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Folha corrige informação sobre Alfredo Gaspar e situação no STF ganha nova atenção

A Folha de S.Paulo divulgou uma correção após publicar uma informação imprecisa sobre o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), escolhido como vice na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). No conteúdo original, publicado na quarta-feira (5), o jornal afirmou que o parlamentar era investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) por uma acusação grave envolvendo uma adolescente. A errata esclareceu que essa situação processual não estava correta: até aquele momento, não havia inquérito formalmente aberto contra Gaspar no Supremo. O que existia era um pedido para que a investigação fosse autorizada, questão ainda submetida à análise do ministro Gilmar Mendes. A correção ganhou repercussão porque ocorreu após o anúncio de Gaspar como candidato a vice e colocou sob atenção pública a diferença entre ser alvo de um pedido de investigação e efetivamente figurar como investigado.

O caso teve origem em representações apresentadas pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) e pela senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS). A Polícia Federal encaminhou ao STF um pedido de abertura de inquérito para apurar os fatos relatados. Como Gaspar é deputado federal, o procedimento passa pelo Supremo em razão do foro ligado ao mandato. Gilmar Mendes ficou responsável pela análise e solicitou manifestação da Procuradoria-Geral da República antes de decidir sobre a abertura da apuração. Segundo a CNN Brasil, nesta quinta-feira (6) a PGR pediu novas diligências, enquanto a autorização para o inquérito permanecia pendente. A expectativa é que a Polícia Federal conclua essa etapa em agosto, permitindo nova análise do ministro.

As acusações apresentadas pelos parlamentares mencionam uma suposta situação ocorrida anos atrás e envolvem a alegação de que Gaspar teria mantido relação com uma adolescente de 13 anos, da qual teria resultado uma gravidez. Também foi relatada uma suposta tentativa de oferecer vantagem à família para impedir a divulgação do episódio. É fundamental destacar, porém, que essas afirmações fazem parte de uma representação enviada às autoridades e não equivalem a uma conclusão judicial. Até o momento, não há decisão do STF reconhecendo responsabilidade do deputado, e o procedimento ainda está em fase anterior à abertura formal do inquérito. Pedido de apuração, investigação instaurada, denúncia e condenação são etapas jurídicas diferentes e precisam ser apresentadas com precisão.

Alfredo Gaspar rejeita as acusações e afirma que elas são falsas. Em abril, o parlamentar informou ter fornecido material genético para a realização de exame de DNA, dizendo que a iniciativa buscava contribuir para o esclarecimento do caso. Ele também adotou medidas judiciais contra os parlamentares responsáveis pelas acusações e sustenta que o episódio estaria relacionado à sua atuação na CPMI do INSS. Em discurso na Câmara, Gaspar pediu que as autoridades apurassem os fatos e afirmou que não haveria elementos capazes de confirmar a versão apresentada contra ele. A realização do exame e as declarações do deputado, contudo, integram sua defesa e não substituem a avaliação das autoridades responsáveis.

A dimensão política aumentou depois que Flávio Bolsonaro anunciou Gaspar como candidato a vice na eleição presidencial de 2026. O deputado foi relator da CPMI do INSS e apresentou, ao fim dos trabalhos, um relatório que sugeria o indiciamento de 216 pessoas, entre elas Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O documento acabou rejeitado pela comissão por 19 votos a 12 e não se tornou o relatório final do colegiado. Gaspar relaciona as acusações ao ambiente de confronto político em torno da CPMI, enquanto os autores da representação defendem que os fatos sejam apurados. Com sua entrada na chapa presidencial, o episódio ganhou exposição nacional.

A correção atribuída à Folha evidencia um ponto essencial na cobertura de temas jurídicos e políticos: a situação processual de uma pessoa deve ser descrita com exatidão. Dizer que alguém “é investigado” transmite uma informação diferente de afirmar que existe um pedido para abertura de investigação ainda aguardando autorização judicial. No caso de Alfredo Gaspar, as informações disponíveis nesta quinta-feira (6) indicavam que a Polícia Federal havia pedido a abertura do inquérito, que Gilmar Mendes ainda não havia autorizado formalmente a apuração e que a PGR havia solicitado diligências adicionais. Paralelamente, o deputado mantém sua negativa. Os próximos passos dependerão das providências oficiais e das decisões do STF, que determinarão se a apuração será aberta ou se o pedido terá outro desfecho.

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