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Em posse de Nunes Marques no TSE, Alcolumbre se recusa a aplaudir Jorge Messias

A cerimônia de posse de Kassio Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral, realizada em Brasília nesta semana, ganhou repercussão por um gesto discreto, mas carregado de significado político. Em um evento que deveria marcar apenas a transição no comando da Corte eleitoral, um detalhe chamou a atenção de quem acompanhava a solenidade: o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, foi o único integrante da mesa principal a permanecer em silêncio no momento em que o advogado-geral da União, Jorge Messias, recebeu uma homenagem pública. 

A cena aconteceu quando o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Beto Simonetti, fez um discurso protocolar, mas com um destaque especial a Messias. Ao citar o chefe da AGU como “querido amigo”, Simonetti arrancou uma salva de palmas espontânea que durou cerca de 30 segundos. Autoridades, convidados e parte do público acompanharam a homenagem. Alcolumbre, porém, permaneceu imóvel, sem aderir ao aplauso coletivo. O contraste foi suficiente para virar assunto nos bastidores e nas redes sociais. 

Em Brasília, gestos assim raramente são vistos como simples coincidência. Um silêncio pode dizer tanto quanto um discurso inteiro. E, neste caso, a leitura política foi imediata: o episódio reflete o desgaste entre Alcolumbre e Jorge Messias após a recente rejeição do nome do AGU para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. Nos corredores do Congresso, o entendimento é de que a votação no Senado deixou marcas, especialmente porque a derrota foi tratada por aliados do governo como uma articulação silenciosa, mas eficaz, conduzida pelo próprio presidente da Casa. 

Embora publicamente Alcolumbre tenha evitado comentar o caso e negue qualquer movimentação contra o indicado do Palácio do Planalto, relatos de senadores apontam que o senador do Amapá teria conversado pessoalmente com colegas para desestimular o apoio a Messias. O motivo, segundo fontes políticas, seria sua preferência por outro nome: o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco. Esse pano de fundo ajuda a explicar por que um simples aplauso não dado ganhou tanta repercussão. 
Outro sinal de desconforto apareceu no dia seguinte.

 Alcolumbre não compareceu ao lançamento do programa federal “Brasil Contra o Crime Organizado”, realizado no Palácio do Planalto. O evento reuniu Luiz Inácio Lula da Silva, Geraldo Alckmin, Paulo Gonet e o presidente da Câmara, Hugo Motta. A ausência reforçou a percepção de que a relação entre setores do governo e a cúpula do Senado atravessa um momento de atrito.

No centro de tudo, a posse de Nunes Marques acabou ficando em segundo plano. O magistrado assume a presidência do TSE em um ano decisivo, já que a Corte será responsável por conduzir as eleições de 2026, num cenário marcado por debates sobre inteligência artificial, desinformação e segurança institucional. Mas, como costuma acontecer em Brasília, bastou um gesto silencioso para roubar a cena de toda a solenidade. 
 

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