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Alcolumbre se revolta com Lula e expõe bomba sobre os impostos

Nos últimos dias, Brasília voltou a exalar aquele clima de bastidores intensos, telefonemas cruzados e reuniões a portas fechadas que só quem acompanha política já reconhece de longe. Tudo por causa da indicação do presidente Lula ao Supremo Tribunal Federal: Jorge Messias, um nome já antigo no círculo lulista, alguém de confiança, quase um personagem recorrente nessa longa novela política que atravessa décadas.

A escolha, porém, não agradou a todos. E não estou falando apenas de críticas públicas de opositores, que já eram esperadas. A irritação veio de dentro do próprio tabuleiro do poder. Davi Alcolumbre, presidente da Comissão de Constituição e Justiça e figura influente no Senado, não gostou da movimentação. Ele desejava ver Rodrigo Pacheco, atual presidente do Senado, ocupar a vaga. Era o cenário que imaginava consolidar.

Como acontece em muitos episódios políticos, a reação não veio em forma de discurso ou recado direto, mas por meio da agenda legislativa — aquele espaço que, quando mexido com precisão, pode mandar mensagens bem mais fortes que qualquer coletiva de imprensa. Horas depois de Lula formalizar a indicação de Messias, na quinta-feira (20), Alcolumbre anunciou que o Senado votaria, já na terça seguinte (25), o projeto que regulamenta a aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e de combate a endemias.

Para boa parte dos analistas, o gesto ressoou como uma resposta direta ao Planalto. Uma forma de lembrar que, em Brasília, ninguém move peças sozinho.

O problema — e aqui começa a parte que realmente importa para quem está fora desse tabuleiro — é que a resposta pode custar muito caro ao país. Literalmente caro. A proposta tem sido chamada de “pauta-bomba” porque abre espaço para uma despesa que tende a se prolongar por décadas, pressionando ainda mais as contas públicas, que já vivem num malabarismo constante entre promessas, necessidades reais e limites fiscais.

O texto prevê que essas categorias possam se aposentar aos 50 anos (mulheres) e 52 anos (homens). Uma diferença expressiva quando comparada aos 62 e 65 anos exigidos da maior parte dos trabalhadores desde a reforma da Previdência, aprovada em 2019. E não para por aí. O projeto resgata dois benefícios que haviam sido extintos para novos servidores lá atrás, na reforma de 2003: a aposentadoria integral, equivalente ao último salário da ativa, e a chamada paridade, que garante reajustes iguais aos dos servidores em atividade.

Para complicar ainda mais, o projeto não traz cálculo detalhado de impacto ou indicação de fonte de custeio. Um ponto sensível, considerando o cenário fiscal atual, que já tem sido discutido quase diariamente em jornais e debates econômicos. Ainda assim, é possível ter uma noção dos efeitos porque a estrutura do projeto é muito semelhante à de uma PEC aprovada pela Câmara em outubro.

Na ocasião, o deputado Antonio Brito (PSD-BA), relator da proposta, afirmou que o impacto seria de cerca de R$ 5,5 bilhões até 2030. O governo federal estimou algo bem maior: ao menos R$ 25 bilhões em dez anos, sem contar possíveis retroativos. E, olhando para o longo prazo, estudos apontam para algo que pode chegar a R$ 200 bilhões.

Enquanto isso, muitos contribuintes seguem tentando entender como decisões tomadas a centenas de quilômetros de suas casas acabam moldando seu futuro financeiro — e o de quem virá depois. A frase do próprio Brito na votação da Câmara resume bem o desencontro: “Nenhum prefeito e governador pagará nada; estará tudo arcado pela União”. Como se a União fosse financiada por alguém que não o cidadão comum.

No fim das contas, o jogo político continua, as indicações seguem, e as consequências — essas sim — acabam chegando para todos.

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