Trump não deve apoiar Flávio Bolsonaro nas eleições de 2026, diz aliado

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) emerge como principal nome da oposição de direita na corrida presidencial de 2026, contando com articulações internacionais que incluem contatos frequentes com círculos conservadores nos Estados Unidos. Seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, e o influenciador Paulo Figueiredo atuam como principais interlocutores junto ao governo de Donald Trump, promovendo reuniões e participações em eventos como a CPAC e fóruns conservadores. Essas conexões geram expectativa entre apoiadores sobre um possível respaldo explícito do presidente americano à pré-candidatura de Flávio.
Recentemente, lideranças petistas avaliaram nos bastidores que uma declaração pública de apoio de Trump a Flávio poderia se tornar um trunfo para a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A estratégia consistiria em explorar o tema da soberania nacional, retratando o senador como excessivamente alinhado a interesses estrangeiros. Essa leitura ganhou repercussão após colunas jornalísticas destacarem a torcida de setores do PT por um endosso direto da Casa Branca.
Diante dessas especulações, Paulo Figueiredo, considerado braço direito de Eduardo Bolsonaro em Washington, deu um “spoiler” direto sobre o tema. Em declaração à imprensa, o influenciador afirmou categoricamente que Trump não fará uma declaração pública de apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro. Segundo Figueiredo, o próprio senador já deixou claro quais são suas prioridades nas relações com os Estados Unidos: eleições livres, transparentes e respeito à liberdade de expressão, sem demandar um endosso formal do presidente americano.
A avaliação de Figueiredo reflete o pragmatismo característico da política externa de Trump, que costuma priorizar interesses estratégicos dos Estados Unidos em detrimento de declarações simbólicas que possam gerar desgaste desnecessário. Analistas observam que o republicano tem se mostrado cauteloso após experiências em outros países, onde apoios explícitos a candidatos aliados nem sempre se traduziram em vitórias eleitorais. No caso brasileiro, gestos como fotos, participações em eventos e declarações de conselheiros próximos já servem para sinalizar alinhamento sem a necessidade de uma manifestação presidencial direta.
Flávio Bolsonaro tem cultivado uma imagem de candidato moderado dentro do campo conservador, participando de agendas internacionais que reforçam sua viabilidade política. A ausência de um apoio explícito de Trump não significa ruptura nas relações; ao contrário, as pontes construídas por Eduardo Bolsonaro e Figueiredo continuam ativas, com reuniões regulares em Washington. O foco, segundo aliados, permanece em temas como segurança, economia e críticas ao que chamam de “regime autoritário” no Brasil.
Especialistas em relações internacionais destacam que o governo Trump tende a adotar uma postura mais reservada em eleições estrangeiras, especialmente quando o apoio implícito — por meio de aliados e eventos conservadores — já pode ser mobilizado pela campanha sem expor o presidente americano a críticas de interferência. Essa abordagem evita que o tema se transforme em fator negativo, permitindo que o bolsonarismo utilize as conexões existentes como argumento de força junto ao eleitorado conservador.
Com a campanha de 2026 ainda em fase inicial, o cenário político brasileiro deve continuar influenciado por esses movimentos diplomáticos paralelos. Enquanto o PT aposta em narrativas de soberania para capitalizar eventuais declarações externas, o campo bolsonarista aposta na solidez das articulações já construídas. A declaração de Figueiredo reforça a tese de que o apoio de Trump, se existir, permanecerá no campo dos gestos e contatos estratégicos, sem evoluir para um endosso público formal.



