Ministro admite que governo Lula errou ao superestimar cálculo político no Congresso

O ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Wellington Dias, fez uma análise franca sobre os desafios enfrentados pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em sua relação com o Congresso Nacional. Em declaração recente, o ministro avaliou que uma das principais falhas políticas do terceiro mandato de Lula foi a tentativa de construir uma maioria qualificada no Senado e na Câmara dos Deputados, em vez de concentrar esforços na manutenção de uma base sólida capaz de garantir a aprovação da maior parte das propostas governamentais.
Segundo Wellington Dias, a estratégia de buscar apoio equivalente a dois terços do Parlamento acabou desviando a atenção de um objetivo mais realista e necessário para a governabilidade. Na visão dele, uma maioria simples seria suficiente para aprovar cerca de 95% das matérias que tramitam no Legislativo.
O ministro destacou que, após as eleições de 2022, o governo iniciou o mandato com uma posição considerada favorável. No Senado, havia o apoio de 39 parlamentares. Já na Câmara dos Deputados, cerca de 242 deputados participaram, de alguma forma, da campanha presidencial de Lula, seja no primeiro ou no segundo turno.
Para Wellington, o desafio não era conquistar uma ampla maioria, mas preservar e fortalecer os apoios já existentes. Ele afirmou que o governo deveria ter investido mais no diálogo político e na valorização dos parlamentares aliados para ampliar gradualmente sua base.
A discussão ganha ainda mais relevância diante das mudanças ocorridas no cenário político ao longo de 2025. Em setembro daquele ano, os partidos União Brasil e Progressistas anunciaram o afastamento formal da base governista durante o processo de consolidação da federação União Progressista. A decisão alterou significativamente o equilíbrio de forças no Congresso, levando mais de uma centena de deputados e uma dúzia de senadores para uma posição de independência ou oposição ao governo.
Ao mesmo tempo, a movimentação pré-eleitoral provocou mudanças importantes entre lideranças políticas. A senadora Soraya Thronicke, por exemplo, deixou o União Brasil e passou a integrar o PSB, legenda que mantém proximidade com o Palácio do Planalto. Em diversas ocasiões, a parlamentar demonstrou posições favoráveis a pautas defendidas pelo governo federal.
Outro movimento de destaque envolveu o senador Sergio Moro, que decidiu trocar o União Brasil pelo PL. O ex-juiz e ex-ministro pretende disputar o governo do Paraná e passa a integrar uma sigla que busca fortalecer sua presença nas eleições dos próximos anos.
Diante desse cenário, Wellington Dias acredita que as articulações eleitorais podem abrir novas oportunidades de diálogo entre o Executivo e o Congresso. Para ele, a construção de alianças regionais tende a aproximar parlamentares do governo quando há participação efetiva nas entregas realizadas à população.
O ministro defende que deputados e senadores sejam reconhecidos como parceiros na implementação de obras, programas sociais e investimentos federais em seus estados e municípios. Segundo sua avaliação, quando os representantes políticos conseguem apresentar resultados concretos para suas bases eleitorais, o vínculo com o governo tende a se fortalecer de forma natural.
Com as eleições se aproximando e as negociações políticas ganhando intensidade, a relação entre o Planalto e o Congresso continua sendo um dos temas centrais da política brasileira. As declarações de Wellington Dias revelam uma reflexão interna sobre os caminhos adotados até aqui e indicam que a busca por maior estabilidade parlamentar deverá ocupar papel importante nas estratégias do governo nos próximos meses.



