EUA notificam Brasil sobre incidente envolvendo helicóptero de Trump

Um episódio envolvendo o helicóptero presidencial dos Estados Unidos e um avião comercial chamou a atenção das autoridades de aviação e levou o governo americano a acionar o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão da Força Aérea Brasileira responsável pela apuração de ocorrências no setor aéreo. A comunicação ocorreu após um voo da Envoy Air, empresa regional ligada à American Airlines, passar muito próximo do Marine One, helicóptero utilizado pelo presidente Donald Trump. O caso aconteceu em 4 de agosto, nas proximidades do Aeroporto Nacional Ronald Reagan, em Washington, e agora integra uma investigação que envolve diferentes órgãos especializados.
De acordo com o relatório preliminar divulgado nesta quinta-feira (27) pelo Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB), as duas aeronaves chegaram a ficar a aproximadamente 1,3 quilômetro de distância. O avião comercial havia partido do aeroporto quando a tripulação recebeu um alerta do sistema de prevenção de colisões instalado na aeronave. Apesar do aviso, os pilotos informaram aos investigadores que não conseguiram identificar visualmente o helicóptero presidencial. A proximidade entre as aeronaves passou a ser analisada como uma ocorrência relevante para a segurança da aviação, principalmente por envolver uma aeronave presidencial em uma área de intenso movimento aéreo.
A apuração inicial aponta que uma falha na comunicação contribuiu para que o voo comercial fosse autorizado a decolar naquele momento. Existe um procedimento específico que prevê um aviso com três minutos de antecedência antes da movimentação de aeronaves presidenciais, permitindo que outros aviões sejam mantidos fora da região durante o deslocamento. Segundo as informações apresentadas no relatório, esse aviso não foi recebido da maneira esperada, e a aeronave da Envoy Air acabou recebendo autorização para deixar o aeroporto. O episódio chamou atenção justamente pela combinação entre a operação presidencial e o tráfego regular de passageiros em uma das regiões aéreas mais movimentadas da capital americana.
Os investigadores também identificaram uma possível relação entre o problema de comunicação e uma mudança recente no local utilizado pelo Marine One para suas decolagens. Desde julho, devido às obras para a construção de um novo salão na Casa Branca, o helicóptero presidencial passou a utilizar o Ellipse, parque localizado ao sul da sede do governo americano. A alteração modificou a dinâmica das comunicações com a torre de controle do Aeroporto Reagan e revelou uma dificuldade no recebimento das informações necessárias para coordenar os voos. Como medida para reduzir o risco de novos problemas, a Administração Federal de Aviação (FAA) decidiu transferir um receptor de rádio que ficava em um bairro próximo ao aeroporto para o topo da torre de controle.
A participação brasileira na investigação ocorre por causa das regras internacionais que orientam a apuração de ocorrências envolvendo aeronaves. Quando um avião está relacionado a um incidente, as autoridades de países ligados ao projeto e à fabricação da aeronave podem ser comunicadas para contribuir com o trabalho técnico. Neste caso, o Cenipa foi informado porque o avião da Envoy Air envolvido na ocorrência é um Embraer E170, modelo desenvolvido e produzido pela fabricante brasileira Embraer. A notificação permite que especialistas brasileiros acompanhem informações técnicas e, se necessário, participem das etapas previstas nos protocolos internacionais de segurança aérea.
Até o momento, o Cenipa e a Embraer foram procurados para comentar o caso, mas não haviam apresentado posicionamento até a publicação das informações. O relatório divulgado pelo NTSB ainda é preliminar, portanto novos dados podem modificar ou complementar as conclusões apresentadas nesta etapa. A ocorrência também reforça a importância da comunicação precisa entre pilotos, torres de controle e equipes responsáveis por operações especiais, especialmente em áreas com grande circulação de aeronaves. O acompanhamento da investigação deve esclarecer como a falha ocorreu, quais medidas serão adotadas de forma permanente e quais aprendizados poderão contribuir para tornar os procedimentos de segurança ainda mais eficientes.



