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Eduardo diz por que Bolsonaro não pode confiar em ninguém além dos filhos

As declarações do deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro voltaram a movimentar o cenário político nesta semana. Em entrevista concedida na quarta-feira (8), ele fez um longo desabafo ao comentar críticas direcionadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro por pessoas que, segundo ele, já fizeram parte do grupo de aliados da família.

O trecho da entrevista ganhou repercussão nas redes sociais depois que Eduardo compartilhou um recorte em seus perfis. A fala ocorreu poucos dias após o deputado federal Zé Trovão (PL-SC) afirmar, durante participação em um podcast, que Jair Bolsonaro teria agido de forma “covarde” em determinadas situações. A declaração provocou reações imediatas entre apoiadores do ex-presidente.

Na entrevista ao jornal Comunica Brasil, Eduardo respondeu diretamente às críticas de Zé Trovão. Segundo ele, o parlamentar catarinense recebeu apoio importante do ex-presidente em um momento considerado delicado de sua trajetória política.

Eduardo relembrou o período em que Zé Trovão permaneceu no México após ser alvo de investigações relacionadas às manifestações de caminhoneiros. De acordo com o filho do ex-presidente, houve articulações para que o retorno ao Brasil acontecesse com garantias jurídicas, embora, posteriormente, o deputado tenha sido submetido ao uso de tornozeleira eletrônica por decisão da Justiça.

Durante o desabafo, Eduardo afirmou que Jair Bolsonaro teria contribuído politicamente para que Zé Trovão permanecesse no Partido Liberal e disputasse uma vaga na Câmara dos Deputados. Na avaliação dele, muitos candidatos acabam sendo beneficiados pelo apoio do eleitorado ligado ao ex-presidente, mesmo quando não possuem grande votação própria.

O ex-deputado também comentou sua própria situação. Vivendo atualmente nos Estados Unidos, Eduardo questionou a crítica feita por Zé Trovão e sugeriu que, caso estivesse na mesma posição do parlamentar catarinense durante aquele episódio, talvez também fosse alvo de acusações semelhantes.

Outro ponto que chamou atenção foi a defesa da participação dos filhos de Jair Bolsonaro na política. Eduardo afirmou que episódios envolvendo antigos aliados ajudam a explicar por que o ex-presidente costuma confiar mais em familiares para disputar cargos públicos.

Nesse contexto, ele citou Jair Renan Bolsonaro como exemplo e argumentou que muitas pessoas questionam a presença dos filhos do ex-presidente na política sem considerar experiências anteriores com aliados que, segundo ele, romperam relações após receberem apoio.

 
O desabafo também atingiu a deputada estadual Ana Campagnolo (PL-SC). Eduardo demonstrou insatisfação com a posição da parlamentar em relação à possibilidade de Carlos Bolsonaro disputar uma vaga ao Senado por Santa Catarina. Embora não tenha detalhado o episódio, deixou claro seu descontentamento com a resistência dentro do próprio partido.

Além disso, Eduardo mencionou nomes como Alexandre Frota e Joice Hasselmann, antigos aliados do ex-presidente que hoje seguem caminhos políticos diferentes. Para ele, esses casos reforçam a ideia de que Jair Bolsonaro teria motivos para depositar maior confiança em seus próprios familiares.

As declarações rapidamente repercutiram entre parlamentares, apoiadores e adversários políticos. O episódio evidencia que as divergências internas continuam presentes no campo conservador, especialmente em um momento em que diferentes lideranças começam a se posicionar de olho nas próximas disputas eleitorais.

Enquanto isso, o debate sobre lealdade política, alianças e sucessão dentro da direita brasileira permanece em evidência, mostrando que as discussões internas do grupo ainda devem ocupar espaço no noticiário nos próximos meses.
 

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