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Movimentação milionária após denúncia chama atenção em Brasília

Pensou por 1m 55s

A movimentação de emendas parlamentares destinadas à senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) entrou no centro do debate político após a divulgação de um levantamento que relaciona o calendário dos empenhos a um dos episódios mais controversos do encerramento da CPMI do INSS. Segundo dados do Siga Brasil e do Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento (Siop) compilados originalmente por O Antagonista e reproduzidos por outros veículos, R$ 65,29 milhões foram empenhados após 27 de março, data em que Soraya e o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) apresentaram à Polícia Federal uma notícia de fato contra Alfredo Gaspar (PL-AL). O volume chama atenção pelo momento em que os registros ocorreram, embora a proximidade das datas, isoladamente, não comprove relação entre a denúncia e a execução das emendas. 

Os números ajudam a dimensionar a repercussão. Até o levantamento, aproximadamente R$ 67,79 milhões haviam sido empenhados em emendas atribuídas à senadora durante 2026. Desse montante, os R$ 65,29 milhões registrados depois de 27 de março representam cerca de 96,31% do total empenhado até então. O Orçamento da União prevê aproximadamente R$ 74,01 milhões em emendas destinadas por Soraya neste ano, enquanto cerca de R$ 52,08 milhões já haviam sido efetivamente pagos. É importante diferenciar os conceitos: empenhar significa reservar formalmente o recurso no orçamento para determinada despesa; pagamento representa uma etapa posterior. Portanto, os números mostram uma concentração temporal relevante, mas não demonstram, por si mesmos, qualquer contrapartida política. 

O episódio que antecedeu a maior parte desses empenhos ocorreu em 27 de março, durante a apresentação do relatório final da CPMI do INSS. Naquela data, Lindbergh e Soraya protocolaram na Polícia Federal uma notícia de fato contendo uma acusação grave contra Alfredo Gaspar, então relator da comissão. Gaspar negou as alegações desde o início e anunciou que adotaria medidas judiciais. Paralelamente, o relatório elaborado pelo parlamentar propunha o indiciamento de mais de 200 pessoas e incluía Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na madrugada seguinte, o documento foi rejeitado por 19 votos a 12, fazendo com que a CPMI encerrasse os trabalhos sem um relatório final aprovado. 

O caso ganhou uma nova dimensão meses depois, quando surgiu um depoimento colhido pela Polícia Legislativa da Câmara. Conforme documento posteriormente encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, um comerciante ouvido virtualmente em 23 de abril afirmou que uma mulher identificada como Marcela Maria Mendes teria sido preparada para utilizar outra identidade e apresentar uma narrativa falsa envolvendo Gaspar. O depoente declarou ainda que sua conta bancária teria sido utilizada para receber valores destinados à jovem e mencionou três transferências: R$ 4 mil, R$ 10 mil e R$ 2,5 mil. Segundo a reportagem que teve acesso ao documento, comprovantes das duas últimas operações foram apresentados à Polícia Legislativa. Essas informações fazem parte da versão do depoente e ainda dependem de confirmação pelas autoridades. 

Outro ponto sensível do relato envolve Lindbergh Farias. O comerciante afirmou acreditar que o deputado teria participado virtualmente de uma reunião relacionada ao episódio e mencionou pessoas que, segundo sua versão, possuíam vínculos com o ambiente político do parlamentar. Isso não constitui prova de participação de Lindbergh em eventual montagem. O deputado nega envolvimento e contesta a narrativa. O material chegou ao STF justamente depois de o nome de um parlamentar com foro por prerrogativa de função aparecer no depoimento. Ao mesmo tempo, a acusação original apresentada contra Gaspar continua sob análise, e o Supremo solicitou novos esclarecimentos de Soraya e Lindbergh. Dessa forma, existem hoje versões conflitantes e elementos documentais que ainda precisam ser examinados antes de qualquer conclusão definitiva. 

A sequência dos acontecimentos deve continuar produzindo repercussões no cenário político, especialmente porque Gaspar foi anunciado como candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro, enquanto Soraya aparece atualmente no registro oficial do Senado como integrante do PSB de Mato Grosso do Sul. Há fatos objetivos que merecem atenção: os R$ 65,29 milhões foram empenhados depois de 27 de março segundo o levantamento citado; Soraya e Lindbergh apresentaram a notícia de fato naquela data; o relatório de Gaspar foi rejeitado na CPMI; e posteriormente surgiu um depoimento alegando uma possível montagem da narrativa original. O que não é possível afirmar, com as informações disponíveis, é que as emendas tenham representado recompensa política ou que tenha sido definitivamente comprovada uma articulação para produzir uma acusação falsa. A resposta dependerá do avanço das investigações e da verificação das provas pelas autoridades competentes. 

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