Pela primeira vez desde abril, Lula supera Flávio

A nova pesquisa BTG/Nexus mostra uma mudança relevante no cenário de rejeição para as eleições presidenciais de 2026. Pela primeira vez desde abril, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece numericamente à frente de Flávio Bolsonaro (PL) nesse indicador: 49% dos entrevistados afirmam que não votariam no petista de jeito nenhum, enquanto 48% rejeitam o senador.
Apesar da diferença de um ponto percentual, os números estão dentro da margem de erro e, portanto, não indicam uma vantagem estatisticamente consolidada de Lula sobre Flávio. O dado, porém, chama atenção porque representa uma inversão em relação aos levantamentos anteriores da mesma série, nos quais Flávio vinha apresentando índice de rejeição superior ao do presidente.
Na pesquisa divulgada anteriormente, realizada entre 14 e 16 de agosto, Flávio registrava 50% de rejeição, enquanto Lula aparecia com 48%. No novo levantamento, os dois candidatos continuam concentrando os maiores índices negativos entre os nomes testados, mas houve uma alteração na ordem.
A mudança ocorre em um momento de forte disputa entre os dois principais polos da eleição. Embora a rejeição seja elevada para ambos, Lula mantém vantagem nas intenções de voto no primeiro turno. No cenário sem Pablo Marçal, o presidente aparece com 41%, enquanto Flávio Bolsonaro registra 37%.
A distância também diminui quando o levantamento simula uma eventual disputa direta entre os dois no segundo turno. Lula aparece com 46% das intenções de voto, contra 45% de Flávio Bolsonaro. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, o resultado configura empate técnico.
O resultado mostra que, apesar da liderança numérica de Lula, a vantagem sobre Flávio permanece estreita. O cenário também evidencia o elevado grau de polarização do eleitorado, com os dois candidatos apresentando índices de rejeição próximos da metade dos entrevistados.
A pesquisa foi realizada pela Nexus por telefone entre os dias 21 e 23 de agosto e ouviu 2.006 eleitores. O levantamento tem nível de confiança de 95% e foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-09028/2026.
Além da disputa direta entre Lula e Flávio, o levantamento avaliou outros possíveis confrontos no segundo turno. O presidente aparece numericamente à frente dos demais adversários testados, reforçando que sua principal disputa, neste momento, ocorre com o senador do PL.
A evolução da rejeição merece atenção porque esse indicador pode ter peso importante em uma eleição de segundo turno. Quanto maior o percentual de eleitores que descartam determinado candidato, menor tende a ser o espaço disponível para conquistar votos entre aqueles que ainda não definiram sua escolha. No caso de Lula e Flávio, entretanto, os números também revelam que ambos possuem bases eleitorais consolidadas.
A pesquisa anterior já apontava uma aproximação entre os dois principais candidatos. Agora, a nova rodada reforça a percepção de que a disputa pode permanecer acirrada ao longo da campanha. Flávio avançou no segundo turno em relação ao levantamento anterior, passando de 44% para 45%, enquanto Lula permaneceu com 46%.
Outro elemento relevante é o fato de a nova pesquisa ter sido realizada depois do início oficial da campanha eleitoral. A partir desse período, candidatos passam a ampliar a exposição pública, participar de eventos, entrevistas e debates e intensificar a comunicação com o eleitorado. Essas movimentações podem alterar tanto as intenções de voto quanto os índices de rejeição ao longo das próximas semanas.
O levantamento, portanto, apresenta um cenário de disputa bastante equilibrado entre Lula e Flávio Bolsonaro. O presidente segue na frente no primeiro turno e também aparece numericamente à frente em uma eventual segunda etapa, mas a diferença é pequena. Ao mesmo tempo, Lula passou a registrar 49% de rejeição, contra 48% de Flávio, invertendo pela primeira vez desde abril a posição dos dois nesse indicador.
Os números não significam, isoladamente, que Lula tenha perdido a liderança eleitoral. Eles mostram, sobretudo, que a corrida presidencial permanece aberta e marcada por elevada rejeição aos dois principais nomes. Com a campanha ainda em fase inicial, novas pesquisas deverão indicar se essa inversão na rejeição será mantida ou se os índices voltarão a oscilar nas próximas rodadas.



