Flávio Bolsonaro surpreende ao falar do futuro político do pai e descartar irmão no Itamaraty

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, abordou possíveis nomeações para um eventual governo durante entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, na sexta-feira (16). Questionado sobre a possibilidade de dar um cargo ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o parlamentar não descartou completamente essa hipótese, mas afirmou que o assunto nunca foi discutido entre os dois. Na mesma sabatina, Flávio descartou a possibilidade de nomear o irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, para o comando do Ministério das Relações Exteriores, conhecido como Itamaraty.
Ao falar sobre o pai, Flávio afirmou que Jair Bolsonaro nunca pediu nem sugeriu que gostaria de ocupar uma função em um eventual governo. O candidato declarou que considera um privilégio poder consultar um ex-presidente da República que faz parte de sua família, mas ressaltou que uma nomeação não está nos planos atuais. A declaração contrasta com uma fala feita em maio, quando o senador admitiu que o pai poderia exercer um cargo caso desejasse participar da administração. Na ocasião, afirmou que, se Jair Bolsonaro quisesse trabalhar no governo, isso poderia acontecer. Durante a entrevista mais recente, porém, Flávio enfatizou que o tema não foi tratado entre eles.
Em relação a Eduardo Bolsonaro, o candidato foi mais direto e negou que o irmão vá ocupar o posto de chanceler caso ele vença a eleição. Flávio descreveu Eduardo como um perseguido político e afirmou que ele está no exterior denunciando o que considera arbitrariedades cometidas no Brasil. Também declarou acreditar que a história reconhecerá a atuação do irmão como uma tentativa de defender a democracia brasileira. A resposta afasta, ao menos publicamente, a possibilidade de Eduardo assumir a chefia da diplomacia em um eventual governo do senador.
Durante a sabatina, Flávio também direcionou críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), acusando o adversário de divulgar informações falsas sobre suas propostas econômicas. O candidato afirmou que a saída de Lula do governo seria uma das principais medidas para melhorar as contas públicas. Além disso, negou que pretenda acabar com aposentadorias ou privatizar empresas estatais como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Petrobras. Flávio declarou ainda que pretende manter os reajustes do salário mínimo e os pisos destinados à saúde e à educação, contestando acusações que atribuiu à campanha adversária.
Outro compromisso apresentado pelo senador foi a promessa de não disputar um segundo mandato presidencial, mesmo que o Congresso Nacional não aprove o fim da reeleição. Ele também descartou a necessidade de ampliar o mandato presidencial para cinco anos. Segundo Flávio, um único mandato seria suficiente para iniciar as mudanças que considera necessárias para o país. O candidato afirmou que pretende extinguir pelo menos dez dos atuais 39 ministérios e utilizar imóveis públicos para gerar receitas. As medidas integrariam um plano de ajuste fiscal estimado em R$ 200 bilhões, embora a entrevista não tenha detalhado todos os mecanismos para alcançar esse valor.
A entrevista também abordou o financiamento do filme Dark Horse, produção sobre Jair Bolsonaro. Flávio foi questionado sobre os quase R$ 134 milhões solicitados ao empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, para financiar o projeto. Segundo os valores apresentados durante a sabatina, aproximadamente R$ 70 milhões teriam sido repassados à produção. O senador negou irregularidades e classificou a operação como um pedido de patrocínio privado, mas não detalhou todas as contas do filme. Questionado sobre a diferença entre o valor solicitado e os R$ 75 milhões apontados como custo da produção, afirmou que o contrato não foi integralmente cumprido e que outros investidores ajudaram a concluir o projeto. Ao final, Flávio declarou que respeitará o resultado das eleições caso seja derrotado, embora tenha afirmado acreditar que os brasileiros escolherão uma mudança de governo no segundo turno.



