Deputado revela como encontrou Jair Bolsonaro em prisão domiciliar

Em um momento de reclusão e tensão política, o ex-presidente Jair Bolsonaro recebeu, nesta terça-feira (4), a visita do deputado federal Alberto Fraga (PL-DF). O encontro, que durou pouco menos de uma hora, aconteceu na residência de Bolsonaro, no Jardim Botânico, em Brasília — local onde ele cumpre prisão domiciliar por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
De acordo com Fraga, o clima da conversa foi mais pessoal do que político. “Fui visitar um amigo de 43 anos. Não falamos de política. Era um encontro entre dois amigos, apenas isso”, contou o parlamentar em entrevista ao portal Metrópoles. Apesar do tom amistoso, o deputado relatou ter encontrado o ex-presidente visivelmente abatido e introspectivo. “Ele está cansado, emocionalmente desgastado”, afirmou.
Durante o diálogo, Bolsonaro teria feito um desabafo que chamou a atenção: “O que tinham que fazer comigo, já fizeram. O que podem fazer mais?”. A frase, segundo Fraga, reflete um sentimento de resignação diante da série de processos e investigações que envolvem o ex-chefe do Executivo. Mesmo assim, o ex-presidente teria reafirmado confiança total em seus advogados e evitado entrar em detalhes sobre o andamento das ações judiciais.
Essa foi a primeira visita autorizada de um aliado político desde que o STF determinou o cumprimento da prisão domiciliar, em 4 de agosto. Desde então, o ex-presidente vem mantendo um perfil discreto, evitando aparições públicas e limitando contatos com antigos correligionários. O Supremo impôs regras rígidas: qualquer visita deve ser previamente autorizada e monitorada.
Alberto Fraga, que tem histórico de amizade e parceria política com Bolsonaro desde os tempos de Exército, foi uma das vozes mais firmes na defesa do ex-presidente. Nas redes sociais, ele já havia criticado a decisão do STF, chamando-a de “perseguição política” e afirmando que “a Justiça está sendo usada para silenciar quem pensa diferente”.
Entre os nomes também liberados para futuras visitas estão o ex-piloto Nelson Piquet — que deve comparecer à casa de Bolsonaro nesta quarta-feira (5) — e o jornalista Alexandre Paulovich Pittoli, esperado no dia seguinte. A liberação desses encontros tem sido vista como uma tentativa de aliviar o isolamento do ex-presidente, que estaria passando por um momento de forte desgaste emocional e físico.
Pessoas próximas relatam que Bolsonaro tem passado a maior parte dos dias em silêncio, lendo e acompanhando notícias pela televisão. Apesar da aparente tranquilidade, aliados afirmam que ele sente falta da rotina intensa e do contato com apoiadores, que sempre marcaram sua trajetória política.
Nos bastidores, comenta-se que a visita de Fraga representou um sopro de ânimo em meio ao cenário de incertezas. O próprio deputado, ao deixar o local, preferiu o tom conciliador: “Ele está sereno, mas cansado. O tempo dirá o que vai acontecer. Por enquanto, é hora de apoiar um amigo”.
Enquanto o país observa atentamente os desdobramentos judiciais, a imagem de Bolsonaro isolado em sua casa contrasta com o político enérgico que, até pouco tempo atrás, mobilizava multidões. A visita de Alberto Fraga, mesmo breve, acabou revelando um retrato mais humano e vulnerável de um dos personagens mais marcantes da recente história brasileira.



