Senado dos EUA aprova indicado de Trump para embaixada no Brasil

O Senado dos Estados Unidos aprovou nesta sexta-feira (7) a indicação do republicano Daniel Perez para assumir o cargo de embaixador norte-americano no Brasil, avançando mais uma etapa do processo iniciado pelo presidente Donald Trump no começo de junho. A nomeação de Perez foi analisada em conjunto com dezenas de outros nomes escolhidos pelo governo para ocupar cargos diplomáticos e funções no Departamento de Estado. O bloco recebeu 51 votos favoráveis e 47 contrários, segundo informações divulgadas após a sessão. Apesar da aprovação no Legislativo norte-americano, Perez ainda não está autorizado a assumir oficialmente a representação diplomática em Brasília. Para isso, os Estados Unidos aguardam o chamado “agrément”, manifestação formal por meio da qual o governo brasileiro aceita o nome apresentado para comandar a embaixada no país.
Daniel Perez é um político republicano da Flórida e ocupa a presidência da Câmara de Representantes estadual. Filho de imigrantes cubanos, nasceu em Nova York e mudou-se ainda criança com a família para a região de Miami. O parlamentar possui proximidade política com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, também de origem cubana e figura influente no governo Trump. A Casa Branca anunciou Perez como escolhido para o posto no Brasil em 1º de junho. Em 22 de julho, a Comissão de Relações Exteriores do Senado aprovou seu nome por 13 votos a 8, encaminhando a indicação para a avaliação do plenário. Com a votação desta sexta-feira, foi concluída a etapa interna de confirmação pelo Senado, mas o processo diplomático continua dependendo da resposta oficial de Brasília.
A votação ocorreu dentro de um pacote de 74 nomeações encaminhadas pelo governo Trump e analisadas em bloco pelo Senado. O conjunto contempla postos em diferentes áreas da administração norte-americana e representações diplomáticas em diversos países. O calendário executivo da Casa previa que as indicações fossem analisadas antes do início do recesso parlamentar, período em que os senadores deixarão Washington por várias semanas. A decisão sobre o grupo de nomes estava inicialmente prevista para avançar mais cedo, mas ajustes e negociações sobre a agenda legislativa interferiram no cronograma. Nesta sexta-feira, o Senado retomou a análise conforme o acordo estabelecido entre as lideranças e concluiu a votação. Para Perez, o resultado representou a superação da principal etapa política exigida dentro dos Estados Unidos para que sua nomeação diplomática possa seguir adiante.
A próxima etapa, porém, envolve diretamente o governo brasileiro. No fim de junho, Washington encaminhou ao Ministério das Relações Exteriores o pedido formal de agrément de Daniel Perez. Esse procedimento é comum nas relações diplomáticas e permite que o país que receberá o representante estrangeiro analise previamente a indicação. Não existe um prazo rígido para que o Brasil apresente uma resposta. Em julho, informações divulgadas pela imprensa indicavam que o Palácio do Planalto e o Itamaraty pretendiam realizar uma avaliação criteriosa do nome, sem estabelecer uma data para concluir o processo. Enquanto o agrément não for concedido, Perez não poderá assumir plenamente suas funções como embaixador em Brasília, mesmo após ter recebido a confirmação do Senado dos Estados Unidos.
A indefinição ocorre em um momento de maior tensão nas relações diplomáticas entre Brasília e Washington. Nesta semana, o governo dos Estados Unidos revogou o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, em meio a divergências envolvendo a demora na aprovação de Perez e questões relacionadas à concessão de vistos a diplomatas norte-americanos. Autoridades dos dois países apresentaram interpretações diferentes sobre a situação. Washington criticou o tempo empregado pelo Brasil para analisar o indicado, enquanto representantes brasileiros sustentaram que o procedimento segue as prerrogativas diplomáticas do país. O episódio acrescentou um novo elemento às relações entre os governos de Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva, que já enfrentavam divergências em outras áreas da agenda bilateral.
Com a confirmação pelo Senado, a atenção agora se concentra na decisão brasileira. A aprovação de Daniel Perez pelos parlamentares norte-americanos não obriga o Brasil a conceder imediatamente o agrément, já que a aceitação de um embaixador faz parte das atribuições do país que receberá o representante diplomático. Caso Brasília dê o aval, os procedimentos necessários para a posse poderão avançar e Perez estará apto a assumir a embaixada dos Estados Unidos no Brasil, posto que está sem um titular permanente desde a saída de Elizabeth Bagley, embaixadora durante o governo Joe Biden. Até que haja uma manifestação oficial brasileira, porém, o cenário permanece indefinido. A votação desta sexta-feira encerra uma etapa importante em Washington, mas deixa a próxima decisão nas mãos do governo brasileiro em um período particularmente sensível para a relação entre os dois países.



