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Lula diz que arrumou o Brasil e manda recado para Bolsonaro

Durante um evento realizado na zona oeste de São Paulo nesta sexta-feira (10), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a tecer duras críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), classificando sua gestão como um período de “semidestruição” do país. O discurso ocorreu durante o lançamento de um novo modelo de crédito imobiliário, com a presença de autoridades como o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e os ministros Fernando Haddad (Fazenda), Jader Filho (Cidades), Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário) e Márcio Macedo (Secretaria-Geral da Presidência).

Em tom firme e visivelmente incomodado com as comparações entre os dois governos, Lula afirmou que herdou um país em ruínas e que os primeiros dois anos de sua gestão foram dedicados à reconstrução do que chamou de “desmonte institucional e econômico”.

“Vocês têm noção do que aconteceu neste país nos últimos seis anos? Da semidestruição que este país sofreu? Tivemos que passar dois anos tentando reconstruir o Brasil. Fizemos a PEC da Transição porque a tranqueira que governava antes não cuidou disso. Hoje, o país está arrumado”, declarou o presidente, em meio a aplausos do público presente.

A reconstrução e o debate econômico

Ao destacar os avanços de seu governo, Lula reforçou que o Brasil voltou a crescer e que os principais indicadores econômicos, como massa salarial, crédito e nível de emprego, mostram sinais de recuperação. O presidente também rebateu críticas de setores que o acusam de falta de responsabilidade fiscal, afirmando que ninguém trata as contas públicas com mais seriedade do que sua equipe.

“De vez em quando me incomoda muito, porque você olha o crescimento, o desenvolvimento, o aumento da massa salarial e o financiamento, e quase não vê notícia. As pessoas não percebem que quem mais cuida da responsabilidade fiscal é quem está no governo”, disse Lula.

Ele também aproveitou o momento para defender o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, elogiando sua condução da política econômica e afirmando que “não existe mágica na economia, e sim trabalho e planejamento”.

“Não tem gênio, não tem mágica. Se tivesse, o Brasil não teria passado pela miséria que passou. Agora, o país tem reservas internacionais, voltou a ser respeitado e pensa no longo prazo”, completou o petista.

Conversa com Donald Trump

Em tom mais descontraído, Lula também comentou sobre a conversa recente que teve com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com quem retomou o diálogo diplomático após anos de distanciamento entre os dois países. O petista brincou com a idade do republicano e disse que, por ser alguns meses mais velho, sente-se à vontade para “falar mais grosso” com o colega norte-americano.

“Ele é oito meses mais novo que eu, então tenho o direito de falar mais grosso com ele. Nós dois, com 80 anos, não podemos passar discórdia para o mundo, precisamos transmitir harmonia”, disse Lula, arrancando risos da plateia.

Ainda sobre as relações internacionais, o presidente ressaltou que o Brasil voltou a ter uma postura independente e crítica, reforçando que “quem acha que lamber botas ajuda, vai cair do cavalo”, numa indireta a governos anteriores que, segundo ele, adotaram uma postura submissa diante de potências estrangeiras.

Com o discurso, Lula buscou reafirmar o tom político que vem adotando: o de um líder que, após herdar um país em crise, tenta reconstruir a economia e recuperar o prestígio do Brasil no cenário internacional — sempre lembrando, entre ironias e críticas, que o caminho ainda é longo, mas que “a casa está sendo colocada em ordem”.

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