Governo Federal se manifesta após morte trágica em ponte de Limeira

A morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante um salto de rope jump na Ponte do Esqueleto, entre Limeira e Cordeirópolis, no interior de São Paulo, chocou o país neste fim de semana. A jovem caiu de aproximadamente 40 metros de altura após ser lançada sem que a corda de segurança estivesse devidamente conectada, o que configurou um erro fatal dos organizadores da atividade. O acidente ocorreu no último sábado, dia 13 de junho, e Maria Eduarda não resistiu aos politraumatismos sofridos, vindo a óbito no local.
De acordo com as investigações iniciais da Polícia Civil, o rope jump era realizado de forma irregular, sem as devidas autorizações e com falhas graves de segurança. Seis pessoas foram detidas, entre instrutores e organizadores, sendo três presas em flagrante por homicídio com dolo eventual. A Justiça decretou a prisão preventiva de parte dos envolvidos, que agora respondem pelo caso em um inquérito que apura as circunstâncias exatas do acidente e possíveis negligências.
A ponte onde ocorreu a tragédia é um bem da União, administrado pela Secretaria do Patrimônio da União (SPU), vinculada ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos. Desativada há décadas, a estrutura ferroviária antiga tem sido alvo de invasões e uso inadequado por grupos de lazer extremo, apesar de sucessivos alertas sobre os riscos. A transferência patrimonial para a SPU foi concluída recentemente, em março deste ano.
Em nota oficial divulgada após o acidente, a Secretaria do Patrimônio da União lamentou a “morte trágica” da jovem e expressou solidariedade à família e aos amigos. O órgão federal ressaltou que nunca concedeu qualquer tipo de autorização para a realização de atividades esportivas ou de lazer na ponte, reforçando que a prática ocorreu sem seu consentimento ou supervisão.
A SPU informou ainda que, desde 2024, vem solicitando apoio das prefeituras de Limeira e Cordeirópolis para o bloqueio efetivo do acesso à estrutura, com o objetivo de prevenir acidentes como o que vitimou Maria Eduarda. O governo federal colocou-se à disposição das autoridades policiais para colaborar com as investigações em andamento.
Por outro lado, a Prefeitura de Limeira anunciou que ingressará com ação judicial contra a União, alegando omissão na fiscalização, manutenção e controle de acesso à ponte. Autoridades municipais afirmam cobrar providências do governo federal desde o ano passado, destacando a dificuldade de gerir um patrimônio federal localizado em território local sem apoio efetivo.
O caso reacende o debate sobre a responsabilidade compartilhada entre entes federativos na gestão de bens públicos desativados e os riscos associados a modalidades radicais de esporte quando realizadas sem os padrões mínimos de segurança. Enquanto as apurações prosseguem, a tragédia serve como alerta sobre a necessidade de maior integração entre órgãos públicos para evitar novas perdas evitáveis.



