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Mello se diz arrependido por ter apoiado a indicação de Moraes ao STF

Em uma entrevista concedida à CNN neste sábado (5), o ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello afirmou que se arrepende de ter apoiado, anos atrás, a indicação de Alexandre de Moraes para integrar a Corte. A declaração ganhou destaque em meio à repercussão de informações recentes envolvendo conversas atribuídas ao atual ministro e Daniel Vorcaro, fundador do extinto Banco Master. Ao comentar o episódio, Marco Aurélio disse que as circunstâncias atualmente conhecidas são “seríssimas” e reconheceu que sua avaliação sobre o então candidato ao STF mudou diante dos acontecimentos que vieram a público. A declaração representa uma mudança significativa em relação à posição que ele próprio defendia no momento da indicação e coloca novamente em evidência os debates sobre os limites de atuação e a conduta de integrantes da Suprema Corte.

Marco Aurélio recordou que sua recomendação ocorreu depois da morte do ministro Teori Zavascki em um acidente aéreo, quando o então presidente Michel Temer precisava escolher um novo integrante para o Supremo. Na ocasião, o ministro aposentado considerava que Moraes reunia experiência suficiente para ocupar uma cadeira no tribunal. Entre os aspectos destacados estavam sua formação acadêmica e sua passagem pelo Ministério Público, além da atuação em cargos públicos nas administrações municipal e estadual e, posteriormente, no Ministério da Justiça. Segundo Marco Aurélio, naquele momento, o currículo apresentado por Moraes indicava que ele estava preparado para exercer a função. Agora, porém, o ministro aposentado afirma enxergar a trajetória posterior de maneira diferente e considera que houve excessos que, em sua avaliação, prejudicam a imagem e o funcionamento institucional do Supremo.

 

A mudança de posicionamento está relacionada, principalmente, à divulgação de informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro, material que passou a integrar uma investigação conduzida pela Polícia Federal. O relatório policial, com 218 páginas, reúne mensagens trocadas entre Vorcaro e diferentes interlocutores, incluindo um contato identificado como “Alexandre de Moraes BRASILIA”. O documento foi elaborado a pedido do ministro André Mendonça com o objetivo de verificar possíveis relações e conexões atribuídas ao fundador do Banco Master. Parte do conteúdo se tornou pública em 1º de setembro, depois que Mendonça determinou a retirada do sigilo do processo. A divulgação provocou novas discussões no meio jurídico e político, especialmente em razão da presença de referências ao ministro Alexandre de Moraes no material analisado pela PF.

 

O celular de Vorcaro havia sido apreendido durante a Operação Compliance Zero, realizada pela Polícia Federal em novembro de 2025 para investigar suspeitas relacionadas à negociação de carteiras de crédito do Banco Master com o Banco de Brasília (BRB). Vorcaro foi preso na primeira fase da operação, em 18 de novembro daquele ano. Ao analisar o conteúdo do aparelho, os investigadores encontraram registros de conversas que passaram a ser considerados relevantes para o trabalho solicitado por Mendonça. Entretanto, o próprio relatório apresenta ressalvas importantes sobre o alcance da análise. A Polícia Federal informou que o levantamento não tem caráter exaustivo, pois a equipe teve prazo de 72 horas para cumprir a determinação judicial. Dessa forma, segundo a corporação, outros registros, citações ou referências indiretas podem ainda não ter sido identificados.

 

Outro ponto que dificulta uma leitura completa das conversas está relacionado ao funcionamento do WhatsApp. Segundo as informações apresentadas no relatório, algumas mensagens foram enviadas por meio do recurso de visualização única, o que significa que determinados conteúdos não permanecem disponíveis para consulta posterior. Por isso, em parte dos diálogos, é possível identificar mensagens encaminhadas por Vorcaro, mas não visualizar integralmente as respostas recebidas. Essa limitação é especialmente relevante nos registros envolvendo o contato atribuído a Moraes, pois impede, em determinados trechos, a reconstrução completa do contexto das conversas. As informações divulgadas, portanto, devem ser analisadas considerando as limitações apontadas pela própria Polícia Federal, sem transformar registros parciais em conclusões definitivas sobre as circunstâncias investigadas.

 

A repercussão do caso também ampliou o debate sobre a atuação dos ministros do Supremo e sobre os critérios utilizados para avaliar decisões tomadas dentro e fora dos tribunais. Moraes afirmou que André Mendonça teria cometido abuso de autoridade e crime de responsabilidade ao retirar o sigilo do processo, enquanto Marco Aurélio apresentou posição diferente e defendeu a iniciativa do colega, considerando que Mendonça agiu corretamente. Para o ministro aposentado, o cenário atual do STF demonstra, em sua avaliação, uma mudança preocupante de referências institucionais. O episódio ainda deverá ser acompanhado à medida que novos documentos e esclarecimentos forem apresentados. Por enquanto, a declaração de Marco Aurélio Mello recoloca no centro da discussão uma decisão tomada anos atrás e mostra como novas informações podem alterar avaliações feitas anteriormente sobre nomes que chegaram ao mais alto tribunal do país.

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