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PF mira sociedade oculta entre Lulinha e dono do sítio de Atibaia

A Polícia Federal investiga se Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, teria mantido uma possível sociedade informal com os empresários Fernando Bittar e Roberta Luchsinger para articular interesses privados junto a integrantes do governo federal. A suspeita aparece em documentos do inquérito e envolve mensagens, movimentações financeiras e contatos com pessoas ligadas à administração pública. Segundo informações divulgadas pela imprensa, os investigadores avaliam se as relações ultrapassariam a atuação convencional de interlocutores privados e poderiam ter sido utilizadas para buscar benefícios comerciais específicos. A defesa de Lulinha nega qualquer irregularidade e afirma que ele não participou de ações relacionadas a tráfico de influência ou negócios ligados ao Palácio do Planalto.

Entre os pontos analisados está uma possível articulação para viabilizar um contrato entre uma empresa do setor de canabidiol e o Ministério da Saúde. O negócio previa o fornecimento de medicamentos à base da substância para o Sistema Único de Saúde, mas não chegou a ser concretizado. A PF avalia se contatos mantidos por pessoas próximas ao governo tinham como objetivo facilitar o acesso a autoridades e abrir espaço para interesses empresariais. Os investigadores também analisam conversas que mencionariam mudanças legislativas e possíveis pagamentos a agentes públicos. A apuração, contudo, ainda precisa esclarecer a finalidade de cada contato e se houve, de fato, alguma vantagem obtida de maneira irregular.

 

O nome de Fernando Bittar acrescenta outro elemento de interesse ao caso. Ele é coproprietário formal do Sítio Santa Bárbara, em Atibaia, no interior de São Paulo, propriedade que ficou conhecida durante as investigações da Lava Jato. Bittar e Jonas Suassuna adquiriram o imóvel em 2010, e o local passou a ser frequentado por Lula e familiares. Naquele período, investigadores analisaram reformas realizadas na propriedade e levantaram dúvidas sobre a origem dos recursos empregados. As defesas sempre sustentaram que Bittar e Suassuna eram os proprietários do sítio e que Lula apenas utilizava o espaço como convidado. Em 2021, o Supremo Tribunal Federal anulou as condenações de Lula nos processos da Lava Jato em Curitiba por entender que a vara responsável não tinha competência para julgá-los.

 

Roberta Luchsinger também aparece entre os nomes analisados pela Polícia Federal. Segundo trechos do inquérito divulgados pela imprensa, mensagens atribuídas à empresária indicariam tentativas de aproximar Lulinha de Swedenberger Barbosa, então integrante da cúpula do Ministério da Saúde. A investigação também identificou pagamentos de despesas pessoais do então chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. De acordo com os investigadores, os valores somariam aproximadamente R$ 250 mil e envolveriam diferentes despesas, incluindo boletos, cartão de crédito, financiamento, consórcio e transferências. Marcola reconhece os recebimentos, mas afirma que os valores correspondiam a um empréstimo pessoal posteriormente quitado com juros.

 

A divulgação de informações do inquérito também abriu uma segunda frente de discussão. O ministro André Mendonça, do STF, determinou uma apuração para verificar possíveis vazamentos de dados sigilosos, após solicitação apresentada pela defesa de Lulinha. Os advogados sustentam que setores da Polícia Federal teriam ultrapassado limites legais e éticos por razões políticas e eleitorais, além de afirmarem que não existe prova de desvio de recursos públicos envolvendo seu cliente. A defesa de Marcola também questiona a divulgação parcial dos documentos e afirma que os valores recebidos foram decorrentes de uma operação pessoal, sem relação com atividades irregulares dentro do governo.

 

Com as investigações ainda em andamento, o caso reúne diferentes personagens, episódios antigos e novas suspeitas que precisam ser analisadas pelas autoridades antes de qualquer conclusão definitiva. A possível relação entre Lulinha, Bittar e Roberta Luchsinger é justamente um dos pontos que a Polícia Federal busca esclarecer, assim como a finalidade dos contatos com integrantes do governo e a origem e o destino dos pagamentos identificados. Até o momento, as suspeitas apresentadas no inquérito não representam, por si só, uma conclusão sobre responsabilidade criminal. As defesas de Bittar e Roberta não haviam se manifestado até a publicação das informações citadas, permanecendo aberto o espaço para eventuais esclarecimentos. O avanço da apuração deverá indicar se os fatos analisados correspondem a relações privadas legítimas ou se existiram mecanismos destinados a favorecer interesses específicos dentro da estrutura federal.

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