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Breno Lopes revela o que disse para Esquivel em Atletiba

Breno Lopes, atacante do Coritiba, recebeu uma partida de suspensão pelo episódio que resultou em sua expulsão no clássico contra o Athletico, disputado na última sexta-feira (11), no Couto Pereira, pela 27ª rodada do Campeonato Brasileiro. O julgamento aconteceu nesta quinta-feira (17), na 7ª Comissão Disciplinar do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), e teve como principal ponto de discussão o gesto feito pelo jogador durante uma discussão com Esquivel. A punição foi aplicada com base no protocolo conhecido como “Lei Vini Jr.”, criado para situações em que um atleta cobre a boca ao falar com um adversário durante uma discussão, dificultando a identificação das palavras utilizadas. Com a decisão, Breno Lopes terá de cumprir a suspensão no próximo compromisso do Coritiba pelo Brasileirão, diante do Vasco. A decisão, entretanto, ainda poderá ser questionada por meio de recurso ao Pleno do STJD.

O episódio que levou à expulsão aconteceu aos 45 minutos do primeiro tempo do clássico. Enquanto o árbitro Wagner do Nascimento Magalhães acompanhava uma falta sofrida por um jogador do Coritiba, Breno Lopes e Esquivel começaram a trocar provocações em um ponto afastado da jogada. O atacante acabou recebendo o cartão vermelho após se aproximar do lateral-esquerdo do Athletico e colocar a mão sobre a boca enquanto falava. O gesto teve importância central no julgamento porque está previsto no protocolo utilizado para coibir manifestações que possam esconder palavras direcionadas ao adversário. A situação chamou atenção também pelo contexto do clássico, marcado por discussões entre os jogadores. Durante sua participação no julgamento, Breno reconheceu que havia ocorrido uma troca de provocações, mas apresentou sua versão sobre o que foi dito naquele momento.

Em seu depoimento, o jogador do Coritiba afirmou que a discussão fazia parte de uma sequência de desentendimentos ocorridos durante a partida e negou ter feito qualquer comentário de cunho racista contra Esquivel. “Era um clássico e, minutos antes da minha expulsão, eu e o adversário tivemos alguns conflitos e discussões. Ele acabou me dando um soco sem bola. Depois, a gente continuou trocando provocações: ele me xingava e eu xingava ele”, declarou Breno Lopes. O atacante também explicou aos integrantes da comissão que tinha conhecimento do protocolo e afirmou ser contrário a qualquer manifestação racista. Segundo sua versão, a fala feita no momento da expulsão não teve relação com racismo, mas foi uma provocação relacionada ao desempenho do adversário e ao andamento da partida.

Breno detalhou ainda as palavras que, segundo ele, foram dirigidas a Esquivel antes da aplicação do cartão vermelho. “Quando chegou no lance da expulsão, obviamente eu sabia da Lei Vini Jr. e acho válida. Também sou contra qualquer ato de racismo. Eu cheguei perto dele e falei que ele era um jogador fraco, que o jogo não tinha acabado ainda e que a gente ia buscar a virada. Mas, por hábito de colocar a mão na boca, eu acabei esquecendo, no calor do jogo, e acabei sendo expulso. Se eu não tivesse colocado a mão na boca, eu jamais seria expulso, porque não falei nada de racismo, nada disso”, explicou. Dessa forma, a defesa apresentada pelo atleta buscou diferenciar o gesto que motivou a punição da possibilidade de uma manifestação racista, destacando que ele reconhecia ter descumprido a orientação relacionada ao protocolo, mas negava ter utilizado qualquer expressão desse tipo.

O advogado do Coritiba, Paulo Henrique Giffhorn, também argumentou durante o julgamento que o protocolo ainda passa por um período de adaptação no futebol brasileiro. Para a defesa, Breno Lopes já havia recebido a punição automática referente ao cartão vermelho e não deveria receber uma nova suspensão administrativa pelo mesmo episódio. “Estamos julgando um gestual que não pode mais fazer parte do futebol, mas todos nós ainda estamos em fase de adaptação. O Breno afirma que sabe, que errou e vai cumprir a pena de suspensão automática contra o Vasco, mas não há nada para que o Breno seja punido de forma administrativa, além da automática. Caso não entendam pela absolvição, a defesa pugna para que seja seguido o entendimento adotado pela Terceira Comissão no primeiro caso julgado pelo Protocolo Vini Jr.”, afirmou o advogado. A argumentação, portanto, buscava pelo menos limitar os efeitos esportivos da decisão sobre o atacante.

A relatora do processo, auditora Marina Volpato, votou pela aplicação de uma partida de suspensão, entendimento que acabou acompanhado pelos demais integrantes da comissão. Marco Antônio Souto Maior, José Dutra Junior, Renato Oliveira Ramos e o presidente Mateus Resende Vilela seguiram o mesmo posicionamento, resultando na punição de Breno Lopes. Com isso, o atacante ficará fora do duelo do Coritiba contra o Vasco, cumprindo a suspensão determinada no julgamento. O caso, porém, não está necessariamente encerrado, já que ainda existe a possibilidade de recurso ao Pleno do STJD. A decisão também coloca em evidência o processo de aplicação do protocolo “Lei Vini Jr.” no futebol brasileiro, especialmente em situações nas quais gestos utilizados durante discussões dificultam a identificação das palavras trocadas entre os jogadores.

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