidente do STF, Edson Fachin.

André Mendonça, que atua como relator de procedimentos relacionados ao caso, determinou medidas e levou adiante a análise de informações produzidas pela Polícia Federal. Entre os materiais divulgados estão referências a conversas entre Vorcaro e um interlocutor apontado como sendo Moraes. A divulgação provocou uma série de reações dentro da própria Corte e levou Fachin a assumir uma postura de contenção diante da disputa entre os ministros.

A Procuradoria-Geral da República também entrou no centro da discussão. Paulo Gonet questionou a validade de parte do relatório produzido a partir das informações levantadas pela Polícia Federal e sustentou que Mendonça teria ultrapassado suas atribuições ao determinar determinadas medidas. Ao mesmo tempo, a própria atuação de Gonet passou a ser questionada por diferentes setores, inclusive por entidades ligadas à Polícia Federal, que pediram que o procurador-geral avaliasse eventual impedimento em procedimentos nos quais seu nome aparece.

Diante desse ambiente, Edson Fachin adotou medidas para tentar reorganizar os procedimentos e reduzir o choque entre decisões diferentes dentro do Supremo. O presidente da Corte retirou Moraes da relatoria do chamado inquérito das fake news, suspendeu decisões conflitantes envolvendo Mendonça e Flávio Dino e determinou que novas medidas relacionadas a ministros do STF passem pela Presidência da Corte.

A situação deverá ganhar um momento decisivo na próxima terça-feira (15), quando está prevista uma sessão extraordinária do plenário do STF. Os ministros deverão analisar o relatório da Polícia Federal que envolve as conversas entre Moraes e Vorcaro e também o pedido apresentado pela PGR para questionar a validade do documento. Entre os pontos que estarão em discussão está a possibilidade de abertura de uma investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes.

A sessão tem chamado atenção justamente porque coloca o próprio Supremo diante da necessidade de avaliar informações relacionadas a um de seus integrantes. Segundo informações divulgadas pela Folha, ainda estão sendo definidos detalhes sobre a condução do encontro, inclusive a participação dos ministros diretamente citados no episódio. A previsão é de que a sessão seja pública e transmitida, salvo alguma decisão diferente relacionada à sensibilidade do caso.

O debate também ultrapassou os limites do Judiciário e chegou ao campo político. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que qualquer autoridade que eventualmente seja considerada responsável por irregularidades deve responder pelos seus atos, destacando que ninguém deveria estar acima da Constituição e das leis. Ao mesmo tempo, setores da oposição passaram a cobrar uma apuração mais ampla sobre as relações envolvendo autoridades e o Banco Master.

Apesar da intensidade das manifestações públicas, ainda é necessário separar questionamentos, suspeitas e opiniões de conclusões oficiais. Não há, até o momento, uma decisão do STF determinando o afastamento de Alexandre de Moraes ou Paulo Gonet. O que existe é uma crise institucional em desenvolvimento, com diferentes autoridades apresentando interpretações sobre os mesmos acontecimentos e uma sessão do plenário marcada para avaliar parte desses pontos.

O editorial da Folha, portanto, acrescenta uma nova dimensão ao debate ao defender que o afastamento dos dois seria uma alternativa para diminuir a tensão e recuperar a confiança na instituição. A decisão, entretanto, não cabe ao editorial e dependerá dos mecanismos previstos no ordenamento jurídico e das próprias instituições responsáveis pela análise dos fatos. Até a sessão marcada para o dia 15, o caso continuará no centro das atenções políticas e jurídicas do país.

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