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Revelado o motivo que fez a Justiça rejeitar queixa-crime de Fábio Faria contra Rodrigo Bocardi

A Justiça de São Paulo rejeitou a queixa-crime apresentada pelo ex-ministro das Comunicações Fábio Faria contra o jornalista Rodrigo Bocardi, em um processo que surgiu após declarações feitas durante uma participação do apresentador no programa Melhor da Tarde, da Band. Na ocasião, Bocardi comentou sua saída do SBT e citou Faria ao falar sobre Daniel Vorcaro e o caso envolvendo o Banco Master. A decisão foi tomada pela juíza Lilian Lage Humes, do Foro Criminal da Barra Funda, e incluiu tanto questões processuais quanto uma análise sobre o conteúdo das declarações questionadas.

O episódio começou em 11 de setembro, quando Bocardi participou do programa apresentado por Leo Dias, pouco depois de seu desligamento do SBT. Ao explicar sua versão sobre os acontecimentos envolvendo a emissora, o jornalista mencionou assuntos relacionados ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro. Em determinado momento, também citou Fábio Faria, que é marido de Patrícia Abravanel, integrante da família controladora do SBT. Segundo a transcrição divulgada pelo Notícias da TV, Bocardi afirmou que o ex-ministro teria “envolvimento com o Vorcaro, com o dinheiro do Banco Master”.

A declaração levou Fábio Faria a recorrer à Justiça. Na queixa-crime, o ex-ministro alegou que as afirmações ultrapassaram os limites da crítica e poderiam caracterizar crimes contra a honra. A iniciativa ocorreu em meio à repercussão de informações relacionadas a mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, que haviam sido divulgadas pela revista Piauí. De acordo com reportagens sobre o caso, Faria afirmou que havia apenas repassado convites, a pedido de Vorcaro, para autoridades participarem de uma festa privada realizada em São Paulo. A defesa também sustenta que os nomes mencionados não compareceram ao evento.

Ao analisar o pedido, porém, a juíza Lilian Lage Humes apontou que havia questões que impediam o recebimento da queixa-crime naquele momento. Um dos pontos destacados foi a ausência de uma notificação prévia para que Rodrigo Bocardi pudesse se retratar das declarações. A magistrada também observou que Fábio Faria e sua equipe não haviam registrado boletim de ocorrência por difamação nem solicitado a instauração de inquérito policial antes de apresentar a ação penal privada. Segundo a decisão reproduzida pelo Notícias da TV, eram necessários elementos que demonstrassem a materialidade do possível delito e indícios plausíveis de autoria.

Outro aspecto considerado pela Justiça foi o próprio conteúdo da fala de Bocardi. A magistrada avaliou as declarações como genéricas, destacando que não havia, na manifestação apresentada pelo jornalista, especificação suficiente sobre qual ato Fábio Faria teria praticado, além das circunstâncias relacionadas a tempo e local. Por essa razão, a decisão entendeu que as declarações apresentadas na queixa não configuravam, naquelas condições, o crime de difamação previsto no artigo 139 do Código Penal. A juíza também ressaltou que o direito penal não deveria ser utilizado como primeira medida para resolver uma controvérsia originada em uma discussão ou declaração feita em um programa de televisão.

A decisão, portanto, não representa uma conclusão sobre todos os fatos relacionados ao Banco Master ou sobre as acusações e versões que circulam a respeito das relações entre diferentes pessoas citadas no caso. O ponto analisado pela Justiça paulista foi especificamente a queixa-crime apresentada por Fábio Faria contra Rodrigo Bocardi e os requisitos necessários para que esse tipo de ação pudesse prosseguir. A avaliação sobre as falas do jornalista ocorreu dentro desse contexto processual, enquanto outros episódios envolvendo o Banco Master seguem sendo tratados em diferentes frentes e por outras autoridades.

Após a decisão, Rodrigo Bocardi informou ao Notícias da TV que não comentaria o resultado. Já informações atribuídas a pessoas próximas a Fábio Faria indicam que o ex-ministro pretende recorrer. Até o momento das publicações consultadas, a defesa de Faria ainda não havia apresentado uma nova manifestação pública sobre os próximos passos. Caso um recurso seja protocolado, a questão poderá voltar a ser analisada pela Justiça, seguindo os procedimentos previstos para esse tipo de medida.

A disputa judicial acontece em um momento de grande atenção sobre o caso Banco Master e sobre as informações que vêm sendo divulgadas a respeito de Daniel Vorcaro e de pessoas que tiveram algum tipo de contato com o empresário. Por isso, a decisão envolvendo Fábio Faria e Rodrigo Bocardi ganhou repercussão rapidamente. O processo, contudo, trata de uma questão específica: se a queixa apresentada contra o jornalista reunia os requisitos necessários para avançar. Nesse primeiro momento, a Justiça de São Paulo entendeu que não, deixando aberta a possibilidade de novos desdobramentos caso a parte interessada apresente recurso.

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