Câmara envia ao STF denúncia de suposta “armação” contra o deputado Alfredo Gaspar

Uma grave acusação envolvendo parlamentares de alta visibilidade no cenário nacional passou a tramitar oficialmente no Supremo Tribunal Federal após envio feito pela Mesa Diretora da Câmara dos Deputados. O documento encaminhado à Suprema Corte reúne o depoimento do comerciante carioca Luis Antonio Lopes, de sessenta e dois anos, que acusa o deputado federal Lindbergh Farias de envolvimento em um plano para imputar falsamente uma conduta irregular de gravidade extrema ao deputado Alfredo Gaspar. A revelação trouxe forte instabilidade aos bastidores de Brasília, especialmente pelo fato de Gaspar ter sido anunciado como pré-candidato a vice na chapa presidencial encabeçada pelo senador Flávio Bolsonaro.
A narrativa entregue às autoridades policiais detalha que o comerciante, proprietário de um estabelecimento em um centro comercial no Rio de Janeiro, procurou voluntariamente os canais formais da Casa Legislativa para registrar os fatos. O depoimento prestado por meio de audiência virtual à Polícia Legislativa indicou que uma ex-funcionária do quiosque, identificada como Marcela Maria Mendes, teria sido abordada por um intermediário para encenar um relato falso perante a opinião pública. A estratégia visava desgastar a reputação de Gaspar em um momento estratégico de articulações e composições eleitorais.
De acordo com o registro oficial das declarações, o recrutamento da jovem teria sido conduzido por um homem conhecido na região pelo apelido de Doidinho, que se apresentava como colaborador ligado ao meio político de Lindbergh. Os documentos apresentados aos investigadores incluem comprovantes de transferências bancárias que somam dezesseis mil e quinhentos reais, apontados pelo depoente como o pagamento efetuado à jovem em troca de sua adesão ao plano. O comerciante afirmou ter tomado conhecimento dos detalhes da transação por meio de outro funcionário de seu estabelecimento, morador da mesma comunidade da jovem.
O enredo relatado à Polícia Legislativa aponta que o plano previa apresentar Marcela sob a falsa identidade de “Jailma”, simulando que ela seria originária do estado de Alagoas. A estratégia consistia em conceder entrevistas à imprensa sustentando ter sido vítima de abusos na adolescência perpetrados por um político, dos quais teria surgido uma criança. Além disso, o depoente relatou que o projeto previa o posterior afastamento voluntário da jovem para que se pudesse acusar o parlamentar alagoano de intervir no desaparecimento da suposta vítima, aprofundando o desgaste de sua imagem pública diante do eleitorado no Facebook e nos portais de notícias.
O depoente sustentou em suas declarações que o deputado Lindbergh Farias não apenas demonstrava conhecimento do contexto durante reuniões virtuais sobre o assunto, mas integrava o grupo que debatia os desdobramentos da narrativa. Em virtude do foro por prerrogativa de função de que gozam os congressistas, o material compilado pela Polícia Legislativa passou pela análise da Corregedoria e da Mesa Diretora da Câmara antes de ser remetido ao Supremo Tribunal Federal. O caso foi distribuído ao gabinete do ministro Gilmar Mendes, que atualmente aguarda o parecer da Procuradoria-Geral da República para definir os próximos passos do procedimento.
Em nota oficial encaminhada à imprensa para rebater o teor das acusações, o deputado Lindbergh Farias classificou as declarações do comerciante como inverídicas e desprovidas de fundamento. O parlamentar fluminense afirmou desconhecer todos os nomes citados no relatório e negou veementemente ter participado de qualquer encontro virtual ou presencial com essa pauta. O deputado cobrou ainda que as autoridades competentes apurem rigorosamente as motivações por trás do depoimento prestado à Polícia Legislativa, questionando os interesses políticos existentes por trás da elaboração da acusação.
A remessa dos documentos ao Supremo Tribunal Federal coloca a investigação no centro dos debates políticos que antecedem a corrida eleitoral de 2026. Analistas apontam que a manifestação da Procuradoria-Geral da República será crucial para definir se haverá a abertura formal de um inquérito para apurar a conduta dos envolvidos ou o arquivamento da matéria. Enquanto as instâncias judiciais examinam o acervo probatório fornecido pela Polícia Legislativa, as lideranças partidárias e as assessorias jurídicas dos parlamentares acompanham com atenção os desdobramentos de um caso que expõe a complexidade das disputas de narrativas na capital federal.



