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Lula bate o martelo e adota nova estratégia

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve adotar uma postura mais restritiva em relação ao uso de inteligência artificial durante a disputa eleitoral de 2026. A decisão foi tomada por integrantes da estratégia de comunicação do partido e considera tanto as novas regras estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) quanto a intenção de construir uma imagem de autenticidade para o presidente ao longo da campanha. 

De acordo com integrantes da coordenação petista, a inteligência artificial continuará sendo utilizada em atividades internas, como organização de informações, planejamento de conteúdos e apoio na produção de materiais de comunicação. No entanto, a orientação é evitar que vídeos, imagens ou peças publicitárias divulgadas ao público sejam produzidas integralmente por IA, especialmente quando envolverem a imagem ou a voz de Lula.

A avaliação dentro do partido é que a presença direta do presidente em vídeos e eventos continuará sendo um dos principais diferenciais da campanha. Integrantes da equipe acreditam que reforçar uma comunicação baseada em imagens reais pode transmitir maior credibilidade aos eleitores em um momento em que cresce a preocupação com conteúdos manipulados digitalmente.

Nos bastidores, dirigentes também avaliam que essa estratégia cria uma diferenciação em relação a adversários que vêm utilizando recursos de inteligência artificial em materiais de divulgação. Entre os exemplos citados por integrantes do PT estão vídeos publicados pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que utilizam ferramentas de IA para criar cenários e animações envolvendo personagens públicos.

Além da estratégia política, outro fator que pesou na decisão foi a preocupação com a legislação eleitoral. O Tribunal Superior Eleitoral aprovou novas regras para as eleições de 2026 que ampliam o controle sobre o uso de inteligência artificial na propaganda eleitoral. Entre as normas estão a obrigatoriedade de identificar conteúdos produzidos ou alterados por IA, a proibição de deepfakes e restrições à divulgação de novos conteúdos sintéticos nos dias que antecedem e sucedem a votação. 

As resoluções aprovadas pelo TSE também determinam que qualquer material criado com inteligência artificial deverá informar de maneira clara que houve utilização da tecnologia. O objetivo é aumentar a transparência para os eleitores e reduzir os riscos de desinformação durante o processo eleitoral. 

O debate sobre inteligência artificial ganhou força nos últimos meses após o avanço das ferramentas capazes de reproduzir imagens, vozes e vídeos com alto grau de realismo. Especialistas alertam que o uso indiscriminado dessa tecnologia pode facilitar a circulação de conteúdos falsos, manipulações e montagens capazes de influenciar o eleitorado.

O próprio presidente Lula já havia manifestado preocupação com esse cenário antes mesmo do início oficial da campanha. Em discurso realizado na Bahia, o petista afirmou que a inteligência artificial pode ser utilizada para criar situações inexistentes e defendeu que campanhas eleitorais sejam conduzidas com base na presença real dos candidatos. Na ocasião, declarou que não pretende utilizar versões artificiais de sua imagem para participar de atos políticos simultaneamente em diferentes estados. 

A preocupação também é compartilhada pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques. Desde que assumiu o comando da Corte, o magistrado classificou a inteligência artificial como um dos principais desafios das eleições deste ano e anunciou iniciativas para fortalecer o combate ao uso irregular da tecnologia durante o processo eleitoral. 

Entre essas medidas está a criação de uma comissão permanente destinada a acompanhar a evolução das ferramentas de IA, propor mecanismos de combate à desinformação e orientar magistrados e servidores sobre a aplicação das novas regras eleitorais. O grupo também deverá acompanhar o desenvolvimento tecnológico e sugerir eventuais ajustes nas normas conforme surgirem novas ferramentas digitais. 

O TSE ainda firmou um compromisso com partidos políticos para incentivar o uso responsável da inteligência artificial durante a campanha de 2026. O documento reforça a necessidade de preservar a integridade das eleições e evitar conteúdos manipulados capazes de enganar o eleitorado. 

Enquanto a campanha de Lula aposta em limitar o uso da tecnologia em suas peças públicas, o tema deve continuar ocupando espaço central no debate eleitoral. A expectativa é que a inteligência artificial seja uma das principais questões discutidas durante todo o processo eleitoral, tanto pelo impacto na comunicação política quanto pelos desafios que representa para o combate à desinformação e para a preservação da confiança dos eleitores nas informações divulgadas durante a campanha.

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