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MP eleitoral pede a impugnação da candidatura do “Lula do Bem”

A disputa eleitoral em São Paulo ganhou um capítulo inesperado com o pedido de impugnação apresentado pela Procuradoria Regional Eleitoral contra a candidatura do vereador de Jaboticabal Célio Morais, do PL, que pretende concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados usando o nome “Lula do Bem”. Conhecido nas redes sociais pela semelhança física com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Célio transformou a comparação em parte de sua identidade pública. Agora, porém, justamente essa escolha pode se tornar um obstáculo no processo de registro. Segundo reportagem publicada pelo Metrópoles nesta segunda-feira (10), a Procuradoria questiona o nome indicado para a urna e pede que a Justiça Eleitoral analise se a denominação atende às regras previstas para as eleições de 2026.

A manifestação foi assinada pelo procurador regional eleitoral Paulo Taubemblatt. De acordo com o documento obtido pela imprensa, o entendimento apresentado é de que o uso do nome “Lula” poderia levar parte do eleitorado a imaginar algum grau de parentesco ou vínculo com o atual presidente da República. A expressão “do Bem”, acrescentada ao nome, também foi questionada pela Procuradoria sob o argumento de que poderia transmitir uma mensagem ideológica ou um juízo de valor. Trata-se, neste momento, de uma argumentação apresentada pelo Ministério Público Eleitoral, e não de uma decisão definitiva da Justiça. Caberá ao Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo analisar o pedido e definir os efeitos do questionamento sobre o registro do candidato e sobre a identificação que ele pretende apresentar aos eleitores nas urnas.

Outro ponto levantado pela Procuradoria envolve o histórico eleitoral do próprio vereador. Célio Morais foi eleito para a Câmara Municipal de Jaboticabal em 2024 utilizando “Célio Morais” como nome de urna, conforme relatado na manifestação divulgada pelo Metrópoles. Esse detalhe ganhou relevância porque a legislação eleitoral estabelece regras para variações de nomes que coincidam com nomes de candidatos a eleições majoritárias. O artigo 12 da Lei nº 9.504/1997 determina o indeferimento da variação coincidente, mas prevê exceções para determinadas situações, como candidatos que estejam exercendo mandato eletivo, tenham exercido nos quatro anos anteriores ou tenham concorrido, dentro desse mesmo período, utilizando o nome coincidente. A interpretação dessas regras diante das circunstâncias específicas da candidatura de Célio está entre os pontos que deverão ser analisados pela Justiça Eleitoral.

A controvérsia chama atenção também pela trajetória recente de Célio Morais. Médico cardiologista e tenente da reserva da Força Aérea Brasileira, de acordo com informações divulgadas em sua página oficial, ele ganhou projeção depois de viralizar nas redes sociais por sua aparência semelhante à de Lula. A repercussão cresceu especialmente em ambientes ligados a apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, com quem Célio apareceu em manifestações. Segundo o Metrópoles, depois de conquistar visibilidade com a comparação, ele foi convidado pelo presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, a disputar uma vaga de vereador em Jaboticabal nas eleições municipais de 2024. Ele venceu a eleição e, agora, busca ampliar sua atuação política com uma candidatura a deputado federal pelo estado de São Paulo.

O episódio coloca em evidência uma questão importante do processo eleitoral: a maneira como os candidatos são identificados diante do eleitor. Apelidos, abreviações e nomes pelos quais uma pessoa se tornou conhecida podem fazer parte da identificação eleitoral, desde que estejam de acordo com as normas aplicáveis ao registro das candidaturas. Para as eleições de 2026, o Tribunal Superior Eleitoral estabeleceu procedimentos específicos envolvendo os dados dos candidatos e o nome que será apresentado na urna eletrônica. No caso de Célio Morais, portanto, a discussão não está relacionada apenas à popularidade conquistada pela expressão “Lula do Bem”. O debate jurídico envolve saber se a utilização dessa identificação está de acordo com a legislação eleitoral diante da eventual coincidência com o nome de outro candidato e dos argumentos apresentados pela Procuradoria Regional Eleitoral.

A apresentação do pedido de impugnação, contudo, não significa que Célio Morais já esteja definitivamente fora da disputa eleitoral. Existe uma manifestação da Procuradoria que precisa passar pela análise da Justiça Eleitoral, responsável por decidir sobre o registro e as questões levantadas no processo. Por isso, enquanto não houver uma decisão do tribunal competente, seria incorreto apresentar o vereador como candidato já barrado ou afirmar antecipadamente qual será o desfecho do caso. A situação, entretanto, acrescenta um componente de grande repercussão à eleição paulista de 2026: um político que conquistou projeção nacional justamente pela semelhança com o presidente Lula e pelo apelido associado a essa comparação agora enfrenta um questionamento eleitoral relacionado ao nome que pretende utilizar para tentar chegar à Câmara dos Deputados.

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