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Cúpula da PGR fala em “desânimo” e afastamento de Gonet

A divulgação de um relatório da Polícia Federal sobre o caso Banco Master abriu uma nova frente de tensão na Procuradoria-Geral da República e colocou o procurador-geral, Paulo Gonet, sob forte atenção institucional em Brasília. Segundo reportagem do Poder360, integrantes do Conselho Superior do Ministério Público Federal ouvidos sob reserva relataram um ambiente de “desânimo” após o nome de Gonet aparecer no material produzido a partir da análise do celular do empresário Daniel Vorcaro. Esses integrantes também avaliaram que o pedido apresentado pelo procurador-geral para anular a investigação teria problemas e defenderam que a condução do caso fosse transferida ao vice-procurador-geral, Hindemburgo Chateaubriand. A decisão, porém, permanece com Gonet, que optou por continuar atuando no processo. 

O relatório da PF reúne mensagens, registros de chamadas, contratos e outros arquivos encontrados no aparelho de Vorcaro, apreendido durante a Operação Compliance Zero. Conforme o Poder360, o documento tem 218 páginas e foi produzido em prazo curto, de 72 horas, por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. A própria Polícia Federal registrou que a análise não tem caráter exaustivo, o que significa que o material disponível não representa necessariamente a totalidade das informações existentes nos dispositivos vinculados à investigação. Esse ponto é relevante porque parte das conversas foi realizada pelo recurso de visualização única do WhatsApp, impedindo, em alguns casos, a reconstrução integral dos diálogos e exigindo cautela antes de conclusões definitivas. 

Entre os trechos que ganharam repercussão estão referências a contatos envolvendo Gonet e Vorcaro em torno de um evento realizado em Londres e financiado pelo Banco Master. Segundo o relatório policial, mensagens atribuídas ao advogado Ciro Soares indicariam pedidos relacionados à disponibilidade de charutos e uísque Macallan durante o encontro. O documento também menciona despesas ligadas à ida de um filho de Gonet à capital britânica. Essas informações vêm sendo analisadas dentro de um contexto mais amplo sobre relações entre autoridades e pessoas ligadas ao banco. Até agora, porém, a divulgação desses registros não equivale a uma conclusão de responsabilidade funcional ou criminal do procurador-geral, e qualquer avaliação desse tipo depende de apuração pelas instâncias competentes. 

A reação de Gonet ao relatório também passou a ser observada com atenção. Depois que André Mendonça retirou o sigilo do material, a PGR pediu a nulidade da investigação, argumentando que houve problemas no procedimento adotado para a apuração envolvendo autoridades com foro no Supremo. O ministro encaminhou a controvérsia para discussão no plenário do STF, cabendo ao presidente da Corte, Edson Fachin, definir quando o tema será analisado. Integrantes do Conselho Superior do MPF citados pelo Poder360, no entanto, consideram inadequado que Gonet permaneça responsável pelo caso diante das menções ao seu nome. Trata-se de uma avaliação interna atribuída a fontes reservadas, e não de uma decisão formal da instituição ou de afastamento já determinado. 

A pressão sobre o procurador-geral aumentou ainda por outro caminho. Nesta semana, um advogado apresentou ao Conselho Nacional do Ministério Público uma reclamação disciplinar pedindo investigação da conduta de Gonet, seu afastamento cautelar do cargo e impedimento para atuar no caso Banco Master. Segundo o próprio requerente, a medida não antecipa responsabilidade e busca permitir a apuração dos fatos descritos pela Polícia Federal. Até a publicação da reportagem do Poder360 sobre essa iniciativa, a PGR não havia encaminhado resposta ao veículo. É importante distinguir esse pedido externo das opiniões atribuídas a membros da cúpula do Ministério Público Federal: são movimentos diferentes, embora ambos tenham surgido após a divulgação do mesmo relatório policial. 

O caso entra agora em uma fase de elevada atenção institucional, com possíveis decisões no STF, no Ministério Público e no CNMP. A principal questão é saber se haverá mudança na condução das investigações e como serão avaliadas as referências a Gonet presentes no relatório. O material da Polícia Federal, por si só, não estabelece responsabilidade e ainda pode ser complementado por novas perícias, documentos e esclarecimentos. Ao mesmo tempo, a reação de integrantes do próprio Ministério Público demonstra que a controvérsia ultrapassou o debate externo e passou a gerar questionamentos dentro da instituição. Para o público, o ponto central é acompanhar os próximos atos oficiais e separar registros investigativos, avaliações internas e decisões formais antes de qualquer conclusão sobre a atuação do procurador-geral. 

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