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Advogado ligado a Trump ironiza Gilmar Mendes e faz declaração sobre Moraes que repercute no Brasil

O advogado norte-americano Martin De Luca, conhecido por representar a Trump Media e a plataforma de vídeos Rumble em disputas judiciais envolvendo o Brasil, voltou a chamar atenção após publicar críticas aos ministros Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Durante o fim de semana anterior a 13 de outubro de 2026, o advogado utilizou seu perfil na rede social X para comentar informações divulgadas sobre os bastidores da Corte brasileira. Uma de suas manifestações teve como alvo direto Gilmar Mendes, após a publicação de uma reportagem segundo a qual o magistrado estaria recebendo conselhos para se distanciar de Moraes. Em tom de ironia, De Luca questionou a necessidade de explicar repetidamente essa orientação ao ministro. A declaração ganhou repercussão em veículos de comunicação e redes sociais, especialmente porque ocorreu em meio às investigações envolvendo o Banco Master e às discussões sobre a atuação de integrantes do Supremo. O episódio também evidencia como debates relacionados ao Judiciário brasileiro passaram a mobilizar personagens estrangeiros envolvidos em disputas sobre liberdade de expressão e regulamentação das plataformas digitais.

A manifestação do advogado teve origem em uma informação publicada pelo jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo. Segundo a coluna, Gilmar Mendes estaria sendo aconselhado por diferentes interlocutores a reconsiderar sua proximidade com Alexandre de Moraes diante da repercussão de informações envolvendo o magistrado e o empresário Daniel Vorcaro, associado ao Banco Master. Ao compartilhar a reportagem, Martin De Luca reagiu com uma frase irônica, sugerindo que a orientação deveria ser suficientemente clara para dispensar explicações adicionais. O comentário foi interpretado como uma crítica à postura pública de Gilmar, que tem defendido a atuação institucional de Moraes em diferentes ocasiões. Entretanto, a informação sobre os conselhos recebidos foi apresentada como relato de bastidores, sem identificação pública dos interlocutores mencionados. Também não há confirmação de que Gilmar pretenda alterar sua relação profissional ou institucional com o colega. As declarações de De Luca representam sua avaliação pessoal e não demonstram a existência de uma ruptura entre os ministros. A repercussão ocorre em um momento no qual decisões, relações institucionais e investigações envolvendo o Supremo são acompanhadas com atenção por diferentes grupos políticos.

A controvérsia relacionada ao Banco Master constitui parte importante do contexto dessas manifestações. Informações divulgadas pela imprensa levantaram questionamentos sobre contatos entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, além de negócios envolvendo o escritório de advocacia ligado à esposa do ministro. O caso passou a provocar discussões sobre transparência, possíveis conflitos de interesses e os mecanismos de apuração aplicáveis a autoridades do Poder Judiciário. Moraes nega irregularidades, e a existência de contratos ou contatos mencionados nas reportagens não representa, isoladamente, comprovação de conduta ilícita. Nesta terça-feira, 13 de outubro, o presidente do STF, Edson Fachin, reuniu-se com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para tratar de informações obtidas nas investigações e de referências a integrantes da Corte. A atuação das autoridades responsáveis deverá observar os procedimentos legais necessários para o exame de eventuais suspeitas. Nesse ambiente, as críticas de Martin De Luca ganharam destaque por atingirem não apenas Moraes, diretamente envolvido nas controvérsias, mas também Gilmar Mendes, que tem manifestado posições favoráveis à defesa da autonomia e das prerrogativas institucionais do Supremo.

Martin De Luca possui histórico de confrontos jurídicos e manifestações públicas relacionadas às decisões de Alexandre de Moraes. O advogado representa a Trump Media, empresa associada ao presidente norte-americano Donald Trump, e a plataforma Rumble em uma ação apresentada à Justiça dos Estados Unidos. O processo questiona determinações do ministro brasileiro relacionadas à retirada de conteúdos e à atuação de plataformas digitais, sob o argumento de que determinadas ordens não poderiam produzir efeitos da maneira pretendida em território norte-americano. A discussão envolve diferenças entre os sistemas jurídicos dos dois países, a competência das autoridades nacionais e a proteção à liberdade de expressão. De Luca também já concedeu entrevistas criticando decisões judiciais brasileiras que, em sua interpretação, ultrapassariam limites legais. Por outro lado, a aplicação de ordens judiciais a empresas de tecnologia é tema complexo, que envolve o cumprimento da legislação nacional e a necessidade de proteção de direitos. A existência de uma disputa nos tribunais americanos não significa que todas as alegações das empresas tenham sido acolhidas judicialmente. Também é importante distinguir sua atuação como representante dessas companhias de uma eventual manifestação oficial do governo dos Estados Unidos.

Além da ironia dirigida a Gilmar Mendes, De Luca publicou comentários críticos a Alexandre de Moraes e fez referências à eleição presidencial brasileira. Em uma de suas manifestações, o advogado utilizou a expressão “reinado da censura” para caracterizar a atuação que atribui ao magistrado, indicando sua expectativa de mudanças no cenário político. A declaração surgiu após o compartilhamento de uma notícia sobre uma decisão judicial envolvendo o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. De Luca também demonstrou apoio ao senador Flávio Bolsonaro, que disputa o segundo turno presidencial contra Luiz Inácio Lula da Silva no dia 25 de outubro. Em outra publicação, questionou ironicamente se uma pesquisa eleitoral divulgada por um veículo de comunicação poderia ser alvo de restrições. Essas manifestações mostram que o advogado passou a comentar não apenas processos judiciais dos quais participa, mas também acontecimentos políticos brasileiros. Suas declarações, entretanto, não representam decisões do Judiciário norte-americano, posições oficiais da administração Trump ou evidências de que o resultado eleitoral produzirá determinadas mudanças nas instituições brasileiras. O conteúdo deve ser compreendido como manifestação pública de um profissional com interesses jurídicos e posições políticas declaradas.

A repercussão das publicações reforça a dimensão internacional adquirida pelas discussões sobre o Supremo Tribunal Federal e a regulamentação das plataformas digitais. De um lado, representantes de empresas e grupos políticos questionam o alcance das decisões judiciais brasileiras e afirmam que determinadas determinações podem restringir indevidamente a liberdade de expressão. De outro, há argumentos jurídicos que defendem a possibilidade de atuação das autoridades para exigir o cumprimento de ordens legais, combater práticas ilícitas e assegurar a responsabilização prevista no ordenamento brasileiro. O debate envolve interpretações diferentes sobre soberania, jurisdição e proteção dos direitos fundamentais. No caso específico de Gilmar Mendes, a crítica de Martin De Luca foi motivada por uma reportagem sobre supostos conselhos de distanciamento em relação a Alexandre de Moraes, sem que tenha sido apresentada uma decisão do ministro nesse sentido. Até o momento, o fato confirmado é a publicação de comentários irônicos pelo advogado e sua participação no debate político e jurídico envolvendo o Brasil. Novos desdobramentos dependerão das investigações em andamento, das decisões das autoridades competentes e de eventuais manifestações dos envolvidos. O episódio demonstra como declarações individuais podem alcançar repercussão internacional quando estão relacionadas a disputas institucionais e políticas de grande visibilidade.

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