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Presença de Jonga Bacelar em ato com Jerônimo Rodrigues gera reação dentro do PL

A participação do deputado federal João Carlos Bacelar, conhecido como Jonga Bacelar (PL-BA), em um ato de campanha do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), abriu uma discussão dentro do Partido Liberal às vésperas das eleições de 2026. O parlamentar esteve no sábado (22) em um comício realizado em Ribeira do Pombal, no nordeste baiano, ao lado de Jerônimo e de outras lideranças ligadas ao grupo governista. Durante o evento, Jonga apareceu usando no peito um adesivo com o número 13, utilizado eleitoralmente pelo PT, e manifestou apoio à reeleição do governador. O episódio ganhou repercussão porque o PL está politicamente no campo adversário de Jerônimo na Bahia e apoia ACM Neto (União Brasil) na disputa pelo governo estadual. 

As imagens do evento provocaram reação de integrantes do próprio PL. O presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, afirmou que o partido precisaria ouvir as explicações de Jonga antes de tomar qualquer medida. Entre as possibilidades mencionadas pelo dirigente estão uma retratação e eventual análise do caso pelo Conselho de Ética. Valdemar também recordou que existem orientações internas do partido contrárias ao apoio de seus filiados a candidaturas de esquerda. Até o momento, porém, não houve anúncio definitivo de expulsão ou de qualquer outra punição contra o deputado. Por isso, embora o episódio tenha provocado um conflito político evidente dentro da sigla, é incorreto afirmar que Jonga já tenha sido afastado ou esteja automaticamente fora do PL. 

A reação também alcançou figuras ligadas ao campo político do ex-presidente Jair Bolsonaro. Eduardo Bolsonaro criticou publicamente a participação de Jonga no palanque petista e cobrou uma postura mais firme da direção do PL. Segundo Eduardo, a presença de um parlamentar da legenda usando o número 13 e participando de um ato de Jerônimo Rodrigues é incompatível com o posicionamento político atualmente defendido pelo partido. Na Bahia, outros integrantes do PL também pediram medidas disciplinares. O deputado estadual Leandro de Jesus e o vereador Cezar Leite estão entre os nomes que questionaram a permanência de Jonga na legenda diante do apoio ao governador. Essas críticas representam a posição desses integrantes do partido e não equivalem, por si só, a uma decisão formal da direção nacional. 

Após a repercussão, Jonga Bacelar divulgou uma manifestação na qual afirmou manter “compromisso inabalável” com o PL. Em nota reproduzida inclusive nas redes sociais nacionais da legenda, o deputado declarou que continua alinhado ao presidente do partido, Valdemar Costa Neto, e ao candidato presidencial da sigla, Flávio Bolsonaro. O texto também afirma que o parlamentar pretende continuar apoiando candidatos indicados pelo PL nas diferentes esferas eleitorais. Jonga considerou o episódio esclarecido, embora o posicionamento não tenha encerrado completamente as críticas internas. A situação evidencia uma particularidade frequente da política regional brasileira: alianças locais nem sempre reproduzem integralmente os alinhamentos estabelecidos pelas direções partidárias em nível estadual ou nacional. 

Do outro lado da disputa, o prefeito de Quijingue, José Romero Rocha Matos Filho, o Romerinho (Avante), saiu em defesa do deputado. Ele criticou os pedidos de expulsão e questionou integrantes da oposição baiana que cobraram uma punição para Jonga. A manifestação mostra que o episódio também passou a ser utilizado no debate entre os grupos que disputam o governo da Bahia. Jerônimo busca a reeleição pelo PT, enquanto o PL integra a aliança que apoia ACM Neto. Dessa forma, uma presença inicialmente registrada em um evento regional adquiriu dimensão estadual e nacional justamente porque expôs uma divergência entre a filiação partidária de Jonga e o apoio político manifestado naquele palanque. 

O caso deverá continuar sendo acompanhado principalmente pela decisão que o PL tomar sobre a situação do parlamentar. O que está confirmado até agora é que Jonga Bacelar participou do ato de Jerônimo Rodrigues, apareceu usando um adesivo com o número 13 e declarou apoio à reeleição do governador. Também está confirmado que dirigentes e integrantes do PL reagiram e discutiram possíveis medidas internas. Por outro lado, Jonga posteriormente reafirmou sua vinculação ao partido e seu apoio aos candidatos da legenda em outras disputas. Portanto, a leitura mais equilibrada é que o episódio revelou uma divergência política relevante dentro do PL, mas seu efeito definitivo sobre a candidatura e a permanência de Bacelar na sigla ainda depende das decisões partidárias que poderão ser tomadas nos próximos dias. 

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