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Medida dos EUA pode acelerar ações de Moraes e da PF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e a Polícia Federal devem intensificar, nos próximos dias, as investigações que apuram a relação entre integrantes de milícias do Rio de Janeiro, autoridades públicas e membros da facção criminosa Comando Vermelho (CV). Segundo informações divulgadas pela coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles, novas operações da PF já estariam sendo preparadas com autorização do magistrado.

De acordo com fontes ligadas à Polícia Federal e ao Supremo Tribunal Federal, as investigações avançaram nas últimas semanas e abriram caminho para novas medidas contra suspeitos envolvidos no esquema investigado. As apurações fazem parte de uma ofensiva iniciada pela PF para identificar possíveis ligações entre agentes públicos, policiais e integrantes da organização criminosa.

O avanço das investigações acontece poucos dias após os Estados Unidos oficializarem a classificação do Comando Vermelho e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. A decisão do governo norte-americano provocou repercussão internacional e ampliou a pressão sobre autoridades brasileiras no combate às facções criminosas.

Segundo a publicação, as novas ações da Polícia Federal deverão ocorrer dentro da operação batizada de “Anomalia”, que investiga suspeitas de obstrução de investigações relacionadas ao Comando Vermelho, além de possíveis esquemas de extorsão de traficantes, favorecimento a criminosos internacionais e apoio logístico a integrantes da facção.

Em março deste ano, a PF realizou três fases da operação e cumpriu mandados de busca, apreensão e prisão contra suspeitos ligados ao esquema investigado. Entre os alvos estavam integrantes das forças de segurança pública, incluindo um delegado da Polícia Federal, um delegado da Polícia Civil, dois policiais civis e sete policiais militares.

As investigações apontam que agentes públicos teriam atuado para beneficiar integrantes do Comando Vermelho e dificultar ações policiais contra a organização criminosa. Segundo os investigadores, o grupo também seria responsável pelo vazamento de informações sigilosas para criminosos ligados ao tráfico de drogas.

A mesma investigação já levou à prisão do ex-deputado estadual Thiego dos Santos, conhecido como TH Joias, além do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar, filiado ao União Brasil. Ambos foram apontados como suspeitos de fornecer informações privilegiadas a integrantes da facção criminosa.

Em decisões relacionadas ao caso, Alexandre de Moraes afirmou que organizações criminosas passaram a ampliar sua influência para além do domínio territorial obtido pela força armada. Segundo o ministro, essas estruturas também passaram a exercer infiltração política em diferentes esferas do poder público.

“Além do domínio territorial mediante uso da força, as organizações criminosas se destacam pela infiltração política que tais grupos alcançaram nos últimos anos, seja na esfera municipal, estadual e federal”, destacou Moraes em manifestação mencionada na reportagem.

As autoridades investigam se integrantes das milícias e agentes públicos atuavam em conjunto para favorecer interesses do Comando Vermelho em determinadas regiões do Rio de Janeiro. A suspeita é de que integrantes das forças de segurança estariam utilizando informações privilegiadas para beneficiar criminosos e atrapalhar operações policiais.

O caso ganhou ainda mais repercussão após a decisão dos Estados Unidos de enquadrar facções brasileiras como grupos terroristas. Especialistas avaliam que a medida pode aumentar a cooperação internacional no combate ao crime organizado e pressionar autoridades brasileiras por ações mais duras contra organizações criminosas.

Ao mesmo tempo, integrantes do governo brasileiro demonstraram preocupação com possíveis impactos diplomáticos e jurídicos provocados pela classificação adotada pelos EUA. O tema passou a gerar debates sobre soberania nacional e atuação internacional no enfrentamento ao narcotráfico.

Enquanto isso, a Polícia Federal segue aprofundando as investigações sobre possíveis conexões entre facções, agentes públicos e estruturas políticas no Rio de Janeiro. A expectativa é de que novas operações sejam realizadas nos próximos dias com autorização do Supremo Tribunal Federal.

As apurações continuam sob sigilo, mas investigadores acreditam que o material reunido até agora pode ampliar o alcance da operação e revelar novos envolvidos no esquema investigado pela PF.

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