Tensão na TV: Lula critica sabatina da Globo e dispara contra apresentador César Tralli

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a comentar sua recente entrevista à TV Globo e protagonizou um momento de descontração durante um evento no Palácio do Planalto, em Brasília, nesta quinta-feira (3). Ao lado do ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, Lula relembrou o questionamento feito pelo jornalista César Tralli sobre a quantidade de pessoas que aguardavam uma resposta do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Em tom bem-humorado, o presidente afirmou que a entrevista havia parecido uma “inquisição” e chamou Tralli de “investigador”. A declaração ocorreu durante o anúncio de medidas relacionadas à redução da fila do instituto e rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais.
Ao recuperar o episódio, Lula contou que Tralli havia apresentado durante a entrevista a informação de que cerca de 3 milhões de pessoas estavam na fila do INSS. Segundo o presidente, naquele momento ele respondeu que a situação seria solucionada e convidou o jornalista para retornar a Brasília para acompanhar o anúncio. A fala feita nesta quinta-feira foi apresentada por Lula como uma espécie de resposta ao questionamento que havia recebido dias antes. “O meu investigador, o Tralli”, afirmou o presidente, ao recordar a entrevista. O comentário arrancou reações dos participantes do evento e deu ao discurso um tom mais descontraído em meio a um tema de grande importância para milhões de brasileiros.
A declaração aconteceu justamente no dia em que o governo federal apresentou os resultados obtidos na redução da espera por atendimentos e análises do INSS. O ministro Wolney Queiroz anunciou que, segundo o critério adotado pelo governo, a fila foi considerada zerada em agosto. A explicação é que o número de pedidos que permaneciam aguardando atendimento passou a ser inferior ao volume de novas solicitações recebidas. Em fevereiro, o estoque de pedidos de perícia aguardando atendimento era de aproximadamente 3,12 milhões, enquanto em agosto o fluxo de atendimento passou a superar a quantidade de novas solicitações. O governo considera que essa mudança representa a passagem de uma situação de represamento para um fluxo regular de análise.
Durante o evento, também foram apresentados os mecanismos utilizados para acelerar o atendimento. Entre as medidas citadas pelo Ministério da Previdência estão a nomeação de novos servidores, a ampliação da telemedicina, a utilização da perícia médica documental, os mutirões realizados aos fins de semana e o pagamento de bônus por produtividade. De acordo com a pasta, 865 agências passaram a contar com recursos de telemedicina, enquanto a análise documental permitiu que determinados procedimentos fossem realizados sem que o segurado precisasse comparecer presencialmente a uma unidade. O governo afirma ainda que essas ações contribuíram para ampliar a capacidade de processamento dos pedidos.
Apesar do anúncio oficial de que a fila foi zerada, existe uma importante diferença de critérios que chamou atenção. A definição utilizada atualmente pelo governo considera como fila os pedidos que ultrapassam determinados parâmetros de atendimento, enquanto ainda existem processos em análise e casos que aguardam há mais de 45 dias. Segundo dados apresentados pelo próprio Ministério da Previdência, aproximadamente 224 mil pedidos ainda estavam acima desse prazo, incluindo situações consideradas mais complexas. O tempo médio para uma decisão relacionada à perícia, entretanto, caiu para 34 dias, abaixo do limite legal de 45 dias.
Depois de relembrar a entrevista, Lula fez outra provocação envolvendo o Jornal Nacional. O presidente questionou, em tom irônico, se o telejornal daria destaque ao anúncio realizado no Palácio do Planalto e afirmou que o resultado tinha relação com a cobrança feita por Tralli durante a entrevista. A fala ocorreu diante de autoridades e servidores que participavam da cerimônia. O episódio acabou dividindo espaço com a própria divulgação dos números do INSS e rapidamente passou a circular nas redes sociais, principalmente por causa da maneira descontraída como Lula retomou o confronto verbal que havia ocorrido durante a sabatina.
O episódio também ocorre em um momento politicamente relevante, já que a redução da fila do INSS passou a ser apresentada pelo governo como uma das principais marcas da atual gestão. Lula havia prometido, durante a entrevista à Globo, anunciar a redução da espera e voltou ao assunto nesta quinta-feira para afirmar que o compromisso havia sido cumprido. Ao mesmo tempo, os dados mostram que o instituto ainda possui milhões de solicitações em diferentes etapas de processamento, embora dentro dos prazos estabelecidos. Dessa forma, a declaração do presidente e o anúncio do Ministério da Previdência colocaram novamente o INSS no centro do debate público, enquanto a provocação direcionada a César Tralli acrescentou um capítulo inesperado à repercussão da entrevista que havia acontecido apenas uma semana antes.



