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A nova pesquisa da Quaest para presidente

A disputa pela Presidência da República entra em uma semana decisiva com a divulgação de uma nova pesquisa nacional da Quaest, prevista para esta segunda-feira (7). O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-01720/2026 e prevê 2.004 entrevistas presenciais com eleitores de 16 anos ou mais, realizadas entre os dias 3 e 6 de setembro. A margem de erro informada é de aproximadamente dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. Mais do que atualizar os percentuais dos candidatos, a nova rodada deverá revelar se acontecimentos recentes conseguiram alterar um cenário que, nas últimas semanas, passou a combinar polarização entre os dois primeiros colocados e o crescimento inesperado de uma candidatura alternativa. 

Um dos principais pontos de atenção será a distância entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro. Na pesquisa Quaest divulgada em 2 de setembro, Lula aparecia com 37% das intenções de voto no cenário estimulado sem Pablo Marçal, enquanto Flávio registrava 29%. Augusto Cury alcançava 10%, consolidando-se naquele levantamento como terceiro colocado. Na rodada imediatamente anterior, Lula tinha 38%, Flávio 31% e Cury apenas 2%. Portanto, enquanto as oscilações dos dois líderes permaneceram dentro da margem de erro, o crescimento de oito pontos registrado pelo escritor chamou atenção e colocou sua candidatura entre os principais elementos a serem acompanhados na nova pesquisa. 

A Quaest também deverá investigar o grau de consolidação das escolhas. O questionário começa pela intenção espontânea, permitindo que o entrevistado indique seu candidato sem receber previamente uma lista de nomes. Depois, são apresentados os concorrentes para medir conhecimento, rejeição e intenção de voto estimulada. A metodologia é especialmente relevante nesta fase porque permite identificar não apenas quem aparece na frente, mas também quanto dessas escolhas pode mudar até a votação. A própria Quaest afirma que, para 2026, ampliou o foco sobre eleitores propensos a alterar o voto e sobre movimentos de realinhamento durante a reta final. Isso significa que estabilidade, rejeição e potencial de mudança podem ser tão importantes quanto o percentual bruto registrado por cada candidato. 

Outro ponto observado com atenção será o eventual segundo turno. Na rodada divulgada em 2 de setembro, Lula registrou 42% contra 41% de Flávio Bolsonaro, uma diferença de apenas um ponto percentual e, portanto, um empate técnico considerando a margem de erro de dois pontos. Na pesquisa anterior, o placar era de 43% a 40%, indicando redução da vantagem numérica do atual presidente. O instituto também testou Lula contra outros adversários: 43% a 36% diante de Renan Santos, 42% a 37% contra Ronaldo Caiado, 44% a 33% frente a Romeu Zema e 40% a 34% no confronto com Augusto Cury. Esses números mostram que Flávio, naquele levantamento, era o adversário que aparecia mais próximo de Lula numa simulação direta. 

A nova coleta ocorre ainda depois de dias marcados por intensa repercussão de acontecimentos envolvendo integrantes do Supremo Tribunal Federal, Polícia Federal e Procuradoria-Geral da República. Como as entrevistas são realizadas durante esse período, será possível comparar os resultados com a rodada anterior e observar se houve mudança no comportamento declarado dos eleitores. Isso, porém, exige cautela: uma pesquisa eleitoral mostra a fotografia das preferências no momento da coleta, mas não permite afirmar, isoladamente, que uma eventual variação tenha sido causada por um episódio político específico. Outros fatores, como campanha, exposição na mídia, economia, avaliação do governo e movimentação dos próprios candidatos, também podem influenciar as respostas. A Quaest ressalta justamente que pesquisas descrevem o momento pesquisado e não funcionam como previsão do resultado futuro. 

Por isso, a divulgação desta segunda-feira poderá ser especialmente relevante para saber se três tendências continuam presentes: a liderança de Lula no primeiro turno, a proximidade de Flávio Bolsonaro em uma disputa direta e o avanço de Augusto Cury como alternativa aos dois principais campos políticos. Também será importante observar rejeição, voto espontâneo, nível de indecisão e o percentual de eleitores que consideram sua decisão definitiva. Faltando poucas semanas para o primeiro turno, qualquer movimento consistente ganha peso estratégico para as campanhas, mas os números precisarão ser interpretados dentro da margem de erro e comparados com outras pesquisas. A fotografia mais recente confirmada pela Quaest ainda coloca Lula na liderança, Flávio na segunda posição e Cury em terceiro, enquanto um eventual segundo turno entre os dois líderes permanece tecnicamente empatado. 

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