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Luto na TV: Marcelo Serrado chora a morte de querido ator e revela bastidores: “Estava gravando com ele”

Marcelo Serrado voltou a falar sobre uma das perdas que mais marcaram sua trajetória pessoal e profissional. Em entrevista publicada pelo jornal O Globo, o ator relembrou Domingos Montagner, seu colega de elenco na novela Velho Chico, e contou como passou de um momento de convivência descontraída com o amigo para uma situação completamente diferente durante as buscas pelo ator, em setembro de 2016. A lembrança surgiu enquanto Serrado refletia sobre diferentes lutos que atravessaram sua vida e sobre como determinadas perdas continuam presentes mesmo muitos anos depois.

Serrado contou que tinha uma relação próxima com Domingos nos bastidores da produção. Segundo o ator, os dois haviam trabalhado juntos normalmente e, na véspera da morte do colega, chegaram a tomar uma cerveja. No dia seguinte, entretanto, a rotina das gravações foi interrompida pela notícia de que Domingos havia desaparecido durante um mergulho no Rio São Francisco. “Eu estava gravando com ele e, no dia anterior, tomando uma cerveja com ele. Depois estava numa lancha, procurando o cara”, relatou Serrado na entrevista.

Domingos Montagner tinha 54 anos e estava em Sergipe para as gravações finais de Velho Chico. No dia 15 de setembro de 2016, durante um intervalo das atividades, ele entrou no Rio São Francisco acompanhado de Camila Pitanga. Segundo os relatos publicados na época, os dois estavam nadando quando a correnteza passou a dificultar o retorno. Camila conseguiu chegar até uma pedra e pedir ajuda, enquanto as equipes iniciaram as buscas pelo ator. Horas depois, Domingos foi localizado nas proximidades da Usina de Xingó.

A notícia teve forte impacto entre os profissionais envolvidos na novela. Marcelo Serrado estava em outra parte do São Francisco, também durante as gravações, e decidiu participar das buscas assim que soube do desaparecimento. Em relato recuperado pelo Acervo do O Globo, o ator contou que foi até a região em uma lancha utilizada pela produção. Ainda vestido com o figurino de seu personagem, permaneceu procurando pelo colega e tentando encontrar algum sinal que pudesse indicar onde ele estava.

A morte de Domingos também deixou uma marca importante na história de Velho Chico. Na trama, ele interpretava Santo dos Anjos, um dos principais personagens da novela. A coincidência entre a ficção e o local onde ocorreu o episódio chamou atenção na época, já que o Rio São Francisco fazia parte da própria narrativa da produção. O autor Benedito Ruy Barbosa chegou a falar sobre a necessidade de homenagear o ator nos capítulos finais. A produção acabou incorporando uma homenagem a Domingos na reta final da novela.

Ao relembrar Domingos, Marcelo Serrado também falou sobre outros momentos de luto que atravessaram sua vida. Entre eles está a morte da atriz Daniella Perez, sua amiga e colega de trabalho, ocorrida em 1992. Serrado contou que a perda teve grande impacto porque os dois eram próximos e haviam trabalhado juntos. Décadas depois, a lembrança continua fazendo parte das reflexões que o ator decidiu compartilhar em seu livro e documentário, Fora do roteiro.

Outro momento abordado pelo ator foi a morte de sua mãe, em 2023. Serrado explicou que acompanhou o processo de Alzheimer enfrentado por ela e descreveu essa experiência como um período de luto que começou antes mesmo da despedida. Na entrevista, afirmou que a ausência continua muito presente em sua rotina e que ainda encontra dificuldades para lidar com a perda. A relação com a mãe, segundo ele, foi especialmente forte por ser o filho caçula e ter sido muito próximo dela.

As lembranças sobre essas perdas aparecem justamente em um momento no qual Marcelo Serrado decidiu revisitar diferentes fases de sua trajetória. Em Fora do roteiro, o ator aborda experiências pessoais, mudanças profissionais e questões relacionadas à saúde mental, além de refletir sobre envelhecimento, família e relações construídas ao longo dos anos. O projeto reúne livro e documentário e, segundo Serrado, surgiu também como uma maneira de transformar experiências pessoais em uma conversa que pudesse alcançar outras pessoas.

A recordação de Domingos Montagner, portanto, não aparece apenas como uma lembrança distante de uma novela que terminou há uma década. Para Serrado, aquele episódio permanece associado à amizade, aos bastidores de Velho Chico e à mudança repentina de uma rotina de trabalho para um momento que marcou profundamente todos os envolvidos. O ator segue revisitando essas memórias ao falar sobre sua própria história, mostrando como determinadas pessoas e experiências continuam fazendo parte da vida mesmo depois que os anos passam.

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