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PF diz que Careca do INSS era chamado de “senza capelli”

A Polícia Federal revelou novos detalhes da Operação Sem Desconto ao informar que encontrou mensagens com codinomes e linguagem cifrada entre pessoas investigadas por um suposto esquema de fraudes envolvendo benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O material foi obtido a partir da análise de aparelhos eletrônicos apreendidos durante a investigação e faz parte do relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo a PF, o então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, utilizava apelidos para se referir a alguns dos investigados. Um dos exemplos destacados pelos investigadores envolve o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Nas conversas analisadas, ele aparecia identificado como “motoqueiro” e também como “senza capelli”, expressão em italiano que significa “sem cabelo” ou “careca”.

De acordo com o relatório, outros participantes também eram mencionados por nomes diferentes dos verdadeiros. O ex-procurador-geral do INSS, Virgílio Filho, era chamado de “malvado”. Já Carlos Roberto Ferreira Lopes, ex-presidente da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), aparecia nas mensagens como “painho” e “funai”. Conforme informado pela Polícia Federal, ele é considerado foragido.

Os investigadores afirmam que o uso desses codinomes tinha como objetivo dificultar a identificação das pessoas envolvidas e esconder o verdadeiro conteúdo das conversas relacionadas ao suposto esquema. Esse tipo de estratégia, segundo a PF, é comum em investigações que apuram organizações suspeitas de atuar de forma estruturada.

O relatório também informa que 48 pessoas foram indiciadas por suspeita de envolvimento em crimes como corrupção e outras infrações ligadas às irregularidades investigadas. Entre os principais nomes apontados está Antônio Carlos Camilo Antunes, que, segundo a Polícia Federal, teria exercido papel importante na articulação dos descontos considerados irregulares em aposentadorias e pensões por meio de associações.

A investigação integra a Operação Sem Desconto, que apura cobranças feitas sem autorização em benefícios pagos pelo INSS. O caso ganhou grande repercussão após a divulgação das primeiras informações sobre o funcionamento do esquema e continua sendo acompanhado pelas autoridades.

Ainda conforme a Polícia Federal, as irregularidades investigadas podem ter causado um prejuízo estimado em cerca de R$ 6 bilhões aos beneficiários do instituto. Esse valor representa uma estimativa apresentada durante a investigação e será analisado ao longo do andamento dos processos.

O envio do primeiro relatório final ao STF representa uma nova etapa das apurações. A partir dele, caberá ao Ministério Público avaliar as informações reunidas e decidir sobre os próximos passos em relação aos investigados. Como ocorre em qualquer investigação criminal, os indiciados têm direito à ampla defesa e ao contraditório durante todo o processo.

O caso segue entre os assuntos de maior destaque no cenário nacional por envolver recursos destinados a aposentados e pensionistas. As investigações continuam, e novas informações poderão surgir à medida que a análise das provas avance e as autoridades concluam as próximas fases da Operação Sem Desconto.
 

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