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PCC e Comando Vermelho entram na mira dos Estados Unidos

Uma nova etapa na política de segurança dos Estados Unidos promete mudar a forma como Washington pretende enfrentar organizações criminosas que atuam na América Latina. Sob o governo de Donald Trump, a estratégia passou a considerar o emprego de recursos militares em operações terrestres contra estruturas associadas ao crime organizado. A iniciativa amplia uma atuação que, até então, estava mais concentrada em inteligência, monitoramento de rotas e ações de interceptação. O movimento também coloca o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), duas das principais facções brasileiras, no centro das atenções americanas após a classificação dos grupos como organizações terroristas. A mudança cria um novo cenário de cooperação regional e aumenta a relevância das fronteiras sul-americanas nas discussões de segurança de Washington.

 

A principal alteração está na possibilidade de utilização de tropas e recursos militares em território de países parceiros para localizar e atingir estruturas utilizadas por organizações criminosas. Segundo a estratégia apresentada pelo governo americano, capacidades desenvolvidas ao longo de operações internacionais de combate ao terrorismo poderão ser adaptadas para enfrentar redes ligadas ao tráfico de drogas e outras atividades ilícitas no Hemisfério Ocidental. O secretário de Guerra, Pete Hegseth, indicou que Washington pretende ampliar a participação das Forças Armadas nesse tipo de operação. Na prática, a proposta representa uma mudança de escala: em vez de concentrar esforços apenas na identificação de integrantes e na apreensão de cargas, os Estados Unidos querem atuar também sobre estruturas, rotas e áreas utilizadas pelas organizações.

 

A inclusão do PCC e do Comando Vermelho nessa política acrescenta uma dimensão importante ao cenário brasileiro. Ao serem classificados por Washington como organizações terroristas, os dois grupos passam a receber um tratamento diferente dentro da política de segurança dos Estados Unidos. Essa designação amplia as ferramentas disponíveis para ações de inteligência, bloqueio de recursos e cooperação internacional. O ponto de atenção para o Brasil está justamente na atuação transnacional dessas organizações. Redes de fornecimento, distribuição e transporte não respeitam necessariamente as fronteiras nacionais, o que faz com que operações realizadas em países vizinhos possam atingir rotas relacionadas a grupos brasileiros. Por isso, mesmo sem uma ação militar dentro do território brasileiro, os efeitos da nova política americana podem chegar às regiões de fronteira e influenciar o ambiente de segurança do país.

 

Outro aspecto relevante é a formação de uma rede de países dispostos a aprofundar a cooperação com Washington. Colômbia e Equador aparecem entre os principais parceiros da nova estratégia, enquanto Argentina, Paraguai, Chile e El Salvador também são apontados como participantes da coalizão articulada pelos Estados Unidos. A colaboração pode envolver treinamento, troca de informações, apoio logístico e autorização para operações conjuntas em determinados territórios. Esse movimento amplia a presença americana na América Latina e cria uma estrutura regional voltada ao combate às organizações criminosas. Para os governos envolvidos, a proposta também representa uma oportunidade de ampliar recursos e capacidades de segurança, embora a presença militar estrangeira em operações dentro de países latino-americanos possa gerar debates sobre soberania e limites de atuação.

 

O Brasil, por sua vez, decidiu não aderir à iniciativa apresentada pelo governo Trump. A posição brasileira coloca Brasília em uma situação delicada diante da aproximação militar de países vizinhos com Washington. Especialistas consideram pouco provável uma operação americana dentro do território brasileiro sem autorização do governo nacional, principalmente pelos impactos diplomáticos que uma medida desse tipo provocaria. Ainda assim, a expansão das ações nos países próximos pode aumentar a pressão sobre o Brasil para apresentar resultados no combate às grandes organizações criminosas. As regiões fronteiriças também merecem atenção, já que mudanças nas rotas utilizadas pelo crime organizado podem deslocar atividades para novas áreas e exigir maior integração entre as forças de segurança brasileiras.

 

O avanço dessa política americana abre, portanto, uma nova fase nas relações entre segurança, fronteiras e combate ao crime organizado na América Latina. A presença crescente dos Estados Unidos em operações conjuntas pode alterar rotas, alianças e estratégias das organizações criminosas, ao mesmo tempo em que aumenta a necessidade de diálogo entre os governos da região. Para o Brasil, o desafio será acompanhar essas transformações sem abrir mão de sua autonomia nas decisões de segurança e política externa. O cenário ainda depende da forma como cada país implementará os acordos e das regras estabelecidas para as operações. O que já está claro é que a América Latina entrou no radar de uma estratégia americana mais ampla, e as próximas decisões dos governos envolvidos poderão redefinir a cooperação regional nos próximos anos.

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