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Eduardo Bolsonaro participa de reunião com senadores dos Estados Unidos

Eduardo Bolsonaro se reuniu com senadores dos Estados Unidos para tratar diretamente de temas ligados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o deputado licenciado, o encontro teve como foco discutir a situação política e institucional do Brasil, com críticas à atuação de Moraes e menções ao governo Lula no contexto das articulações feitas por aliados do bolsonarismo no exterior. A agenda reforça o movimento do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro de ampliar sua atuação internacional em meio ao avanço de disputas políticas e judiciais que envolvem a família no Brasil.

A movimentação foi divulgada pelo próprio Eduardo nas redes sociais e faz parte de uma estratégia mais ampla de aproximação com setores conservadores norte-americanos, especialmente nomes ligados ao Partido Republicano e ao entorno do ex-presidente Donald Trump. Nos bastidores, a avaliação é de que o ex-deputado tenta manter viva a ponte construída nos últimos anos entre o bolsonarismo e a direita dos Estados Unidos, apostando nesse vínculo como um ativo político importante para a corrida eleitoral de 2026 e para a consolidação da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto.

Segundo as informações divulgadas sobre a reunião, Eduardo levou aos senadores sua versão sobre o cenário político brasileiro, reforçando críticas ao governo Lula e ao Supremo, especialmente ao papel de Alexandre de Moraes em processos que atingem diretamente aliados e familiares do ex-presidente. O encontro foi apresentado como mais uma etapa da ofensiva bolsonarista no exterior para internacionalizar o embate travado no Brasil, numa tentativa de sensibilizar lideranças estrangeiras sobre temas que a direita brasileira considera centrais no debate institucional e eleitoral.

A agenda em Washington não aconteceu isoladamente. Nas últimas semanas, Flávio Bolsonaro também esteve nos Estados Unidos e participou de encontros com integrantes do governo norte-americano, em uma operação política que contou com a presença de Eduardo e evidenciou uma atuação coordenada da família. O objetivo, na prática, é mostrar que o bolsonarismo segue com acesso a figuras influentes da direita internacional, mesmo em um momento de forte pressão judicial e desgaste no cenário doméstico. A ideia é simples: se a situação aperta no Brasil, a vitrine internacional vira instrumento de sobrevivência política.

No caso de Eduardo, esse tipo de articulação tem um peso ainda maior porque ele tenta ocupar uma espécie de papel diplomático informal do bolsonarismo. Fora do Congresso, mas ainda muito ativo politicamente, ele passou a investir em viagens, eventos e encontros estratégicos para manter relevância no debate público. Não é de hoje que o deputado licenciado aposta nesse caminho. Em outras ocasiões, já se aproximou de lideranças conservadoras estrangeiras e buscou transformar esses contatos em demonstrações de prestígio e influência, algo que conversa diretamente com a base ideológica do bolsonarismo.

A leitura dentro do grupo político da família é de que essa agenda internacional cumpre duas funções ao mesmo tempo. A primeira é alimentar a narrativa de que a direita brasileira segue conectada à nova onda conservadora que avança em diferentes países, como Estados Unidos, Argentina e Colômbia. A segunda é servir como escudo político num momento em que o cerco judicial sobre o entorno de Jair Bolsonaro continua produzindo desdobramentos sensíveis. Em vez de apenas reagir ao noticiário brasileiro, o bolsonarismo tenta fabricar fatos fora do país para manter sua militância mobilizada e reforçar a imagem de força.

Ao transformar reuniões com senadores norte-americanos em peça de comunicação política, Eduardo Bolsonaro manda um recado bastante calculado: o bolsonarismo quer mostrar que continua vivo, articulado e com trânsito entre figuras influentes da direita global. Mais do que um encontro protocolar, a conversa nos Estados Unidos foi usada como símbolo de uma estratégia maior, em que Lula, Moraes e o Supremo aparecem como alvos centrais do discurso levado ao exterior. No fim das contas, o roteiro é claro: projetar internacionalmente a disputa brasileira e usar esse capital político como combustível para a guerra eleitoral que, na prática, já começou.

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