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Conselho do MPF abre procedimento sobre mensagens que citam Gonet no caso Master

O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) abriu nesta sexta-feira (4) um procedimento interno para analisar mensagens encontradas no celular do ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, nas quais aparece o nome do procurador-geral da República, Paulo Gonet. A medida foi adotada após representação apresentada por deputados federais do Novo e coloca o episódio sob análise formal dentro do próprio Ministério Público Federal. O procedimento foi distribuído ao subprocurador-geral Francisco de Assis Sanseverino, que atuará como relator. Segundo informações divulgadas pela Veja, Gonet terá dez dias para prestar esclarecimentos. A abertura do procedimento não significa que o PGR tenha cometido qualquer irregularidade nem representa reconhecimento de impedimento ou suspeição. O objetivo inicial é justamente esclarecer o contexto das referências encontradas pela Polícia Federal nas investigações relacionadas ao Banco Master. 

As mensagens analisadas pela PF indicam que parte dos contatos atribuídos a Gonet teria ocorrido por intermédio do advogado Ciro Soares, que já atuou na defesa do Banco Master. Um dos registros considerados pelo Conselho ocorreu em março de 2025, quando Soares enviou a Vorcaro uma fotografia em que aparecia ao lado do procurador-geral. Na sequência, escreveu que alguém presente desejava falar com o banqueiro. Os dados do aparelho registram quatro chamadas de voz entre Vorcaro e o advogado naquele período, sendo a mais longa de aproximadamente três minutos e 49 segundos. Em conversas posteriores, Soares encaminhou textos e afirmou ao banqueiro que as mensagens tinham sido enviadas por Gonet. Esses registros são relevantes para a apuração, mas, isoladamente, não demonstram que o procurador-geral tenha interferido em procedimentos oficiais ou utilizado sua função para favorecer o empresário. 

Outro conjunto de mensagens chama atenção por referências a uma possível viagem para Londres. Segundo o relatório policial, Ciro Soares teria informado a Vorcaro que Gonet participaria da viagem e, posteriormente, perguntado se um filho do procurador-geral também poderia acompanhar o grupo. A PF registrou ainda uma conversa em que uma funcionária de Vorcaro questionava quais convidados poderiam viajar com despesas custeadas pelo grupo ligado ao banqueiro. Vorcaro teria autorizado os nomes “Pedro” e “Ciro”, e os investigadores interpretaram a primeira referência como sendo a Pedro Gonet, filho do PGR. A existência dessas mensagens despertou questionamentos sobre a natureza das relações pessoais existentes naquele ambiente, mas ainda será necessário esclarecer se a viagem efetivamente ocorreu nas condições descritas, quem custeou eventuais despesas e se houve qualquer consequência institucional decorrente desses contatos. 

A representação apresentada ao Conselho Superior foi assinada por parlamentares do Novo, que pediram a designação de um subprocurador-geral independente para atuar em eventuais procedimentos do caso Master que possam envolver o próprio Paulo Gonet. O pedido argumenta que a medida seria necessária para preservar a confiança e a independência institucional da Procuradoria-Geral da República. Os próprios autores, entretanto, afirmam não estar atribuindo diretamente a Gonet a prática de crime a partir dessas mensagens. A distribuição do caso a Sanseverino também não significa que o Conselho tenha acolhido a tese de suspeição ou afastamento do PGR. Após os esclarecimentos e a análise preliminar, o relator poderá apresentar suas conclusões aos integrantes do colegiado. Segundo informações divulgadas nesta sexta-feira, integrantes do Ministério Público têm posições diferentes sobre como Gonet deverá atuar no caso Master daqui para frente. 

O procedimento ocorre no momento de maior pressão institucional desde que André Mendonça retirou o sigilo de parte do relatório produzido pela Polícia Federal. Além das referências a Gonet, o documento tornou públicos contatos atribuídos a Vorcaro com diferentes autoridades. Em um dos episódios investigados, Vorcaro teria solicitado a um interlocutor identificado pela PF como Alexandre de Moraes que conversasse com “Andrei e Paulo”, interpretação que levou investigadores a relacionar os nomes ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral Paulo Gonet. A PGR posteriormente pediu a nulidade de parte das diligências, defendendo que determinadas providências envolvendo autoridades com prerrogativa de foro não poderiam ter sido realizadas da forma adotada. O episódio passou a gerar uma discussão paralela sobre possíveis conflitos de interesse, competência para investigar autoridades e a necessidade de preservação da imparcialidade das instituições. 

Agora, a atenção estará voltada para os esclarecimentos que Gonet apresentará ao Conselho e para a avaliação de Francisco Sanseverino sobre o material. Não há, até este momento, prova pública de que o procurador-geral tenha interferido em investigações para beneficiar Daniel Vorcaro, e o simples fato de seu nome aparecer em mensagens trocadas por terceiros não permite concluir que tenha praticado irregularidade. O que mudou nesta sexta-feira foi o status institucional do episódio: as referências deixaram de ser apenas objeto de reportagens e passaram a integrar um procedimento formal no Conselho Superior do MPF. O resultado poderá esclarecer se as mensagens refletem apenas relações sociais intermediadas por terceiros ou se existem elementos que exijam providências adicionais. Enquanto isso, o caso Master continua ampliando seu alcance e provocando questionamentos sobre relações entre empresários investigados e autoridades situadas nos níveis mais elevados do sistema de Justiça brasileiro. 

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