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Após período na Copa, Romário devolve um mês de salário recebido no Senado

O senador Romário devolveu aos cofres públicos o valor correspondente a um mês de seu salário líquido no Senado, totalizando R$ 29.048,49. A restituição foi realizada por meio de uma Guia de Recolhimento da União após o período em que o parlamentar atuou como comentarista esportivo durante a Copa do Mundo de 2026. O montante, calculado pela própria Casa legislativa, representa o subsídio mensal líquido, já descontados os valores relativos à previdência e ao imposto de renda, e supera a quantia proporcional aos dias em que ele esteve envolvido na cobertura do torneio.

A decisão encerra uma sequência de acontecimentos iniciada semanas antes, quando o senador viajou para os Estados Unidos a fim de comentar os jogos da seleção brasileira. Na ocasião, optou por não solicitar licença do mandato, o que gerou questionamentos sobre a conciliação entre as atividades parlamentares e o trabalho na transmissão esportiva. Em resposta às críticas, Romário afirmou publicamente, em sessão remota realizada no final de junho, que permaneceria no exercício do cargo e participaria das deliberações de forma virtual. Justificou a escolha pelo compromisso de votar em matérias de interesse da população, especialmente a proposta que trata do fim da escala de trabalho 6×1.

Na mesma ocasião, o senador comunicou que havia encaminhado ofício à Presidência do Senado solicitando a suspensão do pagamento de sua remuneração durante todo o período da competição. Declarou que qualquer quantia eventualmente creditada seria devolvida aos cofres públicos, reforçando que a medida era voluntária. “Não receberei salário desde o primeiro dia da Copa e o que for pago será devolvido”, afirmou na sessão, ao mesmo tempo em que destacava a possibilidade de acompanhar as votações por meio da tecnologia disponível.

O modelo de sessões semipresenciais então em vigor no Senado permitia a participação remota dos parlamentares sem prejuízo ao registro de presença ou ao recebimento do subsídio. De acordo com informações da assessoria do senador, ele manteve o acompanhamento das pautas, participou das sessões e não registrou faltas no período. Os gabinetes em Brasília e no Rio de Janeiro permaneceram em funcionamento, realizando atendimentos regulares.

Posteriormente, a Advocacia do Senado emitiu parecer concluindo que não havia possibilidade jurídica de renúncia formal ao subsídio ou de interrupção automática do pagamento. O entendimento se baseou no fato de que o parlamentar continuava no exercício regular do mandato, cumprindo suas obrigações legislativas à distância. Diante disso, a devolução ocorreu por iniciativa exclusiva do senador, que optou por restituir o valor equivalente a um mês completo de remuneração líquida.

Em declarações recentes, Romário reforçou que a medida visava deixar claro que a questão financeira não era o centro da discussão. “O salário que eu devolvi, por minha iniciativa, foi para deixar claro que a questão nunca foi o dinheiro. Continuei no mandato porque tenho um compromisso com a população que me elegeu”, afirmou. Ele também destacou ter cumprido a promessa feita publicamente meses antes, enfatizando que “compromisso assumido é compromisso cumprido”.

O episódio ocorreu em um contexto de intenso debate público sobre a presença de parlamentares em eventos internacionais e a compatibilidade com as atividades legislativas. A possibilidade de participação remota, ampliada em períodos específicos, permitiu que senadores acompanhem trabalhos de Brasília mesmo estando em outros locais. No caso de Romário, a combinação entre a cobertura esportiva e o exercício do mandato gerou discussões que se estenderam até a efetiva restituição dos valores.

O senador, ex-jogador da seleção brasileira e campeão mundial, argumentou que sua presença na Copa se relacionava tanto à trajetória no futebol quanto ao compromisso político assumido com o eleitorado do Rio de Janeiro. Ao devolver o montante, ele encerrou a controvérsia em torno do recebimento da remuneração no período, reiterando que a decisão de permanecer no cargo teve como objetivo preservar a capacidade de participar de votações relevantes.

A restituição de R$ 29.048,49 foi confirmada por meio de comprovante da guia oficial, e a assessoria do parlamentar destacou que o valor devolvido corresponde ao que ele efetivamente recebe mensalmente após os descontos obrigatórios. Com essa medida, o senador deu por cumprida a declaração feita em junho, quando anunciou a intenção de abrir mão do salário durante a competição. O caso ilustra a dinâmica entre as obrigações parlamentares, as possibilidades tecnológicas de participação à distância e as expectativas de transparência no uso de recursos públicos.

 

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