Delegado relata a Moraes que escolta impediu intimação de Bolsonaro

A tentativa da Polícia Civil do Distrito Federal de ouvir o ex-presidente Jair Bolsonaro em uma investigação envolvendo uma arma de fogo registrada em seu nome ganhou um novo capítulo nesta semana. De acordo com informações encaminhadas ao Supremo Tribunal Federal (STF), os investigadores não conseguiram concluir a intimação pessoal do ex-chefe do Executivo, o que levou o caso a ser comunicado ao ministro Alexandre de Moraes.
O relato foi apresentado pelo delegado Thiago Boeing, responsável pela 17ª Delegacia de Polícia de Taguatinga Norte. Segundo ele, a equipe de escolta que acompanha Bolsonaro teria impedido o cumprimento do procedimento, dificultando o contato direto dos agentes responsáveis pela investigação.
O caso está relacionado à apreensão de uma pistola registrada em nome do ex-presidente. O armamento foi encontrado com um integrante do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) durante uma fiscalização realizada no Distrito Federal. A ocorrência chamou a atenção das autoridades e motivou a abertura de um inquérito para esclarecer as circunstâncias em que a arma estava sendo transportada.
Diante da impossibilidade de concluir a intimação presencial, a Polícia Civil solicitou autorização para que Bolsonaro seja ouvido por videoconferência. A previsão é que o depoimento ocorra no dia 24 de junho, às 15h, caso haja autorização judicial para a realização do procedimento.
Em manifestação enviada ao STF, a defesa do ex-presidente apresentou sua versão dos fatos. Segundo o documento, Bolsonaro teria entregue a pistola ao agente responsável após identificar uma falha mecânica no equipamento. Ainda de acordo com os advogados, a arma estaria sem condições de funcionamento porque integrantes da equipe de segurança teriam retirado uma peça essencial do mecanismo sem que ele tivesse conhecimento prévio da alteração.
A investigação busca esclarecer todos os detalhes envolvendo a posse temporária da arma pelo servidor do GSI. Os agentes pretendem confirmar quando o armamento foi entregue, qual seria o objetivo da manutenção e quais procedimentos foram adotados durante esse período.
Durante depoimento prestado à polícia, o policial militar responsável pela abordagem relatou que o integrante do GSI informou trabalhar na equipe ligada ao ex-presidente. Questionado sobre a origem da pistola, o servidor teria afirmado que o armamento pertencia a Bolsonaro.
Segundo o mesmo relato, a arma foi entregue ao agente na segunda-feira para avaliação de um possível defeito mecânico. A expectativa era concluir a análise técnica e devolver o equipamento no dia seguinte, após a verificação necessária.
O episódio ocorre em um momento de forte atenção pública sobre processos envolvendo figuras políticas de destaque nacional. Por isso, cada etapa da investigação vem sendo acompanhada de perto por autoridades, profissionais do direito e pela imprensa.
Especialistas observam que a realização de depoimentos por videoconferência tornou-se uma prática cada vez mais comum nos últimos anos, especialmente em situações que envolvem restrições judiciais, questões logísticas ou medidas de segurança específicas. O formato permite que os investigadores obtenham esclarecimentos sem a necessidade de deslocamentos ou procedimentos presenciais mais complexos.
Nos próximos dias, a decisão sobre a autorização do depoimento virtual deverá definir os rumos imediatos da apuração. Até lá, a Polícia Civil segue reunindo informações para concluir o inquérito e esclarecer todos os pontos relacionados à circulação e à manutenção da arma registrada em nome do ex-presidente.



